Campanha Nacional de Multivacinação busca atualizar cadernetas até setembro

Histórico de caso de pólio em adulto que não foi vacinado na infância ilustra consequências da falta de imunização.
O único que teve a pólio fui eu. Porque não tomei vacina.
Fernando de Souza Van der Linden, advogado que contraiu poliomielite na infância, reflete sobre como a falta de vacinação o diferenciou de seus irmãos e primos.
Mark

Por que a pólio voltou a ser uma preocupação agora, se o Brasil estava livre da doença desde 1994?

Mimi

Porque o vírus não desapareceu do mundo. Há surtos acontecendo em outros países, e sem vacinação contínua, a doença pode voltar. É por isso que o reforço agora é tão importante — não é nostalgia, é defesa.

Mark

O calendário mudou. Antes havia um reforço, agora há dois. Isso significa que as crianças estão menos protegidas agora?

Mimi

Não. Significa que a ciência descobriu que duas doses de reforço oferecem proteção mais duradoura. É um ajuste para melhorar, não uma admissão de fracasso anterior.

Mark

Fernando contraiu pólio mesmo vivendo em um país onde a doença já havia sido eliminada. Como isso foi possível?

Mimi

Porque a eliminação não é a mesma coisa que erradicação global. O vírus ainda existia em outros lugares. Fernando não foi vacinado por acaso — febre no dia marcado — e isso foi o suficiente. Mostra como a proteção depende de cada pessoa estar coberta.

Mark

Os números mostram 85% com três doses e 78% com o primeiro reforço. Isso é bom ou ruim?

Mimi

É insuficiente. O objetivo é 95%. Quando você está falando de uma doença que pode paralisar, cada ponto percentual representa crianças vulneráveis. A campanha existe porque esses 15 a 20 pontos percentuais faltantes importam muito.

Mark

O que torna o apelo de Fernando tão poderoso?

Mimi

Ele não está falando de teoria. Ele vive com as consequências todos os dias. Quando alguém que contraiu a doença diz que a vacina é segura, não é um argumento — é um testemunho.

  • O Brasil erradicou a pólio em 1994, mas surtos globais reacendem o alerta e tornam urgente recuperar coberturas vacinais que caíram abaixo do mínimo seguro.
  • Apenas 78% das crianças receberam o primeiro reforço contra poliomielite — muito abaixo da meta de 95% considerada necessária para proteger toda a população.
  • O calendário foi reforçado: crianças menores de 5 anos agora precisam de duas doses de reforço, e a campanha permite atualizar qualquer dose em atraso até setembro.
  • Fernando Van der Linden, advogado que contraiu pólio na infância por não ter sido vacinado a tempo, tornou-se testemunha viva do custo humano de uma dose que não chegou.
  • Especialistas e o Ministério da Saúde pedem que pais levem cadernetas aos postos — o prazo é setembro, e o convite vale para qualquer criança ou adolescente menor de 15 anos.

Desde o início de agosto, o Brasil convoca famílias a um gesto antigo e essencial: levar crianças e adolescentes aos postos de saúde para atualizar cadernetas de vacinação. A Campanha Nacional de Multivacinação, que se estende até setembro, carrega um apelo especial contra a poliomielite — doença erradicada no país há três décadas, mas que ressurge em outras partes do mundo como lembrança de que nenhuma conquista em saúde pública é permanente sem vigilância. Atrás dos números de cobertura vacinal ainda insuficientes, há histórias concretas de vidas alteradas pela ausência de uma única dose.

A Campanha Nacional de Multivacinação começou em 3 de agosto e segue até setembro em todo o Brasil. A proposta é direta: pais e responsáveis devem levar crianças e adolescentes menores de 15 anos aos postos de saúde com a caderneta de vacinação para atualizar doses em atraso. O foco principal recai sobre a poliomielite, que ganhou um segundo reforço no calendário — crianças menores de 5 anos agora recebem cinco doses no total, todas por injeção.

O Brasil eliminou a pólio em 1994, mas surtos em outras regiões do mundo mantêm o risco vivo. As coberturas atuais estão aquém do necessário: 85% das crianças completaram as três doses iniciais e apenas 78% receberam o primeiro reforço, enquanto a meta é de 95%. Isabella Ballalai, da Sociedade Brasileira de Imunizações, ressalta que atingir esse patamar exige esforço conjunto entre famílias e poder público.

Fernando Van der Linden, advogado, carrega nas sequelas do corpo a história que a campanha quer evitar. Ele não foi vacinado na infância — estava com febre no dia marcado e nunca retornou para a dose. Todos os seus irmãos e primos foram imunizados e não adoeceram; ele foi o único que contraiu a doença. Hoje, faz um apelo direto aos pais: vacinar é um ato de amor, e a vacina é segura. A campanha segue aberta até setembro — basta levar a caderneta e a criança.

A Campanha Nacional de Multivacinação começou na segunda-feira, 3 de agosto, e seguirá até setembro em todo o Brasil. O objetivo é simples: pais e responsáveis devem levar crianças e adolescentes menores de 15 anos aos postos de saúde com a caderneta de vacinação em mãos para atualizar as doses em atraso. A iniciativa do Ministério da Saúde busca ampliar a cobertura de várias vacinas, mas tem um foco particular na poliomielite, que recebeu um novo reforço no calendário de imunização.

O Brasil havia recebido em 1994 o certificado internacional que confirmava o fim da poliomielite no país. Mas com surtos reaparecendo em outras partes do mundo, a vacinação permanece como a única forma de evitar a doença. A partir de agora, o esquema para crianças menores de 5 anos mudou: a primeira dose aos 2 meses, a segunda aos 4 meses, a terceira aos 6 meses, o primeiro reforço aos 15 meses e o segundo aos 4 anos. Todas as doses são aplicadas por injeção. Crianças com a carteirinha desatualizada também podem receber o reforço durante a campanha.

Fernando de Souza Van der Linden, advogado, carrega consigo uma história que ilustra por que essa campanha importa. Ele contraiu poliomielite na infância porque não foi vacinado — no dia marcado para a vacinação, estava com febre e precisaria voltar em outro momento, mas a epidemia era tão grave que não chegou a receber a dose. Hoje, ele vive com as sequelas da doença e compreende profundamente o valor da proteção que a vacina oferece. Ele observa que todos os seus irmãos e primos daquela época foram vacinados e não contraíram a doença; ele foi o único que adoeceu, justamente por não ter recebido a imunização.

Isabella Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, explica que fazer o reforço aumenta a proteção da criança por mais tempo. Com vários surtos de pólio ocorrendo no mundo, ela enfatiza que é fundamental que a população e o Ministério da Saúde trabalhem juntos para alcançar 95% de cobertura vacinal em crianças menores de 5 anos contra a poliomielite. Até o início de julho, 85% das crianças haviam recebido as três doses iniciais contra poliomielite e 78% haviam recebido o primeiro reforço — números que deixam claro o espaço para melhoria.

Fernando, que vive diariamente com as consequências de não ter sido vacinado, faz um apelo direto aos pais: se você ama seu filho e quer o melhor para ele, dê a vacina, porque é segura. A mensagem é clara — a vacinação não é apenas um procedimento médico, mas um ato de proteção que pode evitar uma vida inteira de limitações. A campanha segue até setembro, e o convite permanece aberto: leve a caderneta, leve a criança, e garanta que ela esteja protegida.

Fazer esse reforço aumenta a proteção dessa criança por mais tempo e, no momento em que a gente tem vários surtos de pólio no mundo, é muito importante
— Isabella Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações
Se você ama seu filho, se você quer o melhor do seu filho, dê a vacina, porque é segura
— Fernando de Souza Van der Linden, advogado que contraiu poliomielite
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