Há uma assimetria silenciosa no coração da economia brasileira: quando o real cai, os preços sobem com vigor; quando sobe, os preços recuam com timidez. Esse desequilíbrio, identificado pelo economista Guilherme Klein da UFRJ, deixa um resíduo inflacionário a cada ciclo de flutuação cambial — e esse resíduo, acumulado, exigiria juros reais mais elevados para que a inflação permaneça dentro da meta. A questão que se abre não é apenas técnica, mas filosófica: até que ponto a volatilidade de uma moeda pode moldar o destino econômico de um povo?