Câncer de suprarrenal: tumor raro que matou jovem 10 horas antes da mãe

Cibele Marchis, 28 anos, morreu de câncer de suprarrenal metastático; sua mãe Maria Elisabete, 56 anos, faleceu 10 horas depois de câncer no pâncreas, ambas em Mogi Guaçu, SP.
Nenhuma das duas queria ver a outra morrer. E assim aconteceu.
Mãe e filha faleceram com 10 horas de diferença, sem saber uma da morte da outra.
Mark

Por que esse tipo de câncer é tão raro? É algo genético?

Mimi

Não necessariamente. Vinícius explica que alguns casos estão relacionados a alterações genéticas, como no gene TP53, que podem fazer o tumor aparecer mais cedo, até entre o fim da infância e o começo da adolescência. Mas sem essa alteração, a doença também pode surgir em diferentes idades, inclusive em adultos jovens como Cibele.

Luke

Então não sabemos por que Cibele desenvolveu esse tumor específico? A reportagem não diz se ela tinha essas alterações genéticas?

Mimi

Correto. A reportagem não fornece esses detalhes sobre o caso dela. Sabemos que começou em dezembro de 2023, mas não há informação sobre a causa específica.

Mark

E quando o câncer se espalha, como foi com ela, ainda há esperança de tratamento?

Mimi

Há tratamentos que podem ajudar a controlar a doença. O objetivo muda — deixa de ser eliminar completamente o câncer e passa a ser aumentar a expectativa de vida e manter qualidade de vida pelo maior tempo possível. O mitotano é o principal medicamento usado.

Luke

Mas a reportagem não diz quanto tempo Cibele viveu com as metástases, ou qual era a expectativa de vida dela com o tratamento. Sabemos que ela durou quase dois anos desde o diagnóstico inicial, mas não temos números sobre a progressão.

Mark

E a mãe dela? Como um câncer no pâncreas progrediu tão rapidamente?

Mimi

O câncer de pâncreas é notoriamente agressivo. A reportagem diz que o quadro dela se deteriorou rapidamente, diferentemente de Cibele, e que as dores eram tão fortes que precisava de morfina.

Luke

Mas não há detalhes sobre quando ela foi diagnosticada ou quanto tempo durou. Sabemos que estava internada desde a quinta-feira anterior e morreu na madrugada de sexta, mas não sabemos há quanto tempo tinha a doença.

Mark

O que torna essa história tão marcante é o timing — morreram com apenas 10 horas de diferença.

Mimi

Exatamente. E segundo o sobrinho, nenhuma das duas queria ver a outra morrer. Elas até comentavam sobre isso, às vezes brincando, outras vezes com seriedade. E nenhuma ficou sabendo da morte da outra.

Luke

Isso é poderoso, mas é importante notar que estamos ouvindo isso através do relato do sobrinho. Não temos as palavras delas diretamente, apenas o que ele recorda que elas diziam.

  • Cibele, 28 anos, e sua mãe Maria Elisabete, 56, morreram com apenas dez horas de diferença, em hospitais distintos da mesma cidade, sem que nenhuma soubesse da partida da outra.
  • O tumor de Cibele nasceu na glândula suprarrenal — um dos cânceres primários mais raros do mundo — e já havia se espalhado para outros órgãos quando o tratamento avançou.
  • Durante quase dois anos, ela atravessou cirurgias, quimioterapia, infecções graves, traqueostomia e colostomia, mas manteve trabalho, viagens e vida social até perto do fim.
  • Com a metástase confirmada, a cura saiu do horizonte: o objetivo passou a ser ganhar tempo e preservar qualidade de vida com mitotano, imunoterapia e terapia-alvo.
  • Mãe e filha foram veladas juntas e sepultadas no mesmo cemitério, deixando a família diante de uma coincidência que, nas palavras de um familiar, 'foi realmente uma coisa espantosa'.

Em Mogi Guaçu, no interior de São Paulo, uma jovem empresária de 28 anos e sua mãe de 56 morreram com horas de diferença, cada uma de um câncer distinto, sem que nenhuma soubesse do fim da outra. O caso de Cibele Marchis ilumina a raridade brutal do carcinoma adrenocortical — um a dois casos por milhão de habitantes ao ano — e lembra que a medicina, diante de certas doenças, ainda navega entre o prolongar e o curar. Há, nessa história, uma simetria que escapa à lógica e pertence ao território do inexplicável humano.

Cibele Marchis tinha 28 anos quando morreu numa tarde de quinta-feira em setembro, em Mogi Guaçu, no interior de São Paulo. Dez horas depois, já na madrugada, sua mãe Maria Elisabete, de 56 anos, faleceu em outro hospital da mesma cidade. Ambas morreram de câncer. Nenhuma soube da morte da outra — e a família havia comentado, às vezes em tom de brincadeira, que nenhuma das duas queria ver a outra partir. E assim aconteceu.

O câncer de Cibele começou na glândula suprarrenal, pequeno órgão acima dos rins responsável pela produção de hormônios vitais. Trata-se de um tumor primário extraordinariamente raro: apenas um a dois casos por ano a cada um milhão de habitantes, segundo o oncologista Vinícius Corrêa da Conceição, do Vera Cruz Hospital. A maioria dos tumores encontrados nessa glândula são, na verdade, metástases de cânceres originados em outros órgãos. O de Cibele seguiu o caminho inverso — nasceu ali e depois se espalhou.

Os primeiros sintomas surgiram em dezembro de 2023. Ao longo dos meses seguintes, ela passou por cirurgias, quimioterapia e medicamentos. Em dezembro de 2025, infecções graves levaram a família ao hospital, mas ela recebeu alta e ainda conseguiu viajar para a praia — mesmo convivendo com traqueostomia e bolsa de colostomia, mantendo rotina de trabalho e encontros com amigos.

Quando o câncer já se espalhou, não há cura possível. O tratamento muda de objetivo: aumentar a expectativa de vida e preservar sua qualidade pelo maior tempo possível. O mitotano é o principal medicamento específico para tumores de suprarrenal; imunoterapia e terapia-alvo também podem ser usadas, com benefício mais limitado nesse tipo de tumor.

Enquanto Cibele lutava, sua mãe foi surpreendida por um câncer agressivo no pâncreas. O quadro de Maria Elisabete se deteriorou rapidamente — as dores exigiam morfina, e ela estava internada havia dias quando a filha morreu. A família velava o corpo de Cibele quando, às quase 2h da madrugada, chegou a notícia de que a mãe também havia partido. Mãe e filha foram veladas juntas e sepultadas no Cemitério Municipal Santo Antônio. 'O que aconteceu foi realmente uma coisa espantosa', disse Rowilson Leandro da Costa, sobrinho de Maria e primo de Cibele.

Cibele Marchis tinha 28 anos quando morreu, por volta das 16 horas de uma quinta-feira em setembro, em Mogi Guaçu, no interior de São Paulo. Dez horas depois, já na madrugada de sexta-feira, sua mãe Maria Elisabete, de 56 anos, faleceu em outro hospital da mesma cidade. Ambas morreram de câncer. Nenhuma delas soube da morte da outra. A família havia comentado, às vezes em tom de brincadeira, outras vezes com seriedade, que nenhuma das duas queria ver a outra morrer. E assim aconteceu.

O câncer que matou Cibele começou na glândula suprarrenal, um órgão pequeno localizado acima de cada rim, responsável pela produção de hormônios essenciais ao funcionamento do corpo. Esse tipo de tumor é extraordinariamente raro. Segundo o oncologista Vinícius Corrêa da Conceição, do Vera Cruz Hospital, registram-se apenas um a dois casos por ano a cada um milhão de habitantes. A maioria dos tumores encontrados nessa glândula são, na verdade, metástases — disseminações de cânceres que começaram em outro lugar, como mama, pulmão ou melanoma. O caso de Cibele foi diferente: um tumor primário, originado na própria suprarrenal, que depois se espalhou para outras partes do corpo.

Cibele percebeu os primeiros sintomas em dezembro de 2023. Passou pela primeira cirurgia em agosto de 2024 e enfrentou outras operações, quimioterapia e medicamentos ao longo dos meses seguintes. Em dezembro de 2025, desenvolveu infecções relacionadas às cirurgias, e a família foi chamada ao hospital diante da gravidade. Mas ela recebeu alta e conseguiu viajar para a praia, mesmo convivendo com as consequências do tratamento — uma traqueostomia e uma bolsa de colostomia. Mantinha a rotina de trabalho, viagens e encontros com amigos durante a batalha contra a doença.

O espalhamento do câncer para outras partes do corpo — chamado metástase — alterou completamente o objetivo do tratamento. Quando o tumor está restrito à glândula, a cirurgia pode curar o paciente, e uma boa parte desses casos resulta em recuperação completa e retorno à vida normal. Mas quando já existem metástases, não há cura. O tratamento passa a visar dois objetivos: aumentar a expectativa de vida e manter a qualidade de vida pelo maior tempo possível. O médico citou o mitotano como o principal medicamento usado especificamente contra tumores de suprarrenal, embora imunoterapia e terapia-alvo também possam ser utilizadas, com benefício menor nesse tipo de tumor.

Os sintomas de câncer de suprarrenal variam bastante. Entre 50% e 60% dos tumores dessa glândula produzem hormônios, e quando isso ocorre, o excesso dessas substâncias no organismo pode causar retenção de líquido, inchaço, alterações na pressão arterial e mudanças nos níveis de testosterona. Mas esses sinais não significam necessariamente câncer — pressão alta e alterações hormonais têm muitas outras causas. O diagnóstico geralmente começa quando um paciente apresenta sintomas relacionados aos hormônios ou quando um exame de imagem detecta uma alteração na região da suprarrenal. Os médicos podem solicitar exames de sangue, testes de urina para medir hormônios, ultrassom, tomografia e exames para verificar se o câncer se espalhou. A biópsia — retirada de um pequeno pedaço do tumor para análise — nem sempre é feita diretamente na suprarrenal, pois pode trazer complicações e às vezes não consegue determinar com segurança se a alteração é benigna ou maligna.

Enquanto Cibele enfrentava sua doença, sua mãe Maria Elisabete foi surpreendida por um câncer agressivo no pâncreas. Diferentemente da filha, o quadro dela se deteriorou rapidamente. As dores eram tão fortes que necessitava de morfina. Estava internada desde a quinta-feira anterior e havia sido visitada por Cibele. Quando Cibele morreu, a família estava velando seu corpo. Às 1h58 da madrugada de sexta-feira, receberam a notícia de que Maria Elisabete também havia falecido. Mãe e filha foram veladas juntas pela manhã e sepultadas no Cemitério Municipal Santo Antônio. Segundo Rowilson Leandro da Costa, sobrinho de Maria e primo de Cibele, o que aconteceu foi realmente uma coisa espantosa — nenhuma das duas ficou sabendo da morte da outra.

Quando você tem metástase, que aí não tem cura, o tratamento tem dois objetivos: é aumentar a expectativa de vida desse paciente e dar qualidade de vida.
— Vinícius Corrêa da Conceição, oncologista
Nenhuma das duas queria ver a outra morrer. Elas chegaram a comentar, às vezes de brincadeira, outras em tom sério, e isso aconteceu. Uma não ficou sabendo da morte da outra. É realmente uma coisa espantosa.
— Rowilson Leandro da Costa, sobrinho de Maria e primo de Cibele
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