O BRB não publica balanço há um ano e enfrenta rombo de R$ 8,8 bilhões, resultado de compra de ativos podres do Banco Master. O FGC condiciona empréstimo à publicação do balanço auditado, criando impasse que ameaça a viabilidade do banco estatal.
BRB aposta em Fux para convencer FGC a liberar R$ 6,6 bi sem balanço auditado
O banco aposta sua sobrevivência em uma aposta política
Por que o FGC insiste em um balanço auditado se o risco já é conhecido?
Porque sem números oficiais, ninguém sabe de verdade o tamanho do rombo. O FGC está sendo pedido para emprestar dinheiro a um banco que pode estar muito mais quebrado do que aparenta. É uma questão de responsabilidade fiduciária.
E por que o BRB não publica o balanço?
Porque publicar números ruins enquanto ainda está tentando avaliar os ativos comprados do Master seria admitir derrota antes de saber a extensão real do dano. É um jogo de tempo que o banco pode não ter.
Fux consegue realmente convencer o FGC a ignorar essa exigência?
Fux pode criar pressão política, mas o FGC tem responsabilidades legais. O que ele pode fazer é facilitar um acordo onde o BRB publica números parciais ou oferece garantias adicionais. Não é magia, é negociação.
E se o Banco Central liquidar o BRB?
Depositantes perdem acesso ao dinheiro durante meses. Os Estados que mantêm R$ 30 bilhões em depósitos judiciais ali perdem recursos públicos. É um efeito cascata que afeta toda a federação.
Celina Leão está usando isso para sua campanha?
Ela está tentando se distanciar do problema enquanto o resolve. Difícil equilibrar. Se o banco quebra, ela é culpada. Se consegue salvar, é heroína. Mas o tempo está acabando.
El Pulso
- BRB não publica balanço há um ano, com rombo de R$ 8,8 bilhões ou mais
- Empréstimo de R$ 6,6 bilhões condicionado à publicação de balanço auditado pelo FGC
- R$ 30 bilhões em depósitos judiciais de outros Estados em risco de fuga
- Audiência de conciliação marcada para 13 de agosto com ministro Fux
- Riscos incluem liquidação pelo BC, intervenção ou privatização
O BRB não publica balanço há um ano e enfrenta rombo de R$ 8,8 bilhões, resultado de compra de ativos podres do Banco Master. O FGC condiciona empréstimo à publicação do balanço auditado, criando impasse que ameaça a viabilidade do banco estatal.
O Banco de Brasília espera que o ministro Luiz Fux convença o FGC a aprovar empréstimo de R$ 6,6 bilhões sem exigir balanço financeiro, em última tentativa para evitar liquidação pelo Banco Central.
O Banco de Brasília enfrenta seu momento mais crítico. Sem publicar balanço há um ano, com um rombo contábil que pode chegar a R$ 8,8 bilhões ou além, a instituição agora aposta sua sobrevivência em uma aposta política: convencer o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, a persuadir o Fundo Garantidor de Créditos a liberar R$ 6,6 bilhões em empréstimos sem exigir as demonstrações financeiras auditadas que normalmente são obrigatórias.
O impasse é simples e brutal. O FGC, responsável por garantir operações de crédito, recusa-se a assinar o empréstimo articulado entre o BRB e o Governo do Distrito Federal enquanto o banco não divulgar seu balanço de 2025. Sem esses números, é impossível medir o real tamanho do buraco nas contas — informação essencial para avaliar o risco de crédito. O mercado, nos bastidores, desconfia que o déficit seja ainda maior do que os R$ 8,8 bilhões já conhecidos. O próprio BRB, porém, resiste a publicar o balanço, alegando que ainda não completou a avaliação das carteiras de crédito que comprou do Banco Master, instituição cujos ativos podres geraram a crise atual. A Polícia Federal apura um esquema que envolveu R$ 12 bilhões nessa operação.
A governadora Celina Leão defende que o risco maior não é a falta de transparência, mas sim a possibilidade de o Banco Central liquidar o banco. Essa ameaça voltou a rondar a instituição após a gestora Quadra Capital cancelar um negócio para comprar ativos do BRB. Além da liquidação, outras possibilidades assombram os corredores: intervenção do Banco Central ou privatização. Fux marcou uma audiência de conciliação para quinta-feira, 13 de agosto, convocando o ministro da Fazenda Dario Durigan, o presidente do FGC Daniel Lima, a presidente do Banco do Brasil Tarciana Medeiros, além de representantes do Banco Central, da Advocacia-Geral da União e do Ministério Público Federal.
Em maio, após articulação política intensa, o mesmo Fux homologou um acordo entre o GDF, governo federal e BRB na tentativa de evitar o colapso. Bancos públicos e privados ofereceriam uma espécie de fiança, enquanto o Distrito Federal colocaria cotas do Fundo de Participação dos Estados como garantia. Agora, o ministro é novamente acionado para destravar a operação.
Mas há outra dimensão crítica nesse cenário: o BRB mantém R$ 30 bilhões em depósitos judiciais de outros Estados. Os contratos com esses governos começam a vencer nas próximas semanas — a Bahia é um dos primeiros casos. O maior temor é que os Estados não renovem com o BRB, preferindo transferir esses recursos para instituições com melhor rating. Uma fuga simultânea de todos os Estados, embora improvável dados os vencimentos distintos, seria um fator decisivo para aumentar drasticamente a possibilidade de liquidação pelo Banco Central.
A crise do BRB também é uma crise política. Celina Leão, pré-candidata ao governo do Distrito Federal, herdou o problema quando era vice do ex-governador Ibaneis Rocha, que administrou o DF por sete anos. No primeiro debate eleitoral na TV, seus adversários a pressionaram duramente por uma solução. Ela tem argumentado que a responsabilidade é de seu antecessor e que se esforça para salvar a instituição, ao mesmo tempo em que acusa a oposição de atuar contra o banco. O cenário foi tão desgastante que levou Ibaneis a desistir de sua candidatura ao Senado — ele estava em segundo lugar nas pesquisas, atrás apenas de Michelle Bolsonaro, esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro. A Operação Compliance Zero, que investigou a fracassada tentativa do BRB de comprar o Banco Master de Daniel Vorcaro, foi o gatilho que acelerou a crise política.
Citas Notables
A governadora argumenta que o risco maior é justamente o Banco Central liquidar o BRB— Fontes da administração estadual
O BRB alega que não publica seu balanço porque não tem avaliação completa das carteiras de crédito que comprou do Master— Administração do BRB