Antes mesmo que o primeiro turno determine o campo de batalha, a campanha de Lula já traça alianças para o que pode vir depois — um segundo turno contra Flávio Bolsonaro. A política, em seus momentos mais reveladores, não espera o resultado: ela o antecipa. O esforço de articulação em torno de governadores do PSD e do MDB, e do candidato Augusto Cury, revela uma verdade antiga sobre o poder: quem chega primeiro à mesa raramente sai de mãos vazias.
Campanha de Lula busca apoio de Cury e governadores do PSD e MDB para segundo turno
Quanto mais perto dos 50%, mais fácil a costura com lideranças pragmáticas
Por que a campanha de Lula está se movimentando agora, antes mesmo do primeiro turno?
Porque Flávio Bolsonaro vai receber apoios muito rápido — em menos de 24 horas. Zema e Caiado já sinalizaram. Lula não pode deixar isso sem resposta.
Mas essas promessas de apoio já estão confirmadas, ou são apenas sinalizações que a campanha está interpretando?
São sinalizações fortes, mas não formalizadas. Por isso Lula está se movimentando agora — para antecipar.
E por que Augusto Cury é tão importante? Ele tem base eleitoral significativa?
Ele tem presença, e no passado foi conselheiro de Marina Silva. Tem credibilidade em certos círculos. Não é um voto massivo, mas é um voto que importa.
A reportagem não diz quantos votos Cury pode trazer. Sabemos que ele tem "presença", mas qual é o tamanho real disso?
E quanto aos governadores do PSD e MDB — eles estão dispostos a apoiar Lula, ou Lula está apenas esperançoso?
Ninguém confirmou nada ainda. A campanha está identificando quem pode ser persuadido. Alguns podem apoiar, outros podem ficar neutros.
Exatamente. A reportagem diz que alguns lulistas "acham ser viável" obter apoio. Isso é esperança, não confirmação.
Então tudo depende do desempenho de Lula no primeiro turno?
Completamente. Se ele chegar perto dos 50%, esses governadores vão querer estar com ele. Se ficar longe, a conversa muda.
E se Lula não conseguir nenhum desses apoios? A reportagem não explora esse cenário.
Der Puls
- A campanha de Lula age com urgência porque sabe que Flávio Bolsonaro pode consolidar apoios decisivos em menos de 24 horas após o primeiro turno.
- Emissários presidenciais já buscam Augusto Cury, do Avante, explorando laços históricos com o campo progressista para garantir um apoio simbólico e eleitoral.
- No PSD, Eduardo Leite e Raquel Lyra são os alvos principais, enquanto a campanha torce para que Ratinho Jr. e Kassab ao menos se mantenham neutros — a neutralidade, aqui, vale quase tanto quanto um apoio.
- No MDB, Ferraço e Vilela são cortejados com um argumento de interesse mútuo: governadores pressionados pela direita têm razões próprias para apoiar Lula.
- Tudo, porém, está condicionado ao desempenho no primeiro turno — quanto mais próximo dos 50%, mais fácil convencer líderes pragmáticos de que o vencedor já está escolhido.
Antes mesmo que o primeiro turno determine o campo de batalha, a campanha de Lula já traça alianças para o que pode vir depois — um segundo turno contra Flávio Bolsonaro. A política, em seus momentos mais reveladores, não espera o resultado: ela o antecipa. O esforço de articulação em torno de governadores do PSD e do MDB, e do candidato Augusto Cury, revela uma verdade antiga sobre o poder: quem chega primeiro à mesa raramente sai de mãos vazias.
A campanha de Lula não está esperando o primeiro turno para começar a disputar o segundo. Com a possibilidade de um confronto direto contra Flávio Bolsonaro no horizonte, os aliados do presidente já mapearam alvos específicos: Augusto Cury, do Avante, e governadores estratégicos do PSD e do MDB. A pressa tem razão de ser — a equipe de Flávio deve receber adesões de Romeu Zema e Ronaldo Caiado em questão de horas após o resultado.
Para responder, Lula planeja reunir congressistas e governadores da base na segunda ou terça-feira seguinte ao primeiro turno. Cury é procurado por emissários presidenciais que exploram sua proximidade histórica com Marina Silva e sua relação com o vice do escritor, Júlio Delgado. A lógica é direta: se a direita vai se unir rapidamente, o campo lulista precisa fazer o mesmo.
No PSD, Eduardo Leite e Raquel Lyra são os nomes mais cobiçados. Ratinho Jr. e Kassab são vistos com expectativa mais modesta — a esperança é que fiquem neutros, o que, neste tabuleiro, já representa um ganho. No MDB, Ferraço e Vilela são cortejados com um argumento de conveniência: ambos enfrentam adversários bolsonaristas em seus estados e têm interesse próprio em apoiar quem pode fortalecer suas bases.
Há, porém, uma condição que paira sobre toda essa articulação. Um integrante da campanha foi direto: o sucesso das negociações depende do desempenho de Lula no primeiro turno. Lideranças pragmáticas não se movem por ideologia — se movem por cálculo. Quanto mais forte Lula chegar ao segundo turno, mais fácil será convencê-las de que vale a pena estar do seu lado.
A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva já está mapeando o terreno para um possível segundo turno contra Flávio Bolsonaro, e a estratégia passa por três nomes e dois partidos específicos: Augusto Cury, do Avante, e uma fatia significativa dos governadores do PSD e do MDB. Não é especulação distante — é cálculo imediato. Os aliados do presidente acreditam que precisam agir com urgência, porque Flávio deve colher apoios de Romeu Zema, do Novo, e Ronaldo Caiado, do PSD, em menos de um dia após o resultado do primeiro turno.
Para responder a isso, Lula está organizando uma reunião com congressistas e governadores da base para a segunda ou terça-feira seguinte ao primeiro turno. Não é um encontro casual — é uma mobilização. Os emissários presidenciais já estão procurando Cury, que em outro momento da vida política foi próximo a Marina Silva e mantém relações com o ex-deputado Júlio Delgado, vice do escritor. A ideia é simples: se Flávio vai ganhar votos à direita, Lula precisa consolidar apoios que o tragam para perto dos 50% no segundo turno.
No PSD, os principais alvos são Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, e Raquel Lyra, de Pernambuco. Há também esperança entre alguns lulistas de que Ratinho Jr., do Paraná, e Gilberto Kassab, presidente da legenda e vice de Caiado, possam ao menos se manter neutros. A neutralidade, neste contexto, é quase uma vitória — significa que não vão para o lado oposto.
O MDB entra na conta com Ricardo Ferraço, do Espírito Santo, e Daniel Vilela, de Goiás. Ambos enfrentam adversários bolsonaristas em seus estados, o que teoricamente os aproxima de Lula por interesse próprio. A lógica é clara: governadores que estão sob pressão da direita têm razão para apoiar quem pode ajudá-los a manter suas bases.
Mas há uma ressalva importante que atravessa toda essa articulação. Um integrante da campanha presidencial deixou claro que tudo depende do primeiro turno. Quanto mais perto Lula chegar dos 50% naquela votação, mais fácil fica a negociação com essas lideranças que, na prática, são pragmáticas. Não votam por ideologia — votam por cálculo. Se Lula estiver forte, eles vão querer estar do lado dele. Se estiver fraco, a conversa muda de tom.
Bemerkenswerte Zitate
Quanto mais perto Lula chegar dos 50%, mais fácil ficará a costura com lideranças partidárias pragmáticas— Integrante da campanha presidencial