Caiado corre risco de ficar sem palanque na Bahia logo após lançamento presidencial

Mal teve seu nome confirmado e já corre risco de ficar sem palanque
A situação de Ronaldo Caiado na Bahia logo após seu lançamento presidencial pelo PSD.
Mark

Por que a Bahia é tão importante para Caiado neste momento?

Mimi

Porque é um estado grande, populoso, e historicamente petista. Qualquer candidato presidencial precisa de visibilidade nos redutos adversários. Sem palanque lá, Caiado fica invisível.

Mark

Mas por que o PSD baiano fechou a porta tão rápido?

Mimi

Porque o partido estadual já tinha feito suas contas. Jerônimo é governador forte, Lula é presidente. Apoiar Caiado seria ir contra a maré local. Não faz sentido eleitoral.

Mark

E ACM Neto? Por que ele não pode simplesmente apoiar os dois?

Mimi

Porque o PL não quer isso. Flávio Bolsonaro é a aposta deles na Bahia. Se Neto dividisse o palanque com Caiado, estaria enfraquecendo Flávio. O PL não vai aceitar.

Mark

Então Caiado fica sem nada?

Mimi

Pode ficar. A menos que negocie algo muito criativo — mas as negociações nem começaram ainda. E quanto mais tempo passa, mais difícil fica.

Mark

Isso significa que o lançamento presidencial de Caiado já nasce fraco?

Mimi

Não necessariamente fraco, mas sem uma das peças que ele precisava. A Bahia não é tudo, mas é simbólico. É o sinal de que nem tudo está sob controle.

  • Caiado foi lançado candidato presidencial há poucos dias e já encontra um dos estados mais importantes do Nordeste praticamente fechado para sua campanha.
  • O PSD baiano, sob Otto Alencar, declarou apoio total a Lula e Jerônimo Rodrigues, tornando impossível que o partido abrigue um candidato presidencial de oposição em seu próprio estado.
  • ACM Neto, a alternativa natural de palanque, formalizou aliança com o PL e reservou vagas ao Senado para nomes bolsonaristas, deixando pouco espaço para acomodar Caiado.
  • Kassab sinalizou que Caiado poderia apoiar ACM Neto, mas as negociações concretas sequer começaram — e quando começarem, dependerão de uma aprovação do PL considerada improvável.
  • O PL não tem incentivo para compartilhar palanque com um candidato de centro que pode fragmentar o voto da direita, tornando o impasse estrutural, não apenas logístico.

Em política, o espaço nunca é neutro — ele é sempre ocupado por lealdades anteriores. Ronaldo Caiado, recém-lançado candidato à presidência pelo PSD, descobre isso na Bahia, onde as portas se fecham antes mesmo de ele bater: o PSD baiano já se comprometeu com Lula, e ACM Neto, sua outra esperança de palanque, selou aliança com o PL de Bolsonaro. O governador de Goiás enfrenta, assim, o paradoxo do candidato de centro — amplo o suficiente para dialogar com muitos, mas estreito demais para caber nos arranjos já firmados.

Ronaldo Caiado mal havia sido lançado candidato presidencial pelo PSD quando a Bahia começou a lhe fechar as portas. O estado, um dos maiores redutos petistas do país, apresenta ao governador de Goiás um cenário de alianças já consolidadas que deixam pouco espaço para sua campanha.

O primeiro obstáculo veio de dentro do próprio partido: o diretório estadual do PSD na Bahia, liderado pelo senador Otto Alencar, declarou apoio integral à reeleição de Jerônimo Rodrigues e de Lula, ambos do PT. Com isso, o partido baiano não terá como abraçar um candidato presidencial de oposição — mesmo que esse candidato seja do PSD nacional.

A outra saída possível seria ACM Neto, ex-prefeito de Salvador e figura de peso no União Brasil, com quem Caiado mantém boa relação e histórico de proximidade partidária. Mas Neto também não está disponível: na segunda-feira, 30 de março, ele lançou sua pré-candidatura ao governo estadual em aliança com o PL, reservando vagas ao Senado para João Roma e Ângelo Coronel, e indicando Zé Cocá como vice.

Gilberto Kassab já havia mencionado publicamente que Caiado poderia apoiar ACM Neto como estratégia viável na Bahia. O problema é que Neto já prometeu palanque a Flávio Bolsonaro — e abrir espaço simultâneo para Caiado exigiria a aprovação do PL, partido que não tem interesse em fortalecer um candidato de centro capaz de dividir o voto da direita. As negociações ainda não começaram, e o caminho, quando se abrir, promete ser tortuoso.

Ronaldo Caiado mal teve tempo de respirar como candidato presidencial do PSD quando a Bahia começou a lhe fechar as portas. O governador de Goiás, oficialmente lançado há poucos dias, enfrenta agora um cenário político complexo no estado que é considerado um dos redutos mais petistas do país — e isso pode significar ficar sem um palanque relevante para sua campanha.

O problema começou quando o diretório estadual do PSD na Bahia, sob liderança do senador Otto Alencar, declarou apoio integral às reeleições do governador Jerônimo Rodrigues e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ambos do PT. Essa decisão fechou uma porta importante para Caiado, já que o partido baiano não terá espaço para abraçar um candidato presidencial de oposição.

A outra possibilidade viável de palanque na Bahia seria ACM Neto, ex-prefeito de Salvador filiado ao União Brasil. Mas Neto também não está disponível para Caiado. Nesta segunda-feira, 30 de março, Neto lançou sua pré-candidatura ao governo estadual em aliança com o PL, o partido de Jair Bolsonaro. Nessa coligação, uma vaga de Senado foi reservada para João Roma, ex-ministro da Cidadania no governo Bolsonaro, também pelo PL. A outra vaga ficou com Ângelo Coronel, do Republicanos, que recentemente deixou o PSD. A vice é Zé Cocá, ex-prefeito de Jequié pelo Progressistas.

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, já havia mencionado a possibilidade de Caiado apoiar ACM Neto como uma estratégia viável. Caiado, aliás, tem histórico que poderia facilitar isso: foi filiado ao União Brasil e mantém boa relação com Neto. Mas as negociações concretas ainda não começaram, segundo interlocutores do partido. Quando começarem, Caiado seria a peça-chave para articulá-las.

O obstáculo, porém, é formidável. Se ACM Neto abrisse um palanque para Caiado, teria que fazer isso simultaneamente com o palanque que já prometeu a Flávio Bolsonaro — criando uma situação de dupla lealdade que exigiria aprovação do PL. Essa aprovação, segundo análises internas, seria difícil de conseguir. O partido de Bolsonaro não tem interesse em fortalecer um candidato presidencial de centro que possa dividir votos com a direita.

O PSD baiano declarou que toda sua bancada apoiará as reeleições de Jerônimo Rodrigues e Lula
— Senador Otto Alencar, líder do PSD na Bahia
Uma negociação para Caiado apoiar ACM Neto exigiria aprovação do PL para um palanque duplo, o que seria difícil
— Interlocutores do PSD
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