Desde o início de agosto, o Brasil convoca famílias a um gesto antigo e essencial: levar crianças e adolescentes aos postos de saúde para atualizar cadernetas de vacinação. A Campanha Nacional de Multivacinação, que se estende até setembro, carrega um apelo especial contra a poliomielite — doença erradicada no país há três décadas, mas que ressurge em outras partes do mundo como lembrança de que nenhuma conquista em saúde pública é permanente sem vigilância. Atrás dos números de cobertura vacinal ainda insuficientes, há histórias concretas de vidas alteradas pela ausência de uma única dose.
Campanha Nacional de Multivacinação busca atualizar cadernetas até setembro
O único que teve a pólio fui eu. Porque não tomei vacina.
Por que a pólio voltou a ser uma preocupação agora, se o Brasil estava livre da doença desde 1994?
Porque o vírus não desapareceu do mundo. Há surtos acontecendo em outros países, e sem vacinação contínua, a doença pode voltar. É por isso que o reforço agora é tão importante — não é nostalgia, é defesa.
O calendário mudou. Antes havia um reforço, agora há dois. Isso significa que as crianças estão menos protegidas agora?
Não. Significa que a ciência descobriu que duas doses de reforço oferecem proteção mais duradoura. É um ajuste para melhorar, não uma admissão de fracasso anterior.
Fernando contraiu pólio mesmo vivendo em um país onde a doença já havia sido eliminada. Como isso foi possível?
Porque a eliminação não é a mesma coisa que erradicação global. O vírus ainda existia em outros lugares. Fernando não foi vacinado por acaso — febre no dia marcado — e isso foi o suficiente. Mostra como a proteção depende de cada pessoa estar coberta.
Os números mostram 85% com três doses e 78% com o primeiro reforço. Isso é bom ou ruim?
É insuficiente. O objetivo é 95%. Quando você está falando de uma doença que pode paralisar, cada ponto percentual representa crianças vulneráveis. A campanha existe porque esses 15 a 20 pontos percentuais faltantes importam muito.
O que torna o apelo de Fernando tão poderoso?
Ele não está falando de teoria. Ele vive com as consequências todos os dias. Quando alguém que contraiu a doença diz que a vacina é segura, não é um argumento — é um testemunho.
O Pulso
- O Brasil erradicou a pólio em 1994, mas surtos globais reacendem o alerta e tornam urgente recuperar coberturas vacinais que caíram abaixo do mínimo seguro.
- Apenas 78% das crianças receberam o primeiro reforço contra poliomielite — muito abaixo da meta de 95% considerada necessária para proteger toda a população.
- O calendário foi reforçado: crianças menores de 5 anos agora precisam de duas doses de reforço, e a campanha permite atualizar qualquer dose em atraso até setembro.
- Fernando Van der Linden, advogado que contraiu pólio na infância por não ter sido vacinado a tempo, tornou-se testemunha viva do custo humano de uma dose que não chegou.
- Especialistas e o Ministério da Saúde pedem que pais levem cadernetas aos postos — o prazo é setembro, e o convite vale para qualquer criança ou adolescente menor de 15 anos.
Desde o início de agosto, o Brasil convoca famílias a um gesto antigo e essencial: levar crianças e adolescentes aos postos de saúde para atualizar cadernetas de vacinação. A Campanha Nacional de Multivacinação, que se estende até setembro, carrega um apelo especial contra a poliomielite — doença erradicada no país há três décadas, mas que ressurge em outras partes do mundo como lembrança de que nenhuma conquista em saúde pública é permanente sem vigilância. Atrás dos números de cobertura vacinal ainda insuficientes, há histórias concretas de vidas alteradas pela ausência de uma única dose.
A Campanha Nacional de Multivacinação começou em 3 de agosto e segue até setembro em todo o Brasil. A proposta é direta: pais e responsáveis devem levar crianças e adolescentes menores de 15 anos aos postos de saúde com a caderneta de vacinação para atualizar doses em atraso. O foco principal recai sobre a poliomielite, que ganhou um segundo reforço no calendário — crianças menores de 5 anos agora recebem cinco doses no total, todas por injeção.
O Brasil eliminou a pólio em 1994, mas surtos em outras regiões do mundo mantêm o risco vivo. As coberturas atuais estão aquém do necessário: 85% das crianças completaram as três doses iniciais e apenas 78% receberam o primeiro reforço, enquanto a meta é de 95%. Isabella Ballalai, da Sociedade Brasileira de Imunizações, ressalta que atingir esse patamar exige esforço conjunto entre famílias e poder público.
Fernando Van der Linden, advogado, carrega nas sequelas do corpo a história que a campanha quer evitar. Ele não foi vacinado na infância — estava com febre no dia marcado e nunca retornou para a dose. Todos os seus irmãos e primos foram imunizados e não adoeceram; ele foi o único que contraiu a doença. Hoje, faz um apelo direto aos pais: vacinar é um ato de amor, e a vacina é segura. A campanha segue aberta até setembro — basta levar a caderneta e a criança.
A Campanha Nacional de Multivacinação começou na segunda-feira, 3 de agosto, e seguirá até setembro em todo o Brasil. O objetivo é simples: pais e responsáveis devem levar crianças e adolescentes menores de 15 anos aos postos de saúde com a caderneta de vacinação em mãos para atualizar as doses em atraso. A iniciativa do Ministério da Saúde busca ampliar a cobertura de várias vacinas, mas tem um foco particular na poliomielite, que recebeu um novo reforço no calendário de imunização.
O Brasil havia recebido em 1994 o certificado internacional que confirmava o fim da poliomielite no país. Mas com surtos reaparecendo em outras partes do mundo, a vacinação permanece como a única forma de evitar a doença. A partir de agora, o esquema para crianças menores de 5 anos mudou: a primeira dose aos 2 meses, a segunda aos 4 meses, a terceira aos 6 meses, o primeiro reforço aos 15 meses e o segundo aos 4 anos. Todas as doses são aplicadas por injeção. Crianças com a carteirinha desatualizada também podem receber o reforço durante a campanha.
Fernando de Souza Van der Linden, advogado, carrega consigo uma história que ilustra por que essa campanha importa. Ele contraiu poliomielite na infância porque não foi vacinado — no dia marcado para a vacinação, estava com febre e precisaria voltar em outro momento, mas a epidemia era tão grave que não chegou a receber a dose. Hoje, ele vive com as sequelas da doença e compreende profundamente o valor da proteção que a vacina oferece. Ele observa que todos os seus irmãos e primos daquela época foram vacinados e não contraíram a doença; ele foi o único que adoeceu, justamente por não ter recebido a imunização.
Isabella Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, explica que fazer o reforço aumenta a proteção da criança por mais tempo. Com vários surtos de pólio ocorrendo no mundo, ela enfatiza que é fundamental que a população e o Ministério da Saúde trabalhem juntos para alcançar 95% de cobertura vacinal em crianças menores de 5 anos contra a poliomielite. Até o início de julho, 85% das crianças haviam recebido as três doses iniciais contra poliomielite e 78% haviam recebido o primeiro reforço — números que deixam claro o espaço para melhoria.
Fernando, que vive diariamente com as consequências de não ter sido vacinado, faz um apelo direto aos pais: se você ama seu filho e quer o melhor para ele, dê a vacina, porque é segura. A mensagem é clara — a vacinação não é apenas um procedimento médico, mas um ato de proteção que pode evitar uma vida inteira de limitações. A campanha segue até setembro, e o convite permanece aberto: leve a caderneta, leve a criança, e garanta que ela esteja protegida.
Citações Notáveis
Fazer esse reforço aumenta a proteção dessa criança por mais tempo e, no momento em que a gente tem vários surtos de pólio no mundo, é muito importante— Isabella Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações
Se você ama seu filho, se você quer o melhor do seu filho, dê a vacina, porque é segura— Fernando de Souza Van der Linden, advogado que contraiu poliomielite