BTG executa garantia na Rio Alto e toma três usinas solares na Paraíba

A Rio Alto está em busca ativa de um comprador para toda a operação
A empresa enfrenta pressão para vender até o final do ano conforme seu plano de recuperação extrajudicial.

No cruzamento entre a crise financeira e a transição energética, o BTG Pactual executou sua garantia sobre três usinas solares da Rio Alto na Paraíba, assumindo o controle de 150 megawatts de capacidade instalada após o não pagamento de um empréstimo de R$ 320,9 milhões junto ao Banco do Nordeste. O movimento revela a fragilidade de geradoras renováveis pressionadas por curtailment e custos operacionais crescentes, ao mesmo tempo em que abre uma janela para investidores que enxergam valor estratégico nesses ativos em um mercado de armazenamento de energia em expansão. A história da Rio Alto é, em essência, a de um setor que cresce mais rápido do que sua estrutura financeira consegue sustentar.

  • O BTG Pactual tomou posse de três SPEs do complexo solar Santa Luzia após a Rio Alto não honrar dívida de R$ 320,9 milhões garantida pelo banco junto ao BNB.
  • A empresa acumula R$ 1,7 bilhão em dívidas reestruturadas e sofre com curtailment e custos de modulação que corroem suas margens operacionais.
  • Fundos como IG4 Capital, Strivo e Electra demonstraram interesse na aquisição, mas nenhuma negociação avançou até o fechamento.
  • O plano de recuperação extrajudicial, ainda pendente de homologação, impõe prazo até dezembro para a conclusão da venda dos ativos.
  • Investidores monitoram o leilão de baterias previsto para o mesmo período, pois a infraestrutura de conexão da Rio Alto — ligada a 406 MW instalados — pode ganhar valor estratégico no mercado de armazenamento.

O BTG Pactual acionou sua garantia sobre a Rio Alto e assumiu o controle de três usinas solares na Paraíba, parte do complexo Santa Luzia, que soma 150 megawatts de potência. A medida decorre de um empréstimo de R$ 320,9 milhões que a Rio Alto contraiu junto ao Banco do Nordeste, com o BTG atuando como fiador. Quando a empresa deixou de honrar seus compromissos, o banco executou a alienação fiduciária das ações das três Sociedades de Propósito Específico. Ainda existe uma janela para recompra, mas o desembolso integral necessário torna essa saída improvável.

A crise da Rio Alto tem camadas. Além do empréstimo do BNB, o BTG havia garantido, ao lado de Safra e Sumitomo, uma emissão de debêntures de R$ 465 milhões. O não pagamento transformou os três bancos em credores diretos da companhia. A XP já havia percorrido caminho semelhante e hoje controla as usinas do Complexo Coremas, também na Paraíba. No total, o plano de recuperação extrajudicial — ainda aguardando homologação — envolve a reestruturação de R$ 1,7 bilhão em dívida.

Operacionalmente, a empresa enfrenta o curtailment imposto pelo Operador Nacional do Sistema e os custos de modulação, pressões comuns ao setor renovável que comprimem margens e dificultam qualquer recuperação. A Rio Alto busca ativamente um comprador para toda a operação, com prazo até dezembro conforme o plano de reestruturação. IG4 Capital, Strivo e Electra já demonstraram interesse, sem que as conversas chegassem a um fechamento.

O que mantém o interesse do mercado é um ativo pouco óbvio: a subestação de conexão da Rio Alto, ligada a usinas com 406 megawatts instalados. Com o leilão de baterias previsto para dezembro, essa infraestrutura pode ganhar valor estratégico para compradores que buscam posição no mercado de armazenamento de energia — transformando uma crise financeira em uma oportunidade de posicionamento setorial.

O BTG Pactual acionou sua garantia sobre a Rio Alto, empresa de energia renovável em dificuldades, e tomou posse de três usinas solares localizadas na Paraíba. A ação faz parte de um acordo firmado dentro do plano de recuperação extrajudicial da companhia e decorre de um empréstimo de R$ 320,9 milhões que a Rio Alto contraiu junto ao Banco do Nordeste, com o BTG atuando como fiador.

As três Sociedades de Propósito Específico que o banco agora controla integram o complexo Santa Luzia, um conjunto de usinas que soma 150 megawatts de potência. O BTG detinha essas ações em alienação fiduciária, um mecanismo que permitiu a execução da garantia quando a Rio Alto não honrou seus compromissos. A empresa ainda possui uma janela para recomprar esses ativos, mas precisaria desembolsar o montante integral — uma opção que parece distante diante de suas dificuldades financeiras.

A Rio Alto está em busca ativa de um comprador para toda a operação. Nos últimos meses, fundos como IG4 Capital, a gestora Strivo e a Electra demonstraram interesse, mas as conversas não avançaram para fechamentos. O plano de recuperação extrajudicial, que ainda aguarda homologação, estabelece um cronograma claro: a venda deve ser concluída até o final deste ano. O plano envolve a reestruturação de R$ 1,7 bilhão em dívida, com redução de valores devidos aos credores.

Além da garantia sobre o empréstimo do Banco do Nordeste, o BTG havia fornecido fiança para uma emissão de debêntures de R$ 465 milhões, operação que realizou em conjunto com Safra e Sumitomo. Quando a Rio Alto deixou de pagar essa dívida, os debenturistas acionaram a fiança, transformando os três bancos em credores da empresa. A XP, outro banco de investimento, já havia executado suas próprias garantias e agora controla as ações das usinas do Complexo Coremas, também na Paraíba.

A Rio Alto enfrenta desafios operacionais que amplificam sua crise financeira. Como outras geradoras de energia renovável, a empresa sofre com o curtailment — a redução de geração determinada pelo Operador Nacional do Sistema — e com os custos de modulação, uma cobrança baseada na curva de consumo de energia. Esses fatores pressionam as margens e dificultam a recuperação.

Alguns investidores acompanham a situação da Rio Alto com atenção voltada para um evento futuro: o leilão de baterias previsto para dezembro. A companhia possui uma subestação de conexão ligada a usinas solares com capacidade instalada de 406 megawatts, um ativo que pode ganhar valor estratégico com a expansão do mercado de armazenamento de energia. Essa combinação de ativos — geração solar e infraestrutura de conexão — pode atrair compradores interessados em posicionar-se nesse segmento em crescimento.

A execução é parte de um acordo com a companhia dentro do plano de recuperação extrajudicial
— Apuração do Pipeline
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que o BTG precisou executar essa garantia agora? O que mudou na situação da Rio Alto?

Model

A Rio Alto simplesmente não conseguiu pagar. O empréstimo de R$ 320,9 milhões com o Banco do Nordeste virou inadimplência, e o BTG, como fiador, teve que honrar o compromisso. Mas em vez de apenas pagar, o banco acionou seu direito de tomar as usinas como garantia.

Inventor

Então o BTG agora é dono de três usinas solares na Paraíba?

Model

Tecnicamente, sim. O BTG controla as ações das três SPEs que operam essas usinas. Mas isso não é um negócio que o banco quer manter. Eles estão tentando vender, assim como a Rio Alto está tentando vender toda a companhia.

Inventor

A Rio Alto pode recuperar essas usinas?

Model

Teoricamente pode, se conseguir quitar o valor devido. Mas olhando para a situação — R$ 1,7 bilhão em dívida sendo reestruturada, curtailment reduzindo a receita — parece improvável que consigam reunir esse dinheiro.

Inventor

Qual é o atrativo para um comprador entrar agora?

Model

As usinas em si são bons ativos — 150 megawatts de energia solar em operação. Mas o grande atrativo é o timing: há um leilão de baterias em dezembro. Quem comprar a Rio Alto ganha não só a geração, mas também a subestação de conexão, que fica valiosa quando você tem armazenamento de energia no jogo.

Inventor

Por que ninguém fechou ainda, então?

Model

O preço provavelmente está alto demais, ou as dívidas são complicadas demais. IG4, Strivo, Electra — todos olharam e saíram. Quando você tem R$ 1,7 bilhão em dívida para reestruturar, o comprador precisa estar muito confiante de que consegue fazer a operação funcionar.

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