Em meio à corrida eleitoral brasileira de 2026, a campanha de Lula move suas peças com a precisão de quem sabe que vitórias se constroem antes do segundo turno: absorver o que há de aproveitável nas ideias de Augusto Cury, seduzir seus eleitores e deixar Flávio Bolsonaro sem aliados naturais. É a velha arte da política — não apenas conquistar votos, mas redesenhar o campo antes que a batalha decisiva comece.
Campanha de Lula avalia incorporar propostas de Cury para isolar Bolsonaro no 2º turno
O PT trabalha para manter Cury neutro, não para conquistá-lo
Por que a campanha de Lula está tão focada em manter Cury neutro em vez de tentar conquistar seu apoio explícito?
Porque Cury manteve uma postura crítica a Lula durante toda a campanha. O PT sabe que um apoio explícito é improvável, então o objetivo é mais modesto e realista: evitar que Cury se alinhe com Bolsonaro.
Mas como eles sabem que Cury não vai se aproximar de Bolsonaro? Isso é uma suposição ou há sinais concretos?
A reportagem não deixa claro. O que sabemos é que o PT já iniciou contatos com o Avante para sondar as reações, mas não há indicação de qual será a resposta.
E quanto às propostas de Cury que o PT quer incorporar? Quais são elas além dos drones?
A reportagem não especifica quais propostas serão incorporadas, apenas que existem ideias aproveitáveis no plano de Cury e que o PT descarta as mais mirabolantes.
Isso é um problema. Sabemos que descartam drones, mas não sabemos quais propostas o PT realmente quer. É uma estratégia vaga.
E Renan Santos? Por que ele é tão importante nessa equação?
Porque ele tem forte diálogo com o público jovem, que é exatamente o segmento onde Lula enfrentou dificuldades no primeiro turno. Se conseguirem aproximação com Renan, ganham acesso a esse eleitorado.
Mas Renan também foi crítico a Lula durante a campanha. Qual é a base para uma aproximação?
A reportagem sugere que Renan tem atacado Flávio Bolsonaro, então talvez haja espaço para uma convergência contra o bolsonarismo, mesmo que Renan não apoie Lula diretamente.
E Kassab? Por que conversar com ele em vez de com Caiado diretamente?
Porque Caiado tem um posicionamento anti-PT historicamente consolidado. Kassab, como vice na chapa, pode ter mais flexibilidade política para negociar a neutralidade do PSD.
Mas a reportagem não diz se Kassab tem interesse em negociar ou se essas conversas estão tendo algum resultado.
Le Pouls
- A campanha petista vasculha o plano de governo de Cury em busca de propostas que possam ser absorvidas sem custo político, descartando as mais extravagantes — como drones para proteger mulheres — e aproveitando o que passa no filtro da viabilidade.
- O objetivo não é o apoio de Cury, mas sua neutralidade: impedir que ele se aproxime de Flávio Bolsonaro no segundo turno é, por si só, uma vitória estratégica para o PT.
- Renan Santos, candidato do Missão com forte apelo entre jovens, tornou-se outro alvo de aproximação petista, especialmente após ele intensificar ataques a Flávio Bolsonaro na reta final da campanha.
- Caiado e Zema representam os obstáculos mais duros: ambos carregam um histórico anti-PT consolidado, e o partido já trabalha com a hipótese de que Zema declare apoio formal a Flávio no segundo turno.
- Com Kassab, o PT aposta em conversas diretas para garantir que o PSD permaneça neutro, usando o presidente do partido como ponte mesmo dentro de uma chapa encabeçada por Caiado.
Em meio à corrida eleitoral brasileira de 2026, a campanha de Lula move suas peças com a precisão de quem sabe que vitórias se constroem antes do segundo turno: absorver o que há de aproveitável nas ideias de Augusto Cury, seduzir seus eleitores e deixar Flávio Bolsonaro sem aliados naturais. É a velha arte da política — não apenas conquistar votos, mas redesenhar o campo antes que a batalha decisiva comece.
A campanha de Lula está mapeando as propostas de Augusto Cury com um objetivo claro: incorporar as ideias viáveis do candidato do Avante à sua própria agenda e, com isso, atrair o eleitorado de Cury para o segundo turno. A estratégia, apurada pela CNN Brasil, não aposta no apoio explícito do candidato, mas trabalha para mantê-lo em posição neutra — o suficiente para isolar Flávio Bolsonaro na etapa decisiva.
Nem todas as ideias de Cury serão aproveitadas. O comando petista já descartou propostas consideradas extravagantes, como o uso de drones para proteger vítimas de violência doméstica. O que passar pelo filtro da viabilidade política e administrativa pode virar parte do discurso de Lula. Paralelamente, integrantes da cúpula do PT iniciaram contatos com o Avante para sondar como a legenda se posicionará após o primeiro turno.
Outro nome no radar petista é Renan Santos, do partido Missão, que intensificou ataques a Flávio Bolsonaro na reta final — postura que se aprofundou após ser excluído do debate da TV Globo. Apesar do perfil de eleitorado associado à direita, Renan tem forte diálogo com o público jovem, exatamente onde o PT encontrou dificuldades no primeiro turno.
O cenário com Caiado e Zema é mais árido. Ambos carregam um posicionamento anti-PT historicamente consolidado, e o PT já trabalha com a expectativa de que Zema declare apoio formal a Flávio Bolsonaro. Com Caiado, o partido aposta em Gilberto Kassab — presidente do PSD e vice na chapa do ex-governador — para garantir ao menos a neutralidade do partido na segunda etapa do pleito. O mapa de alianças de Lula, portanto, só estará completo depois que as urnas do primeiro turno forem fechadas.
A campanha de Lula está mapeando as propostas de Augusto Cury com um objetivo bem definido: extrair ideias aproveitáveis do plano de governo do candidato do Avante e incorporá-las à sua própria agenda, tudo isso para atrair os eleitores de Cury e, mais importante, para isolar Flávio Bolsonaro em um possível segundo turno. A estratégia, conforme apurou a CNN Brasil, reconhece que Cury não deve oferecer apoio explícito a Lula, mas o PT trabalha para mantê-lo em posição neutra quando a disputa chegar à etapa decisiva.
Os integrantes da cúpula petista já iniciaram contatos com a legenda do Avante para sondar como a sigla reagirá após a votação do primeiro turno. O cálculo é simples: se conseguirem afastar Cury de qualquer aproximação com o candidato bolsonarista, ganham espaço político. Nem todas as ideias de Cury, porém, serão bem-vindas. O comando de campanha descarta de antemão as propostas consideradas mais extravagantes, como o uso de drones para proteger mulheres vítimas de violência doméstica. As que passam no filtro da viabilidade política e administrativa, essas sim, podem virar parte do discurso de Lula.
Outro alvo da movimentação petista é Renan Santos, candidato do partido Missão. Na reta final da campanha, Renan intensificou seus ataques contra Flávio Bolsonaro, postura que se aprofundou após ficar de fora do último debate televisivo antes da votação de 4 de outubro, realizado pela TV Globo. Embora Renan e Cury tenham mantido uma postura crítica em relação a Lula durante todo o processo eleitoral, com um perfil de eleitorado fortemente associado à direita, Renan demonstra forte diálogo com o público jovem — exatamente o segmento onde a campanha petista enfrentou dificuldades para expandir seu desempenho no primeiro turno.
O PT defende formalmente procurar todos os adversários que ficarem fora da disputa após o domingo de eleição. Mas a realidade política é mais complexa. O partido reconhece maior dificuldade de aproximação com Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás, e Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais, ambos com um posicionamento anti-PT historicamente consolidado. Caiado, apesar de ter subido o tom contra Flávio Bolsonaro ao longo da campanha, mantém em aberto seu posicionamento quanto a um eventual apoio ao senador do PL no segundo turno. Diante desse cenário, dirigentes petistas mantêm conversas diretas com Gilberto Kassab, presidente do PSD e vice na chapa de Caiado, apostando em sua articulação para garantir a neutralidade do partido na segunda etapa do pleito.
Em relação a Zema, o quadro é ainda mais incerto. O ex-governador mineiro alternava momentos de intensificação de ataques contra Flávio com posteriores recuos. Como o Novo e o PL mantêm alianças consolidadas em diversos estados, a expectativa do PT é de que Zema declare apoio formal a Flávio Bolsonaro na etapa decisiva das eleições. A campanha de Lula, portanto, segue um mapa de alianças e neutralidades que será desenhado completamente apenas após o resultado do primeiro turno.
Citations marquantes
O comando do PT defende formalmente procurar todos os adversários que ficarem fora da disputa após o domingo de eleição— Integrantes da campanha de Lula