Em dezembro, o Brasil se encontra diante de uma convergência previsível: o calor intenso do verão e a luminosidade festiva do fim de ano pressionam juntos o sistema elétrico nacional. O Operador Nacional do Sistema Elétrico projeta crescimento de 11,3% na demanda de energia, enquanto especialistas alertam que o consumo individual pode subir entre 15% e 20%. É um momento em que o conforto coletivo e o custo invisível das celebrações se tornam inseparáveis — e a escolha de cada um pesa na conta de todos.
Calor e festas elevam consumo de energia; ONS prevê aumento de 11,3% em dezembro
Quando o termômetro sobe, não há escolha — é preciso ligar o ar-condicionado
Por que exatamente dezembro é tão diferente dos outros meses em termos de consumo de energia?
Porque tudo acontece ao mesmo tempo. O verão chega, o calor sobe, as pessoas saem de férias e ficam mais tempo em casa. Você liga o ar-condicionado, a geladeira trabalha mais, as luzes de Natal piscam a noite toda. É uma convergência perfeita de fatores que aumentam o consumo.
E se não houvesse onda de calor? A conta subiria mesmo assim?
Sim, mas menos. As festas e as férias por si só já aumentam o consumo em torno de 5% a 10%. O calor é o multiplicador. Quando você tem 42 graus, as pessoas não têm escolha — precisam ligar o ar-condicionado. Aí o crescimento pode chegar a 15% ou 20%.
Você mencionou que este ano não há escassez hídrica. Isso é realmente uma boa notícia?
Muito. Quando falta água, as hidrelétricas não conseguem gerar energia suficiente e o país precisa acionar as termoelétricas. Queimar combustível fóssil é muito mais caro e menos eficiente. As bandeiras amarela e vermelha que aparecem na conta vêm daí. Este ano, pelo menos, não temos esse problema.
Então a solução é simplesmente usar menos ar-condicionado?
Não é tão simples assim. Quando está 42 graus, pedir para as pessoas não usarem ar-condicionado é irreal. O que funciona é ser inteligente: manter a temperatura em 20 ou 23 graus em vez de 18, usar LED, desligar coisas que não está usando. Pequenas escolhas que, somadas, fazem diferença.
Qual é o impacto real na conta de um consumidor comum?
Depende muito de como a pessoa usa a energia. Alguém que deixa o ar-condicionado ligado o dia todo pode ver a conta dobrar. Quem é mais cuidadoso pode ter um aumento de 20% a 30%. O ONS prevê 11,3% de aumento na demanda geral do sistema, mas isso não significa que sua conta vai subir exatamente esse percentual — varia bastante.
O Pulso
- Uma onda de calor com temperaturas próximas a 42ºC em algumas cidades força o acionamento massivo de ar-condicionados e ventiladores em todo o país.
- O preço do ar-condicionado subiu 4,2% em novembro — a maior alta para o produto nesse mês desde a criação do real, em 1994.
- Decorações natalinas, férias escolares e reuniões familiares amplificam o consumo doméstico, mantendo aparelhos ligados por mais horas do que o habitual.
- A boa notícia é que os reservatórios hídricos estão em níveis adequados, evitando o acionamento das termoelétricas e a temida bandeira vermelha na conta de luz.
- Especialistas recomendam lâmpadas LED, ar-condicionado entre 20ºC e 23ºC e o desligamento de aparelhos ociosos como caminhos concretos para conter o impacto financeiro.
Em dezembro, o Brasil se encontra diante de uma convergência previsível: o calor intenso do verão e a luminosidade festiva do fim de ano pressionam juntos o sistema elétrico nacional. O Operador Nacional do Sistema Elétrico projeta crescimento de 11,3% na demanda de energia, enquanto especialistas alertam que o consumo individual pode subir entre 15% e 20%. É um momento em que o conforto coletivo e o custo invisível das celebrações se tornam inseparáveis — e a escolha de cada um pesa na conta de todos.
Dezembro chegou com suas luzes piscantes e um custo invisível embutido no brilho das decorações: a conta de luz do mês seguinte. O Operador Nacional do Sistema Elétrico projeta alta de 11,3% na demanda de energia em relação ao mesmo período do ano anterior, impulsionada por dois fatores que se reforçam mutuamente — o calor extremo e a natureza festiva do mês.
Uma nova onda de calor atinge especialmente o Sul e o Centro-Oeste, com temperaturas que podem chegar a 42ºC em algumas cidades, potencialmente um recorde para dezembro. Edson Grandisoli, doutor em Educação e Sustentabilidade pela USP, explica que o consumo tende a crescer entre 15% e 20% em períodos assim, com o uso intensificado de ar-condicionados e geladeiras. Em novembro, o país já havia batido um recorde de demanda: 101.475 megawatts.
O impacto financeiro é concreto. O IPCA registrou alta na conta de luz em novembro, com reajustes em Goiânia, Brasília, São Paulo e Porto Alegre. O preço do ar-condicionado subiu 4,2% — a maior alta para novembro desde 1994 — e acumula quase 14% de aumento no ano, contra 4% da inflação geral.
Há, porém, um alívio: os reservatórios hídricos estão em boas condições, dispensando o acionamento em larga escala das termoelétricas — que, quando entram em operação, elevam ainda mais as tarifas e acionam as bandeiras amarela e vermelha. Para quem quer equilibrar celebração e economia, a orientação é clara: lâmpadas LED, aproveitamento da luz natural, aparelhos desligados quando ociosos e ar-condicionado mantido entre 20ºC e 23ºC. Não é necessário gelar o ambiente — apenas torná-lo confortável. O resto é escolha.
Dezembro chegou com as luzes piscantes das decorações natalinas enfeitando casarões e vitrines por toda parte. É uma cena tradicional, quase obrigatória no final do ano. Mas há um custo invisível naquele brilho constante: a conta de luz que virá no mês que vem. O Operador Nacional do Sistema Elétrico divulgou na sexta-feira passada uma projeção que não surpreende quem acompanha esses ciclos: a demanda por energia elétrica deve crescer 11,3% em dezembro em relação ao mesmo período do ano anterior, impulsionada por dois fatores que se reforçam mutuamente.
O primeiro é o calor. Uma nova onda de calor varre o país, especialmente nas regiões Sul e Centro-Oeste, com previsões do Instituto Nacional de Meteorologia apontando para temperaturas próximas aos 42 graus Celsius em algumas cidades — potencialmente um recorde para o mês. Quando o termômetro sobe assim, as pessoas ligam o ar-condicionado com mais frequência, aumentam a potência das geladeiras para manter os alimentos frescos, acionam ventiladores. Edson Grandisoli, coordenador pedagógico do Movimento Circular e doutor em Educação e Sustentabilidade pela Universidade de São Paulo, explica que esse padrão é bem conhecido: o consumo tende a crescer entre 15% e 20% durante períodos de calor intenso.
O segundo fator é a própria natureza de dezembro. As festas de Natal e Ano-Novo, as férias escolares, as reuniões familiares — tudo isso significa mais gente em casa, mais aparelhos ligados, mais tempo de permanência nos ambientes. Soma-se a isso a decoração natalina, com seus pisca-piscas e iluminações que funcionam durante horas. Em novembro, durante a última onda de calor, o país já havia batido um recorde: a demanda atingiu 101.475 megawatts. Agora, com a chegada do verão no dia 22 de dezembro, as temperaturas tendem a subir ainda mais.
O impacto financeiro já é visível. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo registrou alta no valor da conta de luz em novembro, puxada principalmente por reajustes em Goiânia, Brasília, São Paulo e Porto Alegre. O preço do ar-condicionado, em particular, subiu 4,2% — a maior alta para o produto em meses de novembro desde 1994, quando o real foi criado. No acumulado do ano até novembro, o ar-condicionado ficou 13,97% mais caro, enquanto a inflação geral foi de apenas 4,04%.
Há uma boa notícia nesse cenário: diferentemente de anos anteriores, o país não enfrenta escassez hídrica. Isso significa que as hidrelétricas podem funcionar normalmente, sem necessidade de acionar as termoelétricas em larga escala. Quando as termoelétricas entram em operação — queimando carvão e derivados de petróleo — a conta sobe ainda mais. É daí que vêm as bandeiras amarela e vermelha que todo consumidor conhece bem na hora de pagar a fatura.
Para quem quer reduzir o impacto na conta, os especialistas oferecem orientações práticas. Usar lâmpadas LED de baixo consumo é essencial — além de economizarem energia, geram menos calor nos ambientes, reduzindo a necessidade de ar-condicionado. Desligar luzes em ambientes desocupados, aproveitar a luz natural durante o dia, desativar aparelhos quando não estão em uso: são medidas simples que somam. Para o ar-condicionado especificamente, fazer limpeza regular e manter a temperatura entre 20 e 23 graus Celsius aumenta a eficiência. Grandisoli enfatiza um ponto importante: não é necessário deixar o ambiente gelado. Um espaço confortável, mas não excessivamente frio, reduz tanto a demanda quanto a fatura final.
O mês que vem será um teste de equilíbrio: celebrar o fim de ano sem deixar a conta de luz explodir. Não é impossível, mas exige atenção. Os números do ONS já estão na mesa. Agora é questão de escolha individual.
Citações Notáveis
Essa relação é bem conhecida e tende a gerar um aumento no consumo que pode chegar de 15% a 20%— Edson Grandisoli, coordenador pedagógico do Movimento Circular e doutor em Educação e Sustentabilidade pela USP
Uma vez que a gente começa a utilizar termoelétrica, queimar carvão, queimar derivados de petróleo, há uma tendência de a conta aumentar ainda mais— Edson Grandisoli