Parecia que eu estava morrendo lá fora. Estava realmente quente.
Sob um calor que ultrapassa os 32 graus Celsius, a Copa do Mundo de Clubes nos Estados Unidos revela uma tensão mais profunda do que qualquer placar: a de corpos humanos confrontando condições climáticas extremas em nome do espetáculo global. Jogadores, técnicos e torcedores adaptam-se como podem, enquanto a FIFA ensaia respostas que serão ainda mais urgentes na Copa de 2026. O torneio é, antes de tudo, um espelho — e o que ele reflete é o desafio crescente de conciliar o calendário do futebol com as realidades de um planeta mais quente.
- Uma onda de calor avança sobre as cidades-sede enquanto 35 das 63 partidas começam antes das 17h, com 15 delas ao meio-dia — o pico do calor.
- Jogadores relatam exaustão extrema em campo: Timothy Weah disse sentir que estava morrendo durante uma partida noturna, e reservas do Borussia Dortmund foram mantidos no vestiário para escapar do sol.
- Torcedores, incluindo crianças, abandonam as arquibancadas em busca de sombra e ar-condicionado, enquanto brasileiros reclamam de horários impensáveis em seu país de origem.
- Clubes como Real Madrid, Manchester City e Juventus adotam treinos de aclimatação intensiva, simulando umidade e calor extremos para preparar seus atletas.
- A FIFA implementa pausas obrigatórias para resfriamento, mas o torneio funciona como ensaio geral para 2026 — e as falhas estruturais já estão à vista.
No sábado passado, com o termômetro próximo dos 32 graus no Estádio TQL em Cincinnati, o Borussia Dortmund tomou uma decisão reveladora: seus reservas não sentariam no banco durante o primeiro tempo. Ficariam no vestiário, longe do sol. A foto compartilhada pelo clube — atletas em shorts ao redor de uma mesa com bebidas — resumia o desconforto que já marcava a Copa do Mundo de Clubes nos Estados Unidos.
O problema ia além do calor pontual. Das 63 partidas do torneio, 35 começariam antes das 17h no horário local, e 15 delas ao meio-dia. Oito das onze cidades-sede ficam na Costa Leste, região que enfrentaria temperaturas ainda mais altas nas semanas seguintes. Apenas dois jogos ao meio-dia seriam realizados no único estádio com cobertura. Luis Enrique, técnico do PSG, foi direto após a estreia contra o Atlético de Madrid em Los Angeles, iniciada ao meio-dia: o calor havia claramente influenciado o jogo.
Os clubes responderam com criatividade e rigor. O Real Madrid instalou tendas aquecidas em Miami para simular condições entre 35 e 50 graus com umidade crescente. O Manchester City realizava treinos de quase duas horas no calor da Flórida. A Juventus ajustava seus horários para coincidir com os piores momentos do dia. Phil Foden revelou que sua equipe tentava manter mais posse de bola como estratégia de sobrevivência climática.
Nas arquibancadas, o sofrimento era igualmente visível. No jogo do Palmeiras contra o Al Ahly no MetLife Stadium, iniciado ao meio-dia, torcedores circulavam em busca de sombra e lotavam o interior do estádio no intervalo. Torcedores brasileiros estranhavam horários impensáveis em seu país; famílias do Al Ahly buscavam refúgio com crianças no colo.
A FIFA havia previsto pausas para resfriamento quando o índice combinado de calor, umidade, vento e radiação ultrapassasse 32 graus — intervalos de 90 segundos a três minutos por volta dos minutos 30 e 75. Mas o torneio carregava um peso maior: era um ensaio para a Copa de 2026, que ocorrerá na mesma época do ano nos EUA, Canadá e México. Aurelien Tchouameni sintetizou a resignação coletiva: era difícil, mas era preciso se acostumar — porque no ano seguinte a Copa do Mundo também estaria ali.
No sábado passado, quando o termômetro chegou perto dos 32 graus no Estádio TQL em Cincinnati, o Borussia Dortmund tomou uma decisão inusitada: seus jogadores reservas não se sentariam no banco durante o primeiro tempo. Em vez disso, permaneceriam no vestiário, longe do sol escaldante. A equipe alemã compartilhou a decisão nas redes sociais acompanhada de uma foto dos atletas em shorts e camisetas ao redor de uma mesa com bebidas — uma imagem que resumia bem o desconforto extremo que marcava a Copa do Mundo de Clubes nos Estados Unidos.
O calor não era novidade. Desde a primeira semana do torneio, jogadores, técnicos e torcedores já enfrentavam temperaturas altas. Mas agora uma onda de calor se aproximava dos locais onde os jogos aconteciam, tornando as condições ainda mais severas. Luis Enrique, técnico do Paris Saint-Germain, foi direto ao ponto após a partida de abertura contra o Atlético de Madrid em Los Angeles, que começou ao meio-dia: a temperatura havia claramente influenciado o jogo. O horário era conveniente para o público europeu, mas os times estavam sofrendo.
O problema estrutural era evidente nos números. Das 63 partidas do torneio, 35 começariam antes das 17h no horário local. Quinze delas iniciariam ao meio-dia — justamente quando o calor é mais intenso. Oito das onze cidades-sede ficam na Costa Leste, região que enfrentaria temperaturas ainda mais altas na semana seguinte. Apenas dois dos jogos ao meio-dia seriam realizados no Mercedes-Benz Stadium em Atlanta, o único estádio participante com cobertura. Os demais times e torcedores enfrentariam o sol aberto.
Os clubes começaram a se adaptar. O Real Madrid instalou tendas aquecidas em sua base de treinamento em Miami para simular as condições que seus jogadores enfrentariam — estruturas onde as temperaturas variavam de 35 a 50 graus Celsius e a umidade subia de 30% para 80% ao final de cada sessão. O Manchester City realizava longas sessões de treino no calor intenso da Flórida, com Pep Guardiola conduzindo treinos de quase duas horas com temperaturas acima de 32 graus. A Juventus ajustava seus horários de treino para coincidir com os horários de início dos jogos, expondo os jogadores deliberadamente ao calor mais intenso do dia. Phil Foden, do Manchester City, revelou que sua equipe tentava jogar com mais posse de bola para lidar com as condições. Timothy Weah, atacante americano, foi mais cru: após jogar apenas um tempo contra a Juventus em Washington, disse aos repórteres que parecia estar morrendo em campo — e isso apesar do jogo ter começado às 21h.
Os torcedores também sofriam. No jogo do Palmeiras contra o Al Ahly no MetLife Stadium em Nova Jersey, que começou ao meio-dia, os espectadores se movimentavam constantemente em busca de áreas sombreadas. No intervalo, lotavam o interior do estádio procurando ar-condicionado e água. Torcedores brasileiros que viajaram reclamaram do horário — no Brasil, jogos de campeonato não começam antes das 16h ou 17h. Muitos torcedores do Al Ahly levaram crianças e passaram parte da partida buscando refúgio do calor.
A FIFA havia incluído pausas para resfriamento em seu regulamento. Quando uma medida que considerava calor, umidade, vento e luz solar ultrapassava 32 graus no campo, pausas eram implementadas por volta dos minutos 30 e 75, durando entre 90 segundos e três minutos. Nessas pausas, jogadores se hidratavam e usavam toalhas de gelo. A entidade afirmou que seus especialistas médicos estavam em contato regular com os clubes para gerenciar o calor e trabalhavam com autoridades médicas locais.
Mas este torneio era mais do que uma competição — era um teste. A Copa do Mundo de 2026 seria disputada simultaneamente nos Estados Unidos, Canadá e México na mesma época do ano. A forma como a FIFA abordaria a proteção de jogadores e torcedores nessas condições extremas seria observada de perto. Aurelien Tchouameni, meio-campista do Real Madrid, resumiu a resignação: era difícil, mas tinham que se acostumar porque o torneio estava ali, e no próximo ano a Copa do Mundo também estaria. O Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA já colaborava com a FIFA para desenvolver planos para as onze cidades americanas que sediariam jogos em 2026. Uma vantagem: alguns estádios não utilizados neste verão, como o AT&T Stadium em Dallas e o NRG Stadium em Houston, possuem cobertura.
Notable Quotes
A partida foi claramente influenciada pela temperatura. O horário é ótimo para o público europeu, mas os times estão sofrendo.— Luis Enrique, técnico do Paris Saint-Germain
É difícil, mas temos que nos acostumar porque o torneio está aqui, e no próximo ano a Copa do Mundo também estará aqui.— Aurelien Tchouameni, meio-campista do Real Madrid
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que o Borussia Dortmund manteve seus reservas no vestiário? Isso não é extremo demais?
Não era uma decisão caprichosa. Quando você tem 32 graus e sol direto, cada minuto de exposição desnecessária é um risco. Eles estavam sendo práticos — preservar energia e hidratação para quem realmente precisaria jogar.
Mas os torcedores não tinham essa opção, certo?
Exatamente. Os torcedores estavam expostos. Muitos se movimentavam o tempo todo procurando sombra, e no intervalo corriam para dentro do estádio em busca de ar-condicionado. Crianças sofrendo calor extremo em um jogo de futebol.
A FIFA tem algum plano real ou apenas essas pausas de resfriamento?
As pausas ajudam, mas são limitadas — 90 segundos a três minutos. O verdadeiro plano está sendo construído agora, para 2026. Eles estão trabalhando com meteorologistas americanos, escolhendo estádios cobertos quando possível. Este torneio é o laboratório.
Então os times estão se preparando como se soubessem que isso vai piorar?
Sabem que vai piorar. Real Madrid simulando 50 graus em tendas, Manchester City treinando no calor da Flórida — não é paranoia, é reconhecimento de que o próximo verão será igual ou pior.
E os jogadores europeus, que não estão acostumados?
Alguns sofrem mais. Mas até os brasileiros, que conhecem calor, reclamaram dos horários. Quando você joga ao meio-dia em um estádio aberto, não importa de onde você vem.