O teto de faturamento do MEI sobe de R$ 81 mil para R$ 140 mil em duas fases, com transição até janeiro de 2028, compensando inflação acumulada de 55,4% desde 2018. Mais de 3 milhões de MEIs com débitos na Dívida Ativa receberão perdão integral de R$ 12,86 bilhões em tributos, juros e multas, condicionado a manter pagamentos em dia por 6 meses.
Câmara aprova perdão de dívidas e aumento do teto do MEI para R$ 140 mil
Mais de 100 mil MEIs caíram fora da categoria apenas por crescer naturalmente
Por que o teto do MEI estava congelado em R$ 81 mil por tanto tempo?
Desde 2018. Ninguém havia reajustado, e a inflação acumulada chegou a 55,4%. Isso criou um problema real: pequenos negócios cresciam naturalmente e caíam fora da categoria.
Mas espera — se 100 mil MEIs se desenquadraram entre 2025 e 2026, isso significa que já estavam operando fora do limite antes dessa votação. Qual era a consequência legal deles?
Eles perdiam os benefícios tributários do MEI e precisavam se registrar como empresas maiores, com impostos mais altos.
E quanto ao perdão de dívidas? Três milhões de MEIs com débitos — isso é muito?
É significativo. Mais de 3 milhões de um total de 17,56 milhões de MEIs ativos. Mas o governo diz que 85,94% desses débitos são irrecuperáveis de qualquer forma.
Irrecuperáveis segundo quem? Essa é uma estimativa do governo, não uma auditoria independente. E o perdão é condicional — seis meses de adimplência ou perde tudo.
Então é um incentivo para que fiquem em dia?
Exatamente. Se o empreendedor pagar em dia por seis meses após a lei entrar em vigor, o perdão fica. Se faltar um mês, cancela.
E quantos conseguirão manter isso? Não há dados sobre taxa de adimplência de MEIs com histórico de inadimplência.
Qual é o custo total para o governo?
Aproximadamente R$ 1,57 bilhão em 2027 só com o aumento do teto. O perdão de dívidas sai por R$ 1,12 bilhão em 2027.
Esses números são projeções. Dependem de quantos MEIs realmente se beneficiarão e de como a economia se comporta. Não são garantidos.
E o compromisso com o Simples Nacional?
Hugo Motta prometeu analisar um reajuste até o final do ano, mas deixou claro que não há orçamento para isso agora. É uma promessa futura, não uma aprovação.
Il Polso
- Teto do MEI sobe de R$ 81 mil para R$ 140 mil em duas fases (R$ 110 mil em 2027, R$ 140 mil em 2028)
- Mais de 3 milhões de MEIs com R$ 12,86 bilhões em débitos receberão perdão integral, condicionado a 6 meses de adimplência
- Votação: 461 votos favoráveis, 4 contrários; medidas entram em vigor em 1º de janeiro de 2027
- Autorização para contratar até 2 empregados (atualmente limitado a 1)
- Impacto fiscal: R$ 1,57 bilhão em 2027 (aumento do teto) + R$ 1,12 bilhão em 2027 (perdão de dívidas)
O teto de faturamento do MEI sobe de R$ 81 mil para R$ 140 mil em duas fases, com transição até janeiro de 2028, compensando inflação acumulada de 55,4% desde 2018. Mais de 3 milhões de MEIs com débitos na Dívida Ativa receberão perdão integral de R$ 12,86 bilhões em tributos, juros e multas, condicionado a manter pagamentos em dia por 6 meses.
A Câmara dos Deputados aprovou projetos de lei que aumentam o teto de faturamento do MEI de R$ 81 mil para R$ 140 mil, autorizam contratação de até dois funcionários e concedem perdão de dívidas tributárias para microempreendedores.
A Câmara dos Deputados votou nesta quarta-feira (14 de outubro) e aprovou dois projetos de lei que reformulam as regras para microempreendedores individuais. Com 461 votos a favor e apenas 4 contra, os deputados abriram caminho para aumentar o teto de faturamento anual do MEI de R$ 81 mil para R$ 140 mil, autorizar a contratação de até dois funcionários — hoje limitada a um — e conceder o perdão de dívidas tributárias acumuladas. As medidas integram o pacote Prospera MEI apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na terça-feira anterior e agora seguem para análise do Senado.
O principal motor dessa mudança é a inflação. Desde janeiro de 2018, quando o teto foi fixado em R$ 81 mil, o IPCA acumulou uma alta de 55,4%. Esse descompasso entre o limite nominal e a realidade econômica forçou mais de 100 mil MEIs a se desenquadrarem involuntariamente apenas entre 2025 e 2026, simplesmente por ultrapassarem um piso que não acompanhava os preços. O governo reconheceu que manter o teto congelado por oito anos criava uma armadilha: pequenos negócios cresciam naturalmente e caíam fora da categoria, perdendo os benefícios tributários que a definem. A solução aprovada ocorre em duas etapas. Em 2027, o limite sobe para R$ 110 mil mensais (R$ 9.166,67 para empresas recém-abertas). A partir de 2028, atinge o patamar final de R$ 140 mil anuais, ou R$ 11.666,67 mensais proporcionais. Essa transição gradual busca evitar choques nas contas públicas.
A segunda mudança autoriza o MEI a contratar até dois empregados, dobrando a capacidade atual. Quem for contratado receberá no máximo um salário mínimo ou o piso da categoria profissional. O texto também permite contratações por prazo determinado para cobrir afastamentos legais e unifica as declarações que o empreendedor precisa fazer à Receita Federal, FGTS e INSS — simplificando a burocracia que historicamente sufoca negócios pequenos.
O terceiro pilar é o perdão de dívidas. O Brasil tem aproximadamente 17,56 milhões de MEIs ativos. Desses, mais de 3 milhões carregam débitos inscritos na Dívida Ativa da União, totalizando R$ 12,86 bilhões acumulados. O governo estima que 85,94% desse montante — R$ 11,05 bilhões — é considerado de difícil ou impossível recuperação. O projeto aprovado concede remissão integral desses débitos, incluindo tributos, juros, multas e encargos legais inscritos até 13 de outubro de 2026. Mas há uma contrapartida obrigatória: o MEI beneficiado deve manter seus recolhimentos em dia durante os seis meses seguintes à entrada em vigor da lei. Se faltar com o pagamento nesse período, o perdão é cancelado. Além disso, o empreendedor precisa desistir formalmente de qualquer processo judicial que tenha movido contra a União sobre os débitos remitidos.
O acordo que viabilizou a votação envolveu negociação entre o governo petista e Hugo Motta, presidente da Câmara. Motta justificou a prioridade do MEI citando a aprovação esperada da PEC que acaba com a escala 6x1 no Senado — medida que teria impacto orçamentário em curto prazo e deixaria pouco tempo para adaptação. Em contrapartida, Motta se comprometeu a dedicar-se pessoalmente até o final do ano para analisar um reajuste no Simples Nacional, regime que abrange empresas maiores. Reconheceu que essa proposta tem impacto orçamentário muito superior ao do MEI e que não há previsão de recursos para ela no momento, mas prometeu que não haverá prejuízo.
O impacto fiscal das medidas foi calculado. O aumento do teto custará R$ 1,57 bilhão em 2027, R$ 3,15 bilhões em 2028 e R$ 3,38 bilhões em 2029. O perdão de dívidas representará R$ 1,12 bilhão em 2027, R$ 1,01 bilhão em 2028 e R$ 909,4 milhões em 2029. Ambas as propostas entram em vigor em 1º de janeiro de 2027. O texto foi relatado pelo deputado Rubens Pereira Júnior, do PT do Maranhão. Agora a palavra é do Senado, que terá de avaliar se mantém, modifica ou rejeita o que a Câmara aprovou.
Citazioni salienti
Com a perspectiva de aprovação da PEC do fim da escala 6x1 pelo Senado, nós deveríamos, até para não prejudicar os pequenos e por termos apenas 60 dias de transição depois da promulgação da PEC, avançar com a questão do MEI— Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados
Assumo o compromisso com todos os partidos desta Casa de que me dedicarei pessoalmente para que, até o final do ano, possamos tratar do reajuste das empresas no regime do Simples Nacional. Não haverá prejuízo algum— Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados