Duas das vítimas eram vacinadas, mas tinham doenças graves
Em Campinas, vinte vidas foram levadas pela gripe em 2026 — todas de idosos que carregavam o peso de doenças preexistentes. A cidade confirma que a proteção coletiva ainda é uma promessa incompleta: mais da metade dos idosos permanece sem vacina, e a síndrome respiratória grave segue cobrando seu preço silencioso. Diante desse cenário, as autoridades renovam o chamado à imunização gratuita, lembrando que a barreira contra o vírus se constrói um a um.
- Três novas mortes confirmadas em julho elevam para 20 o total de óbitos por gripe em Campinas apenas em 2026 — um ritmo que já supera proporcionalmente o ano anterior.
- Das três vítimas mais recentes, duas haviam sido vacinadas, revelando que a vacina reduz riscos mas não elimina a vulnerabilidade de quem já carrega comorbidades graves.
- A cobertura vacinal entre idosos — o grupo mais atingido — permanece em apenas 55,78%, enquanto crianças registram o índice mais baixo de todos: 46,17%.
- A Secretaria de Saúde intensifica o apelo à população: 69 centros de saúde oferecem a vacina gratuitamente, sem agendamento, para qualquer pessoa a partir de seis meses de idade.
Campinas confirmou na última terça-feira três novas mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave causada pela gripe, chegando a 20 óbitos em 2026. As vítimas eram idosas com doenças preexistentes: um homem de 69 anos e outro de 82 — ambos vacinados — faleceram em junho, assim como uma mulher de 85 anos que não havia se imunizado.
O quadro geral é preocupante. Campinas acumula 247 casos confirmados de SRAG por gripe neste ano. Em todo o ano de 2025, foram 561 casos e 69 mortes — 54 delas entre pessoas não vacinadas, um dado que ressalta o peso da imunização na proteção dos mais vulneráveis.
A cobertura vacinal, porém, segue aquém do necessário. Apenas 55,78% dos idosos receberam a dose desde o início da campanha. Entre gestantes, o índice é de 68,94%; entre crianças de seis meses a menores de seis anos, chega a apenas 46,17% — a menor adesão entre todos os grupos prioritários.
A vacina deste ano protege contra as variantes H1N1, H3N2 e gripe B, pode ser aplicada junto com outras vacinas do calendário nacional e está disponível gratuitamente nos 69 centros de saúde da cidade, sem necessidade de agendamento. Diante dos óbitos e da cobertura ainda insuficiente, as autoridades reforçam que imunizar-se é também um ato de proteção coletiva — uma barreira que só se forma quando construída por todos.
Campinas registrou três novas mortes por gripe na terça-feira, 14 de julho, elevando para 20 o número de óbitos causados por Síndrome Respiratória Aguda Grave neste ano. As três vítimas eram idosas com doenças preexistentes. Duas delas — um homem de 69 anos e outro de 82 — haviam recebido a vacina contra o vírus. A terceira, uma mulher de 85 anos, não estava imunizada. O primeiro faleceu em 7 de junho, o segundo em 12 de junho, e a mulher em 28 de junho.
Os números revelam um cenário preocupante na cidade. Até agora em 2026, Campinas contabiliza 247 casos confirmados de SRAG causada pela gripe e 20 mortes. Para efeito de comparação, durante todo o ano de 2025, a cidade registrou 561 pessoas com a síndrome, com 69 óbitos — dos quais 54 eram pessoas que não haviam se vacinado.
A cobertura vacinal em Campinas permanece baixa, especialmente entre os idosos. Desde o início da campanha de imunização, 124.775 pessoas com 60 anos ou mais receberam a dose, o que representa apenas 55,78% do público-alvo dessa faixa etária. Entre as gestantes, a adesão é melhor: 68,94% foram vacinadas, totalizando 5.928 mulheres. Crianças de 6 meses a menores de 6 anos apresentam a menor cobertura, com apenas 46,17%, equivalente a 31.548 doses aplicadas.
A Secretaria de Saúde reforça a importância de ampliar a vacinação. O imunizante está disponível gratuitamente em 69 centros de saúde da cidade para qualquer pessoa a partir de 6 meses de idade. Não é necessário agendamento — basta comparecer com documento de identidade com foto e, se possuir, a caderneta de vacinação. A vacina deste ano protege contra os vírus da gripe A (nas variantes H1N1 e H3N2) e gripe B.
Um aspecto importante é que a vacina pode ser administrada simultaneamente com outras vacinas do Calendário Nacional de Imunizações. Além de proteger o indivíduo vacinado, a imunização reduz a circulação do vírus na comunidade, criando uma barreira coletiva contra a disseminação da doença. Diante dos óbitos confirmados e da cobertura ainda insuficiente, as autoridades de saúde buscam aumentar a conscientização sobre a necessidade de vacinação, particularmente entre idosos e grupos de risco.
Notable Quotes
A Secretaria de Saúde reforça a importância da vacinação contra a doença— Secretaria de Saúde de Campinas
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Por que a cobertura vacinal entre idosos é tão baixa em Campinas, especialmente considerando que essa é a população mais vulnerável?
Há várias razões. Às vezes é falta de informação sobre a disponibilidade, outras vezes é desconfiança na vacina ou a sensação de que "não é necessário". Mas os números falam: em 2025, 54 das 69 mortes foram de pessoas não vacinadas. Isso deveria ser um alerta.
Dois dos três que morreram agora eram vacinados. Isso não enfraquece o argumento pela vacinação?
Na verdade, não. Essas duas pessoas tinham 69 e 82 anos, com doenças preexistentes graves. A vacina reduz risco, não elimina. Mas a mulher de 85 anos que morreu não estava vacinada. Se tivesse sido, talvez estivesse viva.
Qual é o obstáculo real para as pessoas se vacinarem? Falta de acesso?
Não parece ser acesso. Tem 69 centros de saúde, não precisa agendar, é gratuito. O obstáculo é mais comportamental — inércia, desconfiança, ou simplesmente não dar prioridade. As gestantes conseguem 68% de cobertura, então quando há motivação, as pessoas vão.
E as crianças? 46% é muito baixo.
Sim, é preocupante. Crianças pequenas são vulneráveis. Talvez os pais achem que a gripe é "só um resfriado", ou não entendam que SRAG pode ser fatal. Precisam de mais educação sobre o risco real.
O que você espera que aconteça agora?
Esperamos que esses três óbitos confirmados sirvam como um chamado de atenção. A Secretaria de Saúde vai intensificar campanhas. Mas a mudança real depende das pessoas entenderem que a vacinação não é opcional — é proteção.