Em política, o espaço nunca é neutro — ele é sempre ocupado por lealdades anteriores. Ronaldo Caiado, recém-lançado candidato à presidência pelo PSD, descobre isso na Bahia, onde as portas se fecham antes mesmo de ele bater: o PSD baiano já se comprometeu com Lula, e ACM Neto, sua outra esperança de palanque, selou aliança com o PL de Bolsonaro. O governador de Goiás enfrenta, assim, o paradoxo do candidato de centro — amplo o suficiente para dialogar com muitos, mas estreito demais para caber nos arranjos já firmados.
Caiado corre risco de ficar sem palanque na Bahia logo após lançamento presidencial
Mal teve seu nome confirmado e já corre risco de ficar sem palanque
Por que a Bahia é tão importante para Caiado neste momento?
Porque é um estado grande, populoso, e historicamente petista. Qualquer candidato presidencial precisa de visibilidade nos redutos adversários. Sem palanque lá, Caiado fica invisível.
Mas por que o PSD baiano fechou a porta tão rápido?
Porque o partido estadual já tinha feito suas contas. Jerônimo é governador forte, Lula é presidente. Apoiar Caiado seria ir contra a maré local. Não faz sentido eleitoral.
E ACM Neto? Por que ele não pode simplesmente apoiar os dois?
Porque o PL não quer isso. Flávio Bolsonaro é a aposta deles na Bahia. Se Neto dividisse o palanque com Caiado, estaria enfraquecendo Flávio. O PL não vai aceitar.
Então Caiado fica sem nada?
Pode ficar. A menos que negocie algo muito criativo — mas as negociações nem começaram ainda. E quanto mais tempo passa, mais difícil fica.
Isso significa que o lançamento presidencial de Caiado já nasce fraco?
Não necessariamente fraco, mas sem uma das peças que ele precisava. A Bahia não é tudo, mas é simbólico. É o sinal de que nem tudo está sob controle.
O Pulso
- Caiado foi lançado candidato presidencial há poucos dias e já encontra um dos estados mais importantes do Nordeste praticamente fechado para sua campanha.
- O PSD baiano, sob Otto Alencar, declarou apoio total a Lula e Jerônimo Rodrigues, tornando impossível que o partido abrigue um candidato presidencial de oposição em seu próprio estado.
- ACM Neto, a alternativa natural de palanque, formalizou aliança com o PL e reservou vagas ao Senado para nomes bolsonaristas, deixando pouco espaço para acomodar Caiado.
- Kassab sinalizou que Caiado poderia apoiar ACM Neto, mas as negociações concretas sequer começaram — e quando começarem, dependerão de uma aprovação do PL considerada improvável.
- O PL não tem incentivo para compartilhar palanque com um candidato de centro que pode fragmentar o voto da direita, tornando o impasse estrutural, não apenas logístico.
Em política, o espaço nunca é neutro — ele é sempre ocupado por lealdades anteriores. Ronaldo Caiado, recém-lançado candidato à presidência pelo PSD, descobre isso na Bahia, onde as portas se fecham antes mesmo de ele bater: o PSD baiano já se comprometeu com Lula, e ACM Neto, sua outra esperança de palanque, selou aliança com o PL de Bolsonaro. O governador de Goiás enfrenta, assim, o paradoxo do candidato de centro — amplo o suficiente para dialogar com muitos, mas estreito demais para caber nos arranjos já firmados.
Ronaldo Caiado mal havia sido lançado candidato presidencial pelo PSD quando a Bahia começou a lhe fechar as portas. O estado, um dos maiores redutos petistas do país, apresenta ao governador de Goiás um cenário de alianças já consolidadas que deixam pouco espaço para sua campanha.
O primeiro obstáculo veio de dentro do próprio partido: o diretório estadual do PSD na Bahia, liderado pelo senador Otto Alencar, declarou apoio integral à reeleição de Jerônimo Rodrigues e de Lula, ambos do PT. Com isso, o partido baiano não terá como abraçar um candidato presidencial de oposição — mesmo que esse candidato seja do PSD nacional.
A outra saída possível seria ACM Neto, ex-prefeito de Salvador e figura de peso no União Brasil, com quem Caiado mantém boa relação e histórico de proximidade partidária. Mas Neto também não está disponível: na segunda-feira, 30 de março, ele lançou sua pré-candidatura ao governo estadual em aliança com o PL, reservando vagas ao Senado para João Roma e Ângelo Coronel, e indicando Zé Cocá como vice.
Gilberto Kassab já havia mencionado publicamente que Caiado poderia apoiar ACM Neto como estratégia viável na Bahia. O problema é que Neto já prometeu palanque a Flávio Bolsonaro — e abrir espaço simultâneo para Caiado exigiria a aprovação do PL, partido que não tem interesse em fortalecer um candidato de centro capaz de dividir o voto da direita. As negociações ainda não começaram, e o caminho, quando se abrir, promete ser tortuoso.
Ronaldo Caiado mal teve tempo de respirar como candidato presidencial do PSD quando a Bahia começou a lhe fechar as portas. O governador de Goiás, oficialmente lançado há poucos dias, enfrenta agora um cenário político complexo no estado que é considerado um dos redutos mais petistas do país — e isso pode significar ficar sem um palanque relevante para sua campanha.
O problema começou quando o diretório estadual do PSD na Bahia, sob liderança do senador Otto Alencar, declarou apoio integral às reeleições do governador Jerônimo Rodrigues e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ambos do PT. Essa decisão fechou uma porta importante para Caiado, já que o partido baiano não terá espaço para abraçar um candidato presidencial de oposição.
A outra possibilidade viável de palanque na Bahia seria ACM Neto, ex-prefeito de Salvador filiado ao União Brasil. Mas Neto também não está disponível para Caiado. Nesta segunda-feira, 30 de março, Neto lançou sua pré-candidatura ao governo estadual em aliança com o PL, o partido de Jair Bolsonaro. Nessa coligação, uma vaga de Senado foi reservada para João Roma, ex-ministro da Cidadania no governo Bolsonaro, também pelo PL. A outra vaga ficou com Ângelo Coronel, do Republicanos, que recentemente deixou o PSD. A vice é Zé Cocá, ex-prefeito de Jequié pelo Progressistas.
O presidente do PSD, Gilberto Kassab, já havia mencionado a possibilidade de Caiado apoiar ACM Neto como uma estratégia viável. Caiado, aliás, tem histórico que poderia facilitar isso: foi filiado ao União Brasil e mantém boa relação com Neto. Mas as negociações concretas ainda não começaram, segundo interlocutores do partido. Quando começarem, Caiado seria a peça-chave para articulá-las.
O obstáculo, porém, é formidável. Se ACM Neto abrisse um palanque para Caiado, teria que fazer isso simultaneamente com o palanque que já prometeu a Flávio Bolsonaro — criando uma situação de dupla lealdade que exigiria aprovação do PL. Essa aprovação, segundo análises internas, seria difícil de conseguir. O partido de Bolsonaro não tem interesse em fortalecer um candidato presidencial de centro que possa dividir votos com a direita.
Citações Notáveis
O PSD baiano declarou que toda sua bancada apoiará as reeleições de Jerônimo Rodrigues e Lula— Senador Otto Alencar, líder do PSD na Bahia
Uma negociação para Caiado apoiar ACM Neto exigiria aprovação do PL para um palanque duplo, o que seria difícil— Interlocutores do PSD