Candidatos ao governo de MG debatem dívida, segurança e privatizações em primeiro confronto eleitoral

A Cemig já está sendo privatizada informalmente ao virar um feudo de indicação política
Gabriel Azevedo descreveu o estado atual da estatal durante debate sobre o futuro da empresa.
Mark

Por que a dívida do estado foi o primeiro tema? Parece uma escolha deliberada.

Mimi

Porque ela condiciona tudo mais. Não importa se você quer construir hospitais ou escolas — sem resolver a dívida, não há espaço no orçamento. É o fantasma que paira sobre qualquer promessa de campanha.

Mark

E os candidatos concordam em algo sobre isso?

Mimi

Concordam que é um problema. Discordam radicalmente sobre a solução. Alguns querem renegociar o acordo federal, outros defendem que o acordo é o caminho. É uma divisão que vai definir muito da campanha.

Mark

O confronto sobre feminicídio ficou pessoal rápido.

Mimi

Ficou porque segurança pública é visceral em Minas. Não é abstrato. É a mulher que tem medo de voltar para casa, é a polícia que não tem salário. Quando você toca nesse nervo, os candidatos não conseguem manter distância.

Mark

Gabriel Azevedo parecia estar em vantagem em alguns momentos?

Mimi

Ele tinha propostas mais estruturadas — fundo soberano para mineração, parque metropolitano, foco em tecnologia. Mas Kalil conseguia deslocar o debate para a experiência prática dele como prefeito. É uma disputa entre quem tem plano e quem tem histórico.

Mark

E Simões, o governador? Como saiu?

Mimi

Defendendo o que fez. Disse que resgatou o estado da falência, que tem o menor desemprego do país. Mas estava constantemente na defensiva — Kalil atacava, Roscoe atacava. Ser o incumbente em um debate é estar sempre respondendo.

Mark

A privatização da Cemig virou símbolo de algo maior?

Mimi

Virou. Não é só sobre vender uma empresa. É sobre quem controla os recursos estratégicos do estado, para quem trabalham, quem se beneficia. Cada candidato vê nela uma história diferente sobre o que Minas deveria ser.

  • Cinco candidatos participaram do debate na Band em 16 de agosto de 2026
  • Patrus Ananias (PT) não compareceu, justificando compromisso com o presidente Lula em São Paulo
  • Estado precisaria de R$ 4 bilhões anuais em investimentos em infraestrutura, segundo Simões
  • Debate foi estruturado em quatro blocos com perguntas de mediadores, jornalistas e confrontos diretos

Debate abordou Propag, feminicídio, privatização da Cemig e Copasa, com posições divergentes entre os candidatos sobre políticas econômicas e sociais. Temas como IPVA, terras raras, educação, saúde e segurança pública geraram confrontos diretos, revelando diferenças estratégicas entre as campanhas.

Cinco candidatos ao governo de Minas Gerais participaram do primeiro debate eleitoral de 2026, discutindo dívida estadual, segurança pública, privatizações e infraestrutura. Patrus Ananias (PT) não compareceu.

Cinco candidatos ao governo de Minas Gerais subiram ao palco da Band no domingo, 16 de agosto, para o primeiro confronto eleitoral de 2026. Alexandre Kalil (PDT), Cleitinho Azevedo (Republicanos), Flávio Roscoe (PL), Gabriel Azevedo (MDB) e Mateus Simões (PSD) debateram por mais de duas horas temas que definem a agenda mineira: a dívida que sufoca o estado, a segurança pública em colapso, o futuro de empresas estatais e a infraestrutura deteriorada. Patrus Ananias (PT) não compareceu, justificando-se com um compromisso em São Paulo ao lado do presidente Lula. O debate, que havia sido adiado na semana anterior por indefinições sobre as candidaturas, foi estruturado em quatro blocos que alternavam perguntas de mediadores e jornalistas com confrontos diretos entre os candidatos.

A dívida de Minas Gerais abriu a noite e revelou divisões profundas sobre como o estado deve lidar com seu passivo. Kalil atacou o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), chamando-o de agressão ao estado e prometendo renegociar em Brasília. Roscoe também criticou o programa, dizendo que pode limitar investimentos públicos nos próximos anos, e prometeu mobilizar a bancada mineira no Congresso para revisar as condições. Gabriel Azevedo, porém, saiu em defesa do acordo, argumentando que ele permite ao estado quitar o débito sem juros desde que haja controle de despesas. Simões, o governador em exercício, defendeu a continuidade das negociações com a União e reclamou que Minas não recebe de volta investimentos proporcionais aos recursos que envia ao governo federal. Cleitinho Azevedo trouxe uma perspectiva diferente, afirmando que nenhum governador conseguirá quitar o passivo em um mandato e propondo revisão de benefícios fiscais, combate à sonegação e aumento da arrecadação.

O debate virou mais acirrado quando os candidatos se enfrentaram sobre feminicídio e segurança pública. Simões questionou Kalil sobre declarações antigas do adversário sobre violência doméstica, mas Kalil desviou para críticas gerais à segurança pública, apontando falta de policiais e problemas salariais. Respondendo, Simões destacou que as polícias Militar e Civil são comandadas por mulheres e citou programas de acompanhamento de vítimas. A troca revelou uma disputa sobre quem realmente protege as mulheres mineiras: Kalil apontava para a Casa Sempre Viva que criou em Belo Horizonte, enquanto Simões listava iniciativas estaduais. O confronto ficou tão tenso que em outro momento, quando Gabriel Azevedo contestou a criação da Casa Sempre Viva por Kalil, os organizadores precisaram silenciar temporariamente os microfones.

A privatização de empresas estatais dividiu o palco. Cleitinho Azevedo criticou severamente a Cemig por ter se tornado um "cabide de emprego e negociação política", embora se opusesse à privatização. Gabriel Azevedo concordou que a empresa já está sendo "privatizada" informalmente e prometeu que não será vendida, mas investirá em tecnologia fotovoltaica e exploração de lítio. Roscoe, por outro lado, defendeu a privatização da Copasa como forma de ampliar investimentos em saneamento, enquanto Gabriel se opôs, temendo impactos nas tarifas e na qualidade dos serviços. A mineração também gerou tensão: Roscoe defendeu a mineração legal como vital para a economia mineira, enquanto Gabriel propôs criar um Parque Metropolitano na Serra do Curral para proibir a atividade no local e sugeriu um fundo soberano para aplicar recursos da mineração em educação e infraestrutura.

Temas mais específicos do dia a dia dos mineiros também ocuparam o debate. Cleitinho Azevedo propôs reduzir o IPVA e prometeu impedir por decreto a apreensão de veículos por débitos do imposto, criticando a política tributária do governo. Simões alertou que qualquer redução precisaria ser acompanhada de compensações financeiras para não prejudicar as prefeituras. A infraestrutura das rodovias estaduais foi questionada por Roscoe, que apontou a má conservação como fator que encarece o custo de vida. Simões respondeu que o estado realizou o maior volume de investimentos em recuperação asfáltica das últimas três décadas, mas que precisaria de R$ 4 bilhões anuais em vez dos R$ 2 bilhões atualmente investidos. Educação, saúde, segurança pública e o combate às facções criminosas também ocuparam espaço, com Cleitinho defendendo a valorização dos professores como prioridade e Roscoe destacando a importância da tecnologia na educação.

O confronto entre Kalil e Gabriel Azevedo sobre motoristas de aplicativos revelou diferenças de estilo: Gabriel criticou a falta de atenção ao tema no plano de Kalil, enquanto Kalil ironizou a forma "professoral" do adversário conduzir o debate. Na questão de corrupção, Kalil atacou Simões por ignorar investigações envolvendo a gestão estadual, enquanto Simões rebateu mencionando ações judiciais relacionadas ao uso de recursos públicos durante a gestão de Kalil em Belo Horizonte. Kalil negou ter respondido por corrupção e contestou denúncias sobre uso de aeronaves particulares e nepotismo. Simões respondeu destacando indicadores de transparência do governo estadual.

Nas considerações finais, cada candidato teve um minuto para sua mensagem. Simões destacou sua trajetória pessoal e afirmou que o governo resgatou o estado da falência em 2019, atingindo o menor índice de desemprego do país. Gabriel Azevedo pediu votos aos candidatos de sua coligação, defendendo suas propostas para zerar filas de cirurgias. Roscoe se posicionou como candidato da direita e criticou "o desastre da gestão do PT" no estado. Cleitinho reafirmou sua origem como verdureiro e prometeu fazer a campanha mais barata do Brasil, abrindo mão de fundo eleitoral. Kalil encerrou falando sobre sua experiência como prefeito que "cuidou de gente" e anunciou que faria uma cirurgia no dia seguinte, destacando que estaria acompanhado da esposa, da ciência e de Deus. O debate deixou claro que as próximas semanas de campanha serão marcadas por confrontos sobre como o estado deve equilibrar investimentos em infraestrutura, segurança e saúde enquanto lida com uma dívida que nenhum candidato acredita poder ser quitada em um mandato.

Nenhum governador conseguirá quitar o passivo em apenas um mandato
— Cleitinho Azevedo, sobre a dívida estadual
O estado realizou o maior volume de investimentos em recuperação asfáltica das últimas três décadas
— Mateus Simões, sobre infraestrutura de rodovias
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