Caiado acusa Lula de manter crise para ganho político; Campos defende atuação federal

Não dá mais para ficar numa situação híbrida
Caiado anuncia ruptura definitiva do União Brasil com o governo federal após próxima reunião da executiva do partido.
Mark

Caiado realmente acredita que Lula quer manter essa crise, ou é uma acusação política pura?

Mimi

Caiado está argumentando que há um incentivo político para Lula — ganhos de popularidade nas pesquisas. Mas ele também reconhece que a crise traz consequências econômicas reais e sérias. Não é que ele ache que Lula criou a crise; é que acha que o presidente não tem pressa em resolvê-la.

Luke

Mas isso é especulação sobre motivação, não é? Caiado não apresenta evidência de que Lula está deliberadamente prolongando negociações. Campos diz o oposto — que Lula quer resolver rápido, mas os EUA não querem conversar. Qual deles está certo depende de informações que não temos neste debate.

Mark

E quanto à questão de Moraes e as sanções americanas? Caiado parece estar dizendo que ambos os lados exageraram.

Mimi

Exatamente. Ele usa uma metáfora médica — o remédio que cura é o mesmo que mata, tudo depende da dose. Está criticando tanto a tornozeleira quanto as sanções Magnitsky como excessos que deterioram o relacionamento entre Brasil e EUA.

Luke

Mas ele não oferece um critério claro para qual seria a dose certa. É fácil dizer que ambos os lados exageraram; é mais difícil dizer exatamente o que deveria ter acontecido em vez disso.

Mark

Caiado está anunciando uma ruptura com o governo. Isso é significativo?

Mimi

Muito. Ele diz que o União Brasil vai romper de forma definitiva, entregar cargos, e lançar uma pré-candidatura para 2026. É o fim de uma situação híbrida — o partido estava dentro e fora ao mesmo tempo.

Luke

Mas ele já vinha criticando o governo há tempos. A pergunta é se essa ruptura muda algo no equilíbrio político real, ou se é apenas formalizar o que já era verdade na prática. Também não sabemos ainda se o PP vai junto ou se vai ficar.

Mark

A PEC da Segurança Pública parece ser um ponto de divisão real entre eles.

Mimi

Sim. Caiado vê como centralização indevida — o governo federal querendo controlar políticas estaduais que não sabe executar. Campos reconhece que há competência municipal e estadual, mas defende uma política federal forte em colaboração.

Luke

O que não fica claro é se a PEC foi realmente retirada ou se Caiado está sendo otimista. Ele diz "ela não vai passar e foi retirada a intervenção", mas isso é uma previsão ou um fato consumado? Precisa verificação.

  • Caiado acusa Lula de manter crise tarifária para ganhos de popularidade nas pesquisas
  • Campos defende que Lula busca resolver a situação, mas EUA não querem conversar
  • União Brasil romperá definitivamente com governo em breve, segundo Caiado
  • Caiado critica PEC da Segurança Pública por centralizar atribuições estaduais no governo federal

Caiado afirma que manter a crise tarifária interessa a Lula por ganhos de popularidade nas pesquisas, alertando para consequências econômicas sérias. Campos rebate defendendo que Lula busca resolver a situação e critica Trump por usar crise como 'cortina de fumaça' contra instituições brasileiras.

Governador de Goiás e prefeito de Recife divergem sobre responsabilidade na crise do tarifaço: Caiado acusa Lula de manter crise para ganho político, enquanto Campos defende atuação do governo federal.

Ronaldo Caiado e João Campos ocuparam a mesa de debates Diálogos O GLOBO nesta sexta-feira para encerrar uma semana de conversas entre lideranças políticas sobre polarização e futuro do país. Os dois homens públicos chegaram com visões radicalmente opostas sobre quem carrega responsabilidade pela crise tarifária que assola o Brasil desde que Donald Trump formalizou novas impostos sobre produtos brasileiros.

Caiado, governador de Goiás pelo União Brasil, foi direto: manter a crise do tarifaço serve aos interesses de Luiz Inácio Lula da Silva. O raciocínio do governador é que o presidente petista colheu ganhos de popularidade nas pesquisas ao se posicionar em contraposição ao mandatário americano. "Essa crise interessa ao Lula mantê-la, porque teve crescimento de popularidade nas pesquisas. Mas essa é uma crise que pode impor a nós sérias consequências econômicas, não pode ficar de brincadeira", afirmou Caiado, mediado pela jornalista Vera Magalhães.

João Campos, prefeito de Recife e filiado ao PSB, respondeu em defesa do governo federal. Para ele, tanto Lula quanto o vice-presidente Geraldo Alckmin, seu correligionário no mesmo partido, trabalham genuinamente para resolver a situação. Campos acusou Trump de usar a crise como cortina de fumaça para atacar instituições brasileiras e deslocar responsabilidade para o governo anterior de Jair Bolsonaro. "Lula está com visão muito lúcida disso: sabe que é um absurdo o que foi feito, mas precisa buscar uma alternativa. A questão é que hoje os EUA não querem conversar. O presidente não quer prolongar isso, quer resolver o quanto antes", respondeu Campos.

O debate também tocou em questões de soberania institucional. Quando questionado sobre as sanções impostas pelos Estados Unidos contra o ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal, Caiado reconheceu que ambos os lados perderam a medida. Criticou tanto a decisão de impor tornozeleira eletrônica a Bolsonaro quanto a aplicação de sanções Magnitsky contra o magistrado brasileiro. "O remédio que cura é o mesmo que mata. A diferença é a dose. O que aconteceu? Perderam o limite na dose de ambos os lados", disse Caiado, argumentando que o país deveria discutir causas, não sintomas.

Caiado aproveitou o espaço para anunciar uma ruptura política iminente. Conversou na semana anterior com Antônio de Rueda, presidente do União Brasil, e Ciro Nogueira, presidente do PP, sobre uma decisão já tomada: na próxima reunião da executiva do partido, o União Brasil romperá de maneira definitiva com a estrutura de governo. "Não dá mais para ficar numa situação híbrida", declarou Caiado, sinalizando que o partido entregará cargos e lançará uma pré-candidatura para 2026.

A crítica do governador goiano se estendeu também à PEC da Segurança Pública, que ele vê como um presente ao crime organizado. Segundo Caiado, a medida centraliza atribuições dos estados no governo federal, que não possui estrutura para lidar com o tema. "A PEC da Segurança veio como presente de Natal para o PCC, tanto é que ela não vai passar e foi retirada a intervenção que eles queriam colocar sobre os estados", afirmou, argumentando que a proposta buscava apenas criar subordinação das políticas estaduais a uma política federal ineficaz.

Campos, por sua vez, reconheceu a competência dos municípios sobre segurança pública em colaboração com governos estaduais, defendendo a aplicação de políticas públicas fortes. Citou o exemplo das UPPs no Rio de Janeiro, que deslocaram facções para outros estados como Bahia e Ceará, mas não penetraram Pernambuco graças a uma política de segurança territorial robusta. "Reconheço que parte da esquerda tem dificuldade nesse tema, assim como parte da direita. É preciso equilíbrio. E não se pode dar vez ao crime", disse o prefeito de Recife.

A série Diálogos O GLOBO começou na segunda-feira com o prefeito do Rio Eduardo Paes e o governador gaúcho Eduardo Leite, ambos do PSD, convergindo em críticas ao tarifaço e à ideia de anistia para Bolsonaro, mas divergindo sobre o empenho do governo Lula em cortes de gastos. Na quinta-feira, os governadores Romeu Zema, de Minas Gerais, e Rafael Fonteles, do Piauí, debateram a crise Brasil-Estados Unidos, concordando sobre os efeitos econômicos das novas tarifas mas divergindo sobre suas causas.

Essa crise interessa ao Lula mantê-la, porque teve crescimento de popularidade nas pesquisas. Mas essa é uma crise que pode impor a nós sérias consequências econômicas, não pode ficar de brincadeira
— Ronaldo Caiado, governador de Goiás
Lula está com visão muito lúcida disso: sabe que é um absurdo o que foi feito, mas precisa buscar uma alternativa. A questão é que hoje os EUA não querem conversar. O presidente não quer prolongar isso, quer resolver o quanto antes
— João Campos, prefeito de Recife
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