Campanha de Flávio Bolsonaro tenta conter danos de fake news sobre Nossa Senhora

Isso é uma grande mentira, não tem pé nem cabeça
Flávio Bolsonaro desmente boato sobre retirada do título de Padroeira de Nossa Senhora Aparecida.
Mark

Por que uma fake news sobre Nossa Senhora Aparecida virou tão importante em uma campanha presidencial?

Mimi

Porque toca em duas coisas que mobilizam eleitores: religião e confiança. Se as pessoas acreditam que um candidato quer tirar um título de uma santa venerada há séculos, isso gera indignação real, independentemente de ser falso.

Luke

Mas a gente precisa ser claro: 37% considerou verdadeira segundo uma empresa de inteligência. Isso é significativo, mas também significa que 63% não acreditou ou não se posicionou. Não sabemos o impacto real nas intenções de voto ainda.

Mark

Como a fake news começou?

Mimi

Uma jornalista da GloboNews mencionou um movimento na Igreja Católica, mas se baseava em um projeto de 2007 que já estava arquivado. A emissora se retratou, mas o dano já estava feito. Depois, um vídeo antigo de Flávio falando sobre Jesus foi recontextualizado.

Luke

Então não foi uma conspiração coordenada desde o início. Foi uma informação imprecisa que virou munição política depois. A campanha bolsonarista diz que 40 perfis tentaram viralizar isso na semana anterior sem sucesso, mas não temos confirmação independente disso.

Mark

Os rivais de Flávio exploram a fake news ou criam conteúdo próprio?

Mimi

Exploram. Janja publica fotos de Lula com a santa, Alckmin faz vídeo sobre proteção às religiões. Eles não inventam novos boatos, mas amplificam o que já está circulando.

Luke

E isso é importante: não há evidência de que Lula ou seus aliados criaram a fake news. Eles a aproveitaram. São coisas diferentes.

Mark

O que o TSE fez?

Mimi

O ministro André Mendonça ordenou a remoção das publicações e multa de 50 mil reais por dia para quem não cumprir. As plataformas têm 48 horas para informar o que fizeram.

Luke

A decisão é rápida, mas também levanta questões sobre quem decide o que é "notoriamente inverídico". A ressalva de que posts jornalísticos e desmentidos não se aplicam ajuda, mas a execução prática vai depender das plataformas.

Mark

Isso já aconteceu antes?

Mimi

Sim. Em 2018, circulou uma fake news parecida contra Jair Bolsonaro sobre Nossa Senhora. Parece ser um padrão de ataque em campanhas.

Luke

Mas não sabemos se há conexão entre os dois casos ou se é coincidência. A fonte diz que a campanha bolsonarista trata como ataque planejado do PT, mas isso é interpretação deles, não confirmação.

Mark

Qual é o risco real para Flávio?

Mimi

O risco é que a fake news tenha mobilizado católicos contra ele, mesmo que ele tenha respondido rápido. Mas a campanha aposta que a resposta rápida esfria o assunto.

Luke

Ainda é cedo para saber. As pesquisas não captaram esse efeito ainda, segundo o texto. E há um risco reverso: se a campanha de Flávio conseguir associar Lula à disseminação de fake news, isso também pode prejudicar o PT.

  • 37% das mensagens consideraram a fake news como verdadeira, segundo empresa de inteligência
  • Ministro André Mendonça ordenou multa de R$ 50 mil por dia por provedor que não remover conteúdo
  • Projeto original para retirar título de Padroeira foi apresentado em 2007 e arquivado em 2008
  • Pico de viralização ocorreu na sexta-feira com 735 menções a cada 100 mil mensagens nas redes

Desinformação viralizou nas redes com 37% das mensagens considerando-a verdadeira, mobilizando indignação entre católicos e pedidos de voto contra o candidato. Rivais de Flávio, incluindo Lula, Janja e Geraldo Alckmin, exploraram a fake news em disputa religiosa, enquanto ministro André Mendonça ordenou derrubada de publicações.

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) mobilizou-se para desmentir notícia falsa que viralizou nas redes afirmando que ele retiraria o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, com o TSE determinando remoção de conteúdos.

Na noite de quinta-feira, Flávio Bolsonaro gravou um vídeo para desmentir algo que nunca havia proposto: a retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. A fake news havia viralizado nas redes sociais com força suficiente para mobilizar a campanha do candidato do PL, que viu a desinformação se transformar em munição política nas mãos de rivais.

O boato ganhou tração inicial quando a jornalista Maria Cristina Fernandes, da GloboNews, apontou um suposto movimento na Igreja Católica de evangélicos tentando destituir Aparecida da condição de padroeira. A emissora se retratou horas depois, esclarecendo que a informação se baseava em um projeto de lei arquivado quase duas décadas antes. Um trecho de vídeo de Flávio gravado em 23 de agosto, no qual ele afirmava que um de seus primeiros atos como presidente seria decretar que o Brasil pertence ao Senhor Jesus Cristo, foi então ressignificado nas redes para reforçar a narrativa falsa.

A disseminação foi rápida e ampla. Segundo a empresa de inteligência Palver, cerca de 37% das mensagens sobre o tema consideraram a narrativa como verdadeira, mobilizando indignação entre católicos e gerando pedidos de voto contra Flávio. O pico ocorreu na sexta-feira, com 735 menções a cada 100 mil mensagens nas redes sociais e 15 menções a cada 100 mil nos serviços de mensageria como WhatsApp e Telegram. Diferentes imagens falsas e memes circularam: Lula abraçando Nossa Senhora, Flávio em uma montagem em uma boate ao lado de Donald Trump, fotos da santa nas mãos de Lula, e mensagens afirmando que Flávio pretendia revogar feriados católicos.

Os aliados de Lula não deixaram a oportunidade passar. A primeira-dama Janja publicou uma foto de Lula com a imagem de Nossa Senhora Aparecida. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou em vídeo que ele e Lula protegem as religiões e que o país é capaz de conservar pacificamente as tradições católicas. A campanha bolsonarista tratou o caso como um ataque planejado pelo PT, seu principal adversário, e informou que já havia identificado na semana anterior cerca de 40 perfis tentando viralizar a suspeita sem sucesso inicial.

Flávio respondeu rapidamente. No vídeo da quinta-feira, disse que a história era uma grande mentira sem pé nem cabeça e que não existia projeto algum. Na sexta-feira, reafirmou que se tratava de fake news e que jamais faria isso, ressaltando ser cristão, evangélico, mas respeitador de todas as religiões. O candidato a vice-presidente na chapa do PL, deputado Alfredo Gaspar, publicou um vídeo de Flávio na estátua de Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, com a legenda: "Nossa Senhora Aparecida é minha guia, tenho profunda devoção".

A campanha acionou o Tribunal Superior Eleitoral. O ministro André Mendonça determinou na sexta-feira a derrubada de publicações que tratassem como verídica a notícia falsa e ordenou que as plataformas atuassem preventivamente contra a disseminação dos conteúdos, classificados por ele como notoriamente inverídicos. Os provedores foram obrigados a indisponibilizar imediatamente as publicações que reproduzissem a fake news, mesmo sem uma nova ordem judicial específica. Mendonça estabeleceu multa de 50 mil reais por dia por provedor em caso de descumprimento e exigiu que os provedores informassem, em até 48 horas, quais providências haviam tomado e quantos conteúdos foram derrubados.

O contexto histórico é relevante: um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil havia sido apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victorio Galli, que depois se tornou assessor especial da Presidência no governo de Jair Bolsonaro, e foi arquivado no ano seguinte. Em 2018, uma fake news semelhante circulou contra Jair Bolsonaro, afirmando que ele queria trocar a imagem da Padroeira e havia assinado um projeto de lei para isso, o que foi desmentido pela imprensa na época.

Aliados de Flávio admitiram que ele sofreu um baque na internet, mas buscam minimizar o impacto nas intenções de voto, afirmando que a resposta rápida tem ajudado a esfriar o assunto e limitá-lo a uma fake news. A campanha também argumenta que o episódio pode se voltar contra Lula, caso a pecha de espalhador de desinformação grude nos petistas da mesma forma que atingiu Jair Bolsonaro. Advogados da campanha que atuam na área criminal pediram que a Procuradoria-Geral Eleitoral abra um inquérito contra políticos e perfis de redes sociais que publicaram informações sabidamente inverídicas sobre o candidato.

Isso é uma grande mentira, não tem pé nem cabeça, não existe esse projeto
— Flávio Bolsonaro, em vídeo gravado na quinta-feira
Jamais faria isso. Todos sabem que eu sou cristão, sou evangélico, mas que eu respeito todas as religiões
— Flávio Bolsonaro, em declaração na sexta-feira
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