Em Ribeirão Preto, as eleições de 2026 revelam uma contradição silenciosa: as mulheres formam a maioria do eleitorado, mas representam menos de um quinto das candidaturas federais da região. A queda em relação a 2022 não é um acidente estatístico — é o reflexo de uma desconfiança histórica sobre a capacidade feminina de exercer poder. As cotas de gênero, vigentes desde 1997, garantiram presença nas listas partidárias, mas transformaram o piso legal em teto prático, sem abrir caminho para a representação real nos cargos.
Candidatas caem em Ribeirão Preto; mulheres são 53% do eleitorado de SP
A lei garante que elas se candidatem, mas não que sejam eleitas
Por que o número de candidatas caiu se a lei exige 30% de cotas desde 1997?
A cota garante que as mulheres se candidatem, mas não que sejam eleitas. Os partidos cumprem o mínimo legal e param ali. É como se a lei criasse um piso que virou teto.
Mas espera — a queda foi de 7% em federais e 3% em estaduais. Isso é uma redução real ou flutuação normal entre eleições?
É uma redução real comparada a 2022. Não sabemos se é tendência ou anomalia, mas os números de Ribeirão Preto mostram retração.
E as mulheres votam mais que os homens em São Paulo?
Sim, 53% do eleitorado é feminino. Então as mulheres elegem a maioria dos políticos, mas ocupam uma minoria dos cargos.
Isso é um paradoxo interessante, mas precisamos ser claros: a fonte não diz se mulheres votam em mulheres ou em homens. Sofia sente falta de representatividade, mas não temos dados sobre padrões de voto.
Verdade. Sabemos que as mulheres são maioria do eleitorado e que Sofia gostaria de ver mais mulheres no poder. Mas o comportamento de voto específico não está documentado aqui.
Então a solução seria mudar a lei de cotas para cargos, não apenas candidaturas?
Segundo Flávia Pérez, sim. Cotas para os cargos eletivos de fato, não só para quem se candidata.
Mas isso seria constitucional? Outros países fazem isso? A reportagem não explora as implicações práticas dessa mudança.
Não, a reportagem não vai tão fundo. Fica no diagnóstico do problema e na sugestão de solução, sem explorar viabilidade.
O Pulso
- O número de mulheres candidatas a deputada federal em Ribeirão Preto caiu sete pontos percentuais desde 2022, chegando a apenas 20% do total de candidaturas.
- Especialistas alertam que a desconfiança estrutural sobre a capacidade política feminina persiste mesmo sob proteção legal, impedindo o avanço além do mínimo exigido.
- Os partidos cumprem a cota de 30% e param ali — o que era para ser um piso tornou-se um teto, esvaziando o potencial transformador da legislação.
- Eleitoras como Sofia de Paiva sentem na prática a ausência de mulheres nas urnas: votam há anos, mas raramente encontram candidatas que as representem de fato.
- O debate avança para além das candidaturas: especialistas defendem cotas para os cargos eletivos em si, não apenas para as listas, como único caminho para romper o desequilíbrio.
Em Ribeirão Preto, as eleições de 2026 revelam uma contradição silenciosa: as mulheres formam a maioria do eleitorado, mas representam menos de um quinto das candidaturas federais da região. A queda em relação a 2022 não é um acidente estatístico — é o reflexo de uma desconfiança histórica sobre a capacidade feminina de exercer poder. As cotas de gênero, vigentes desde 1997, garantiram presença nas listas partidárias, mas transformaram o piso legal em teto prático, sem abrir caminho para a representação real nos cargos.
Na região de Ribeirão Preto, as eleições de 2026 registram um recuo no número de mulheres disputando cargos eletivos. Dos 46 candidatos à Câmara Federal, apenas nove são mulheres — pouco mais de 20%. Na Assembleia Estadual, a proporção chega a 36%, mas ainda assim representa uma queda de três pontos em relação a 2022. No total, as candidaturas femininas federais encolheram sete pontos percentuais desde o último pleito.
Para Flávia Pérez, presidente da Comissão das Mulheres Advogadas da OAB, a retração tem raízes históricas: a capacidade das mulheres para ocupar posições de poder ainda é questionada de forma estrutural, mesmo quando a lei as protege. O Brasil adota cotas de gênero desde 1995, com o piso elevado para 30% em 1997. Os partidos são obrigados a reservar ao menos essa fatia das candidaturas proporcionais para cada gênero — mas Pérez aponta o paradoxo: a lei garante candidaturas, não eleições. O mínimo legal virou o máximo praticado. A saída, segundo ela, passa por cotas para os cargos eletivos em si, não apenas para as listas.
A contradição se aprofunda quando se olha para o eleitorado: as mulheres são 53% dos votantes em São Paulo, elegendo a maioria dos deputados e prefeitos — mas ocupando uma minoria dos assentos. Sofia de Paiva, psicóloga que vota desde os 16 anos, sente esse desequilíbrio ao escolher seus candidatos. Ela reconhece que homens podem defender pautas femininas, mas acredita que ter mulheres no poder representa uma diferença real — não apenas de voz, mas de autoridade. Enquanto a legislação permanecer como está, essa assimetria tende a se repetir a cada ciclo eleitoral.
Na região de Ribeirão Preto, o número de mulheres disputando cargos eletivos encolheu entre 2022 e 2026. Dos 46 candidatos à Câmara Federal, apenas nove são mulheres — pouco mais de um quinto do total. Na disputa por vagas na Assembleia Estadual, a proporção é ligeiramente melhor: 32 mulheres entre 88 candidatos, o que chega a 36%. Mas comparado ao pleito anterior, a queda é clara: sete pontos percentuais a menos nas candidaturas federais, três pontos a menos nas estaduais.
Para Flávia Pérez, presidente da Comissão das Mulheres Advogadas da Ordem dos Advogados do Brasil, essa retração não é acidental. Ela aponta uma raiz histórica: mulheres ainda são percebidas como inadequadas para exercer poder político. A capacidade delas para ocupar cargos de responsabilidade permanece questionada, mesmo quando a lei as protege. Essa desconfiança estrutural, segundo ela, explica por que as candidaturas femininas não crescem.
O Brasil tem cotas de gênero desde 1995, quando a legislação estabeleceu um piso mínimo de 20% para candidatas. Em 1997, esse percentual subiu para 30%, onde permanece. Os partidos são obrigados a reservar pelo menos 30% das candidaturas em eleições proporcionais para cada gênero. Mas Pérez identifica um paradoxo crucial: a lei garante que as mulheres se candidatem, não que sejam eleitas. O que começou como piso virou teto. Os partidos cumprem a cota mínima e param ali. Para mudar esse cenário, ela sugere ir além: cotas não apenas para candidaturas, mas para os cargos eletivos de fato.
Mesmo com essa sub-representação nas candidaturas, as mulheres formam a maioria do eleitorado em São Paulo. Elas são 53% dos votantes, enquanto homens representam 47%. Sofia de Paiva, psicóloga que vota desde os 16 anos, sente essa desproporção na prática. Desde sua primeira experiência nas urnas, ela percebeu que seu voto importava, que podia contribuir para a democracia. Mas hoje ela sente falta de mulheres na política — uma ausência que a incomoda quando escolhe em quem votar.
Sofia reconhece que candidatos homens podem defender pautas femininas, como violência contra mulheres. Ainda assim, ela acredita que ter mulheres no poder faria diferença real na representatividade. Não é apenas sobre ter vozes femininas; é sobre ter poder feminino. A contradição é evidente: as mulheres elegem a maioria dos deputados e prefeitos em São Paulo, mas ocupam uma minoria dos cargos. Enquanto a legislação de cotas permanece como está, esse desequilíbrio tende a persistir.
Citações Notáveis
As mulheres são vistas ainda como se não fossem suficientemente capazes para exercer cargos e ocupar espaços de poder— Flávia Pérez, presidente da Comissão das Mulheres Advogadas da OAB
Sinto falta de mulheres na política. Acredito que se tivéssemos uma mulher, seria muito importante para a representatividade feminina— Sofia de Paiva, psicóloga