No cruzamento entre dois sistemas vitais — o que combate o câncer e o que sustenta o coração —, a medicina encontra uma de suas tensões mais delicadas. Em Petrópolis, a cardio-oncologista Michele Palmeira lembra que curar o tumor não encerra a responsabilidade clínica: os mesmos medicamentos que salvam vidas podem, silenciosamente, comprometer a função cardíaca meses ou anos depois. A cardio-oncologia surge como resposta a essa contradição, propondo que vigilância e cura caminhem juntas, desde o primeiro dia de tratamento.