52 anos de vida inteira diante de telas
Brasileiro médio passa 116 horas por semana online, projetando 52 anos de vida inteira diante de telas, um aumento de 11 anos desde 2022. Brasil lidera uso de IA, com 32% considerando chatbots essenciais e 42% afirmando melhoria na experiência online, superando países como Japão e Alemanha.
- Brasileiro médio passa 116 horas por semana online, projetando 52 anos de vida inteira diante de telas
- Brasil lidera uso de IA globalmente: 42% afirmam que chatbots melhoraram sua experiência online, versus 13% no Japão
- 82% dos brasileiros compartilharam nome completo na internet; 51% divulgaram CPF
- 91% acessam internet principalmente pelo smartphone, versus 53% no Japão
Estudo revela que brasileiros passam 116 horas semanais na internet, equivalente a dois terços da vida, e lideram adoção global de inteligência artificial no cotidiano, mas também compartilham mais dados pessoais.
Um brasileiro médio passa 116 horas por semana conectado à internet. Isso é quase cinco dias inteiros, semana após semana. Se mantiver esse ritmo ao longo de toda a vida, serão 52 anos, nove meses e 16 dias diante de uma tela — uma projeção que salta aos olhos quando você para para pensar no que significa. O número vem de um levantamento da NordVPN, empresa de cibersegurança, e marca um aumento dramático: em 2022, o mesmo estudo apontava um tempo significativamente menor. Onze anos foram adicionados à vida digital do brasileiro em apenas quatro anos.
Esse crescimento não é isolado. O relatório Digital 2026, produzido pela DataReportal em parceria com We Are Social e Meltwater, confirma que o Brasil está entre os países com maior tempo de uso da internet no mundo. A explicação é simples: smartphones, redes sociais e plataformas de vídeo dominam o dia a dia. Marijus Briedis, diretor de tecnologia da NordVPN, resumiu a situação de forma contundente: os brasileiros passam cerca de três vezes mais tempo online do que os japoneses, que registram aproximadamente 40 horas semanais.
Mas há algo mais significativo acontecendo além do simples aumento de horas. A inteligência artificial deixou de ser uma novidade para se tornar parte da rotina. Os entrevistados afirmam passar em média duas horas e 50 minutos por semana conversando com chatbots de IA. Um terço considera essas ferramentas essenciais no dia a dia. Quarenta e dois por cento dizem que a IA já melhorou sua experiência na internet. Quando se olha para o cenário internacional, o Brasil lidera todos os indicadores de uso cotidiano de inteligência artificial. No Japão, apenas 13% afirmam que a tecnologia melhorou sua vida online — um percentual semelhante ao da Alemanha e da França.
O tempo gasto online segue um padrão previsível. Os brasileiros passam 12 horas e 19 minutos por semana em redes sociais. Streaming de filmes e séries consome 11 horas e 28 minutos. Vídeos online, 10 horas e 49 minutos. Música, 8 horas e 32 minutos. Um terço dos brasileiros afirma não conseguir passar um dia inteiro sem acessar a internet. Há também um hábito consolidado chamado de segunda tela: 35% usam redes sociais enquanto assistem simultaneamente à televisão ou a plataformas de streaming.
O smartphone é a porta de entrada principal. Noventa e um por cento dos brasileiros acessam a internet principalmente pelo celular — um percentual muito superior ao do Japão, onde o índice é de 53%. Esse predomínio ajuda a explicar tanto o elevado tempo de conexão quanto a rápida adoção de novas ferramentas digitais.
Mas essa conectividade tem um lado obscuro. Os brasileiros também lideram em compartilhamento de dados pessoais. Oitenta e dois por cento já compartilharam o nome completo na internet. Setenta e oito por cento divulgaram a data de nascimento. Sessenta e três por cento compartilharam o endereço residencial. Cinquenta e um por cento revelaram o CPF. Esses percentuais superam os registrados em outros mercados e refletem uma cultura digital marcada por forte presença em aplicativos, redes sociais e serviços online.
Especialistas em segurança digital observam que o crescimento do uso da internet e da inteligência artificial amplia a exposição a golpes virtuais, vazamentos de dados e roubo de identidade. Trinta e sete por cento dos brasileiros acreditam que suas informações pessoais já podem estar circulando na internet sem seu conhecimento — um dos maiores índices entre os países analisados. O avanço da IA traz novos desafios: ferramentas capazes de gerar textos, imagens e vídeos aumentam o risco de fraudes digitais mais sofisticadas, tornando mais difícil identificar tentativas de phishing e outras formas de engenharia social.
O quadro que emerge é o de uma população profundamente conectada, entusiasmada com novas tecnologias, mas potencialmente vulnerável aos riscos que essa mesma conectividade traz. O Brasil não apenas passa mais tempo online do que quase qualquer outro país — também confia mais facilmente seus dados a plataformas digitais e abraça a inteligência artificial com uma velocidade que supera a de nações tecnologicamente avançadas.
Notable Quotes
Os brasileiros passam mais tempo online do que quase qualquer outro povo, cerca de 116 horas por semana. Isso equivale a mais de dois terços de toda a vida e é aproximadamente três vezes o tempo semanal registrado no Japão.— Marijus Briedis, diretor de tecnologia da NordVPN
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que você acha que os brasileiros passam tanto tempo online comparado com outros países?
Tem a ver com como a gente acessa a internet. Noventa e um por cento usa principalmente o smartphone. É diferente do Japão, onde é 53%. Quando a internet está no seu bolso, você fica conectado o tempo todo — enquanto toma café, no ônibus, antes de dormir.
E por que a IA decolou tão rápido aqui?
Porque já estávamos acostumados a passar horas em aplicativos e redes sociais. Quando os chatbots chegaram, não foi um salto tão grande. Quarenta e dois por cento dos brasileiros já sente que a IA melhorou sua vida online. No Japão, é 13%. A gente abraça mais rápido.
Mas isso não preocupa você — o fato de que 51% compartilham o CPF na internet?
Preocupa, sim. Porque ao mesmo tempo que a gente é entusiasmado com tecnologia, a gente é também muito confiante demais. Oitenta e dois por cento já compartilharam o nome completo. Sessenta e três por cento, o endereço. É uma combinação perigosa.
Perigosa como?
Ferramentas de IA agora conseguem gerar textos e vídeos convincentes. Phishing fica mais sofisticado. E você tem 37% dos brasileiros que já acreditam que suas informações estão circulando na internet sem eles saberem. É um dos maiores índices do mundo.
Então a gente está vivendo mais online, mas menos seguro?
Exatamente. Cinquenta e dois anos de vida diante de uma tela — é uma projeção assustadora quando você pensa no que pode acontecer com seus dados nesse tempo todo.