Câmeras capturam raposa levando filhote de lobo em toca na Itália

Um filhote de lobo-cinzento foi predado por raposa-vermelha, contribuindo para a alta mortalidade de filhotes da espécie na região.
Um único registro em vídeo não permite determinar se é comum
Zoólogo de Oxford adverte sobre os limites de uma única observação para entender comportamentos predatórios.
Mark

Por que esse vídeo importa tanto? É só uma raposa comendo um filhote de lobo.

Mimi

Porque ninguém tinha visto isso acontecer antes. Os filhotes passam a maior parte do tempo dentro de tocas — é quase impossível observar o que realmente as mata.

Mark

E agora sabem que raposas podem ser uma causa de morte?

Mimi

Sabem que pode ser. Mas é um único registro. Não sabem ainda se é algo comum ou um evento raro.

Luke

Exatamente. O estudo não prova frequência. Apenas mostra que aconteceu uma vez.

Mimi

Verdade. Por isso os pesquisadores dizem que precisam de mais observações em diferentes contextos.

Mark

Qual é a taxa de mortalidade de filhotes de lobo normalmente?

Mimi

Entre 40% e 60% morrem a cada ano — por fome, doenças, clima. A predação por raposas pode ser um fator adicional, mas aparentemente menor.

Luke

E não sabem se a raposa estava caçando ou eliminando um competidor?

Mimi

Consideram a predação mais provável. Raposas se beneficiam de restos de presas deixados por lobos, então não faz muito sentido eliminar um competidor.

Mark

Então o que vem agora?

Mimi

Mais câmeras, mais tocas monitoradas, mais tempo. Precisam de padrões, não de um único episódio.

  • Um vídeo inédito mostra uma raposa-vermelha invadindo a toca de um lobo-cinzento e saindo com um filhote de um mês na boca — cena nunca antes documentada pela ciência.
  • Entre 40% e 60% dos filhotes de lobo morrem anualmente por fome, doenças e clima; a predação por raposas surge agora como um fator adicional até então invisível para os pesquisadores.
  • Apenas um dos dois filhotes voltou a aparecer nas câmeras após o ataque, levando os cientistas a concluir que o animal capturado foi consumido.
  • A comunidade científica pede cautela: um único registro em vídeo não é suficiente para determinar se esse comportamento é frequente ou se foi um evento isolado e oportunista.
  • Pesquisadores da Universidade de Sassari defendem que novas observações em diferentes tocas e contextos são essenciais para entender a real dimensão dessa interação entre as duas espécies.

Na primavera de 2025, câmeras instaladas numa reserva natural próxima a Roma testemunharam algo que a ciência raramente consegue ver: uma raposa-vermelha adentrando a toca de uma loba e saindo com um filhote de um mês na boca. O episódio, registrado na Reserva Presidencial de Castelporziano e publicado na revista Current Zoology, nos lembra que a natureza guarda dinâmicas ocultas entre espécies que convivem há milênios — e que a tecnologia de monitoramento começa, aos poucos, a iluminar o que sempre aconteceu longe dos olhos humanos.

Em 16 de maio de 2025, câmeras de monitoramento instaladas na Reserva Presidencial de Castelporziano, a cerca de 25 quilômetros de Roma, registraram um episódio raramente visto: uma raposa-vermelha entrou na toca de um lobo-cinzento e saiu carregando um filhote na boca. O evento integra agora um estudo publicado na revista Current Zoology, que aponta a predação por raposas como um possível fator, até então pouco documentado, na mortalidade de filhotes de lobo.

Dias antes do ataque, os pesquisadores já haviam notado sinais de que a loba havia dado à luz recentemente — abdômen inchado e deslocamentos repetidos para um abrigo secundário. As câmeras confirmaram a presença de dois filhotes machos na área. Quando a raposa apareceu, um dos filhotes conseguiu escapar; o outro foi levado. Nos registros seguintes, apenas um filhote voltou a ser visto, levando os cientistas a concluir que o capturado foi consumido.

Celeste Buelli, doutoranda da Universidade de Sassari responsável pelo monitoramento, destaca que compreender a sobrevivência dos filhotes é fundamental para entender como as populações de lobo evoluem. O coautor Rudy Brogi aponta que raposas são predadoras oportunistas e podem ter agido tanto por alimentação quanto, menos provavelmente, para eliminar um futuro competidor.

Os números dão peso ao registro: entre 40% e 60% dos filhotes de lobo morrem a cada ano, vítimas de fome, doenças e condições climáticas. A predação por raposas nunca havia sido documentada como causa de morte. Ainda assim, o zoólogo David Macdonald, da Universidade de Oxford, alerta que um único vídeo não permite concluir se o comportamento é recorrente. Os próprios autores reconhecem a limitação e pedem novas observações em diferentes contextos antes de qualquer conclusão mais ampla.

Câmeras de monitoramento instaladas em uma reserva natural italiana capturaram algo que raramente se vê: uma raposa-vermelha invadindo a toca de um lobo-cinzento e saindo com um filhote na boca. O episódio ocorreu em 16 de maio de 2025, na Reserva Presidencial de Castelporziano, a cerca de 25 quilômetros de Roma, e agora integra um estudo publicado na revista científica Current Zoology que sugere que a predação pode ser um fator até então pouco documentado na morte de filhotes de lobo.

Os pesquisadores já suspeitavam que algo acontecia naquela toca. Dias antes do ataque, haviam observado uma fêmea de lobo com o abdômen inchado e comportamento repetitivo de deslocamento para um abrigo secundário — sinais claros de que havia dado à luz recentemente. As câmeras posicionadas no local registraram dois filhotes machos explorando os arredores. Tudo parecia seguir seu curso natural até o momento em que a raposa apareceu.

O vídeo mostra o predador entrando no abrigo. Um dos filhotes conseguiu escapar, mas segundos depois a raposa saiu carregando o outro na boca. A gravação termina abruptamente, sem revelar o que aconteceu em seguida. Porém, em registros posteriores das câmeras, apenas um filhote voltou a ser visto na área — o que leva os pesquisadores a concluir que o filhote foi consumido.

Este é um registro particularmente valioso porque observações diretas de mortes de filhotes de lobo são extremamente raras. Os animais passam a maior parte do tempo dentro de tocas de difícil acesso, tornando quase impossível acompanhar sua sobrevivência sem tecnologia de monitoramento. Celeste Buelli, doutoranda da Universidade de Sassari e responsável pelo monitoramento das tocas, explica que compreender o nascimento e a sobrevivência dos filhotes é essencial para entender como as populações de lobo evoluem. O estudo integra um projeto de longo prazo liderado pelo pesquisador Marco Apollonio, também da Universidade de Sassari.

Os números revelam por que este registro importa. Entre 40% e 60% dos filhotes de lobo morrem a cada ano — vítimas de fome, doenças, condições climáticas extremas ou fragilidade física. A predação por raposas nunca havia sido documentada como causa de morte, embora os pesquisadores agora suspeitem que possa contribuir para essas perdas, provavelmente de forma menos frequente do que os outros fatores. Rudy Brogi, coautor do estudo, aponta que raposas são predadoras oportunistas que adaptam sua dieta conforme a disponibilidade de presas. Ele também considera a possibilidade de que a raposa estivesse eliminando um competidor, embora ache isso menos provável — afinal, raposas podem se beneficiar da presença de lobos ao consumir restos de presas que os predadores maiores deixam para trás.

Mas há cautela na comunidade científica. David Macdonald, zoólogo da Universidade de Oxford que não participou da pesquisa, ressalta que interações agressivas entre canídeos ocorrem, mas geralmente envolvem animais maiores atacando os menores. Um único registro em vídeo, ele adverte, não permite determinar se esse comportamento é comum ou se foi um evento isolado. Os próprios autores do estudo reconhecem essa limitação. Afirmam que o episódio pode ser mais frequente do que o documentado até agora, mas deixam claro que são necessárias novas observações em diferentes tocas e contextos para compreender melhor esse tipo de interação entre raposas e lobos.

Acompanhar o nascimento e a sobrevivência de filhotes é essencial para entender a evolução populacional da espécie
— Celeste Buelli, doutoranda responsável pelo monitoramento
Um único registro em vídeo não permite determinar se esse comportamento é comum
— David Macdonald, zoólogo da Universidade de Oxford
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