Lula assinou medida provisória proibindo apostas online na sexta-feira, a uma semana do primeiro turno, gerando reações variadas entre candidatos estaduais. Candidatos como Eduardo Paes (RJ), Raquel Lyra (PE) e Ciro Gomes (CE) criticam impactos das bets nas famílias, enquanto alguns questionam o timing político da decisão presidencial.
Candidatos ao governo aproveitam onda antibets uma semana antes do primeiro turno
Essas bets estão produzindo suicídio em massa
Por que candidatos em estados diferentes estão reagindo de formas tão distintas à mesma medida do Lula?
Porque a proibição das bets toca em realidades locais muito diferentes. No Rio, é sobre a Loterj e corrupção. Em Pernambuco, é sobre futebol. Cada um vê uma oportunidade de ganho político no seu contexto.
Mas há uma inconsistência clara em alguns casos — João Campos reduz impostos para bets em 2025 e agora segura cartaz contra elas. Como os eleitores processam isso?
E quanto ao timing? Lula assinou isso uma semana antes do voto. Isso é oportunismo político ou resposta legítima a um problema?
Provavelmente os dois. O problema das bets é real — há documentação de suicídios, endividamento familiar, jovens abandonando educação. Mas a medida provisória, como Luciano Zucco apontou, pode caducar em quatro meses. Então sim, há um elemento eleitoral.
E aqui está o ponto: ninguém questiona se a proibição vai funcionar ou como será implementada. Todos apenas usam o tema. Nenhum candidato oferece um plano concreto além de dizer que é contra.
Qual é o risco real para as famílias que os candidatos mencionam?
Segundo o que eles descrevem, é bastante severo: salários desaparecendo, dívidas crescentes, suicídios, jovens abandonando faculdade, destruição familiar. Ciro Gomes chamou de tragédia nacional.
Mas essas são descrições de candidatos, não dados consolidados. Sabemos quantas pessoas estão endividadas? Quantos suicídios foram documentados? A reportagem não oferece números.
Então a medida de Lula resolve o problema?
Teoricamente, sim, se for mantida. Mas há dúvida sobre isso. Uma medida provisória é temporária. E alguns candidatos, como Zucco, argumentam que o governo federal foi responsável por legalizar essas plataformas em primeiro lugar.
Exatamente. Há uma narrativa contraditória aqui que ninguém está nomeando claramente: Lula liberou, depois proibiu, agora candidatos o elogiam. Mas a solução real — legislação permanente — ainda não existe.
O Pulso
- Lula assinou medida provisória proibindo apostas online na sexta-feira, 25 de setembro, uma semana antes do primeiro turno
- Eduardo Paes (RJ) prometeu extinguir a Loterj, acusando Cláudio Castro de transformá-la em balcão de credenciamento de bets
- João Campos (PE) havia reduzido impostos para casas de apostas em maio de 2025, agora declara-se contra as bets
- Candidatos em sete estados (RJ, PE, CE, BA, MG, PR, RS) reagiram ao tema, com posições variando entre apoio e crítica ao timing político
Lula assinou medida provisória proibindo apostas online na sexta-feira, a uma semana do primeiro turno, gerando reações variadas entre candidatos estaduais. Candidatos como Eduardo Paes (RJ), Raquel Lyra (PE) e Ciro Gomes (CE) criticam impactos das bets nas famílias, enquanto alguns questionam o timing político da decisão presidencial.
Candidatos ao governo estadual aproveitam a proibição de apostas online assinada por Lula para ganhar votos, oscilando entre apoio à medida e críticas ao timing político a uma semana do primeiro turno.
Na sexta-feira anterior ao primeiro turno das eleições estaduais, o presidente Lula assinou uma medida provisória tornando ilegais as apostas online no Brasil. A decisão, tomada a apenas sete dias do pleito, abriu espaço para que candidatos ao governo estadual em todo o país aproveitassem o tema para ganhar votos — alguns abraçando a proibição, outros questionando o timing político da iniciativa.
No Rio de Janeiro, Eduardo Paes anunciou planos de extinguir a Loterj, a loteria estadual, usando a oportunidade para atacar seu rival Cláudio Castro. Segundo Paes, a gestão anterior transformou a companhia pública em um balcão de credenciamento para plataformas de apostas esportivas, permitindo que operadoras fugissem da regulamentação federal. Paes afirmou ainda que a Loterj foi instrumento de enriquecimento do grupo político representado por Douglas Ruas, presidente da Assembleia Legislativa e candidato pelo PL ao governo estadual, que não havia se pronunciado sobre o assunto até então.
Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra reuniu-se com a Federação Pernambucana de Futebol e representantes de clubes, anunciando a criação de um grupo de trabalho e uma linha de apoio financeiro aos times. Ela declarou que o futebol pernambucano é maior que as apostas e que seu governo ajudaria os clubes. Raquel também elogiou publicamente a ação de Lula, embora raramente o mencionasse em suas redes sociais. Seu adversário, João Campos, enfrentava uma contradição: quando era prefeito do Recife em maio de 2025, havia reduzido de 5% para 2% a alíquota do ISS para casas de apostas online. Agora, declarava-se contrário às bets e comparecia a atos com Lula segurando cartazes pedindo o fim das apostas, justificando sua decisão anterior como adequação obrigatória à legislação.
No Ceará, Ciro Gomes apoiava a proibição mas criticava a condução do tema pelo governo federal, defendendo regras de transição. Ele havia publicado nas redes sociais comentários contundentes sobre o assunto: descreveu as bets como produtoras de suicídios em massa e as caracterizou como uma tragédia que revelava o apodrecimento da República. Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues celebrou a decisão presidencial, descrevendo os malefícios das apostas às famílias — salários que desaparecem antes do fim do mês, dívidas crescentes, jovens que trocam sonhos por apostas. Rodrigues havia encaminhado um projeto para criar a Loteba, uma loteria estadual, no primeiro semestre, mas depois retirou a proposta.
Em Minas Gerais, Cleitinho Azevedo não havia destacado o tema na campanha, mas possuía histórico de críticas às apostas virtuais. Em sabatina, havia chamado as bets de porcaria. Ele era o senador que, durante a CPI das Bets em 2025, pediu uma selfie com a influenciadora Virginia Fonseca e solicitou que ela parasse de divulgar esses jogos — episódio do qual depois se disse arrependido. Em maio do ano anterior, havia apresentado um projeto de lei criminalizando o funcionamento e a publicidade de sistemas de apostas virtuais ilegais, mas a tramitação não avançou. Seu adversário, Patrus Ananias, comemorou a medida presidencial como um novo começo para milhares de famílias brasileiras. O governador Mateus Simões havia assinado em agosto um decreto proibindo a publicidade das bets em equipamentos do governo e estádios concedidos à iniciativa privada.
No Paraná, apenas Requião Filho inseriu o tema na campanha, descrevendo em vídeo famílias perdendo salários mensais em apostas, pais apostando dinheiro do mercado, jovens se afundando em dívidas e mães desesperadas. Seus adversários, Sergio Moro e Sandro Alex, não levaram o assunto para suas campanhas, mas quando questionados em sabatina se eram a favor ou contra as bets, ambos responderam que eram contra.
No Rio Grande do Sul, o deputado federal Luciano Zucco classificou a medida provisória como um claro ato de desespero eleitoral, argumentando que poderia gerar insegurança jurídica sem oferecer solução definitiva. Ele apontou que foi o governo Lula que legalizou cassinos online e o Tigrinho, gerando o endividamento familiar que agora tentava combater com uma medida que poderia caducar em quatro meses. Juliana Brizola publicou vídeo apoiando a proibição, mencionando estudantes que desistiram da faculdade por dívidas em apostas e famílias de baixa renda endividadas. Marcelo Maranata também inseriu o tema na campanha, destacando mulheres sustentando casas enquanto homens gastavam recursos familiares em apostas.
Citações Notáveis
O governo Cláudio Castro transformou o Rio de Janeiro no paraíso das bets no Brasil. Ele transformou a Loterj num balcão de credenciamento de apostas.— Eduardo Paes, candidato ao governo do Rio de Janeiro
Foi o governo Lula que tirou da ilegalidade o cassino online e o Tigrinho. O resultado está aí: famílias endividadas. Arrecadou bilhões com a liberação e agora, perto da eleição, edita uma medida provisória que pode caducar em quatro meses.— Luciano Zucco, deputado federal e candidato no Rio Grande do Sul