BRF cai 2,5% com nova compra da Marfrig, enquanto CVC salta 7% e siderúrgicas recuam na B3

A Vale paralisou trens no Ramal Fábrica Nova após notificação trabalhista, e a Zona de Autossalvamento da Barragem Xingu segue evacuada, sem presença permanente de pessoas.
A compra já era esperada; o espaço para mais é limitado
O Bradesco BBI avaliou a nova compra da Marfrig na BRF, que levou sua fatia a cerca de 31,66%.

Num dia em que a Bolsa brasileira voltou a tocar um patamar inédito, perto de 130 mil pontos, a história que mais chamou atenção foi a de uma disputa silenciosa por controle: a Marfrig ampliou sua fatia na BRF para cerca de 31,66%, e o mercado, que já antecipava o movimento, reagiu com cautela. É um retrato de como grandes apostas societárias ganham forma aos poucos, em rumores, fatos relevantes e avaliações de bancos, antes de se tornarem realidade. Ao mesmo tempo, a mineração e a siderurgia pagaram o preço de um minério em queda, enquanto setores ainda feridos pela pandemia, como turismo e shoppings, começavam a respirar.

Na sexta-feira, 4 de junho de 2021, o Ibovespa voltou a marcar máxima histórica, encostando nos 130 mil pontos. Ainda assim, uma das ações mais comentadas do dia foi a da BRF, que fechou em queda de 2,48%, depois de uma sequência de altas que começou com rumores de que a Marfrig vinha comprando seus papéis.

Os rumores se confirmaram com um fato relevante: a Marfrig elevou sua participação para cerca de 31,66%. O Bradesco BBI considerou a compra previsível e avaliou que a Marfrig já tem pouco espaço para avançar, já que uma oferta pela BRF exigiria cerca de R$ 18 bilhões, e a empresa tinha R$ 11 bilhões no primeiro trimestre.

No restante do pregão, a JBS recuou mesmo após anunciar que suas operações globais estavam plenamente retomadas depois de um ataque cibernético. Na mineração e na siderurgia, o minério em baixa puxou perdas de 1% a 3,5%. A Vale enfrentou um problema à parte: paralisou trens no Ramal Fábrica Nova após uma notificação trabalhista, com impacto de 40,5 mil toneladas diárias. A empresa diz que a barragem Xingu segue sem risco iminente de ruptura, mas a zona de autossalvamento continua evacuada.

Do outro lado, a CVC saltou mais de 7%, em sinal de recuperação de um setor duramente atingido pela pandemia, e os shoppings também subiram com força.

Na sexta-feira, 4 de junho de 2021, o Ibovespa voltou a marcar máxima histórica, encostando nos 130 mil pontos. Mesmo assim, uma das ações mais comentadas do pregão foi a da BRF (BRFS3), que fechou a R$ 28,65, em queda de 2,48%. Na mínima do dia, a perda chegou a 5,72%. O recuo interrompeu uma sequência de altas que começou no fim de maio, quando surgiram rumores de que a Marfrig (MRFG3) estava comprando papéis da empresa.

Os rumores se confirmaram. Em fato relevante divulgado na quinta-feira, a Marfrig informou que elevou sua participação na BRF para cerca de 31,66%. No mês anterior, havia comprado aproximadamente 24,23% do capital. As ações da Marfrig fecharam a R$ 18,72, queda de 1,27%.

O Bradesco BBI avaliou que a nova compra não surpreende, porque já havia sido antecipada pelos jornais, e que o espaço para adquirir mais ações agora é limitado. Segundo o banco, uma oferta de compra da BRF exigiria cerca de R$ 18 bilhões, enquanto a Marfrig tinha apenas R$ 11 bilhões no primeiro trimestre de 2021. O banco manteve avaliação neutra para a BRF, com potencial de valorização de 9% a partir de R$ 29,38. Para a Marfrig, manteve outperform e preço-alvo de R$ 25, diante de R$ 18,96.

A JBS (JBSS3) também recuou, 2,34%, a R$ 29,66, mesmo depois de informar na quinta que todas as suas instalações globais voltaram a operar plenamente. Um ataque cibernético em 30 de maio havia suspendido operações nos Estados Unidos e na Austrália. Segundo uma fonte ouvida pela Reuters, um conhecido grupo hacker ligado à Rússia está por trás do ataque. A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, disse que o tema deve ser discutido em uma cúpula com Vladimir Putin em meados de junho.

Na mineração e na siderurgia, o dia foi de perdas entre 1% e 3,5%, com o minério de ferro em baixa de 1,85% em Dalian, a 1.168,5 iuanes (US$ 182,29). A Vale (VALE3) caiu 1,66%, a R$ 112,90. A Metalúrgica Gerdau (GOAU4) liderou as quedas, com -3,20%, seguida de Gerdau (GGBR4, -2,79%), Usiminas (USIM5, -2,76%) e CSN (CSNA3, -2,08%). A CSN precificou uma oferta de US$ 850 milhões em títulos com vencimento em 2031 e juros de 4,625% ao ano, para recomprar papéis de 2023 e para fins corporativos.

A Vale também paralisou a circulação de trens no Ramal Fábrica Nova, da Estrada de Ferro Vitória a Minas, no Complexo Mariana, após notificação da Superintendência Regional do Trabalho que interditou atividades perto da barragem Xingu, da Mina Alegria. O impacto é de 40,5 mil toneladas diárias de finos de minério de ferro: 33 mil na Usina Timbopeba, que fica sem escoar a produção, e 7,5 mil por interdições de acessos internos da Mina Alegria. A empresa diz que a barragem segue no nível 2 do plano de emergência, sem risco iminente de ruptura, e que a Zona de Autossalvamento continua evacuada, sem presença permanente de pessoas.

No lado positivo, a CVC (CVCB3) saltou 7,41%, a R$ 27,11, sem notícia nova, em recuperação de uma empresa muito afetada pela pandemia. Operadoras de shoppings subiram forte: Multiplan (+4,80%), brMalls (+4,35%) e Iguatemi (+5,02%). A B3 avançou 1,35% após a CVM autorizar a ampliação do programa de BDRs para emissores listados em Londres, Amsterdam, Toronto e na Cboe BZX. Petrobras e PetroRio subiram com o Brent a US$ 71,63.

Entre outros destaques, a Raízen pediu registro para sua oferta inicial de ações, e a XP fechou acordo para ter 45% de uma nova corretora com a Monte Bravo. O Bradesco BBI vê espaço para mais consolidação no setor, e também na aviação, onde a Azul busca comprar a operação brasileira da Latam.

A compra de mais papéis da BRF pela Marfrig não causa surpresa e o espaço para novas compras é limitado; uma oferta exigiria cerca de R$ 18 bilhões.
— Bradesco BBI
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