Em Castelnuovo del Garda, no norte da Itália, Jéssica Stapazzolo Custodio de Lima, 33 anos, foi encontrada morta a facadas no apartamento que dividia com seu companheiro Douglas Reis Pedroso — um homem cujo histórico de violência contra ela já havia custado à vítima a guarda de um filho. O crime, cometido por um brasileiro contra uma brasileira em solo europeu, reacende a pergunta que persiste em tantas sociedades: por que os sinais de perigo raramente bastam para proteger quem mais precisa? A Itália, que aprovou em julho uma lei criando o crime específico de feminicídio com pena de prisão per
Brasileira é morta a facadas pelo companheiro na Itália
Violência que escala ao longo do tempo, denúncias que não conseguem interromper o ciclo
Por que o caso de Jéssica importa além da tragédia pessoal? O que ele revela?
Ele mostra um padrão que as autoridades italianas estão tentando enfrentar — violência que escala ao longo do tempo, denúncias que não conseguem interromper o ciclo, e um desfecho fatal. Não é isolado.
Mas precisamos ser claros: sabemos que ela denunciou, sabemos que perdeu a guarda do filho, sabemos dos processos contra ele. O que não sabemos é por que as medidas cautelares solicitadas em abril não impediram o que aconteceu em outubro.
Então há uma falha no sistema de proteção?
Há evidências de que sim. Ela havia acionado a polícia antes. Havia processos em andamento. Mas ele ainda tinha acesso a ela.
Exatamente. E isso é o que torna este caso relevante para o debate legislativo que está acontecendo na Itália agora.
A lei de feminicídio que foi aprovada — ela teria mudado algo neste caso específico?
Teria criado uma categoria legal mais clara e penas mais severas. Mas a questão real é se teria impedido a morte dela em primeiro lugar.
Certo. A lei é reativa, não preventiva. Ela pune mais duramente, mas não necessariamente protege melhor as mulheres que já estão denunciando.
Então o que faltou aqui?
Execução das medidas que já existiam. Proteção real durante o período em que os processos estavam em andamento.
E isso é um problema que nenhuma lei nova resolve sozinha.
El Pulso
- Jéssica não atendia chamadas desde o sábado; foram os amigos, e não o sistema, que acionaram o alarme que levou à descoberta de seu corpo dias após a morte.
- Pedroso tinha um dossiê de violência acumulada desde agosto de 2024 — maus-tratos, lesão corporal, agressão sexual contra a irmã da vítima e um episódio brutal em que a arrastou pelo asfalto pelos cabelos.
- A perda da guarda do filho de Jéssica era o sinal mais eloquente de que as autoridades reconheciam o risco extremo em que ela vivia — mas a proteção não veio a tempo.
- Pedroso confessou o crime durante interrogatório, após ligar para os carabineiros à meia-noite dizendo que queria tirar a própria vida; a faca foi encontrada dentro do seu carro.
- A Itália aprovou por unanimidade no Senado uma lei de feminicídio com prisão perpétua, mas o texto ainda aguarda votação final na Câmara — e o caso de Jéssica chega como pressão simbólica sobre esse processo.
Em Castelnuovo del Garda, no norte da Itália, Jéssica Stapazzolo Custodio de Lima, 33 anos, foi encontrada morta a facadas no apartamento que dividia com seu companheiro Douglas Reis Pedroso — um homem cujo histórico de violência contra ela já havia custado à vítima a guarda de um filho. O crime, cometido por um brasileiro contra uma brasileira em solo europeu, reacende a pergunta que persiste em tantas sociedades: por que os sinais de perigo raramente bastam para proteger quem mais precisa? A Itália, que aprovou em julho uma lei criando o crime específico de feminicídio com pena de prisão perpétua, ainda aguarda a aprovação final do texto — enquanto mulheres continuam sendo encontradas tarde demais.
Jéssica Stapazzolo Custodio de Lima tinha 33 anos quando seus amigos, preocupados com o silêncio dela desde o sábado, acionaram a polícia. O corpo foi encontrado na terça-feira de manhã em seu apartamento em Castelnuovo del Garda, perto de Verona. Ela havia sido esfaqueada múltiplas vezes. Seu companheiro, Douglas Reis Pedroso, 41 anos, também brasileiro, foi preso após confessar o crime durante interrogatório. A faca usada no ataque estava dentro do carro dele.
O que a investigação revelou não foi um crime isolado, mas o desfecho de uma escalada documentada. Desde agosto de 2024, Pedroso acumulou acusações de maus-tratos e lesão corporal contra Jéssica. Em dezembro, foi acusado de agressão sexual contra a irmã dela. Em abril de 2025, foi detido após um episódio particularmente brutal: jogou Jéssica no chão, arrastou-a pelos cabelos sobre o asfalto e a golpeou repetidamente. Naquela ocasião, chegou a ser solicitada sua prisão preventiva. As autoridades o descrevem como usuário excessivo de álcool e drogas.
Jéssica havia denunciado a violência em outras ocasiões e chegou a perder a guarda de um filho de relacionamento anterior — consequência direta do risco reconhecido pelas autoridades dentro daquele lar. Era um sinal devastador de que o perigo era real e conhecido. Ainda assim, ela não foi protegida.
O crime ocorre enquanto a Itália debate com urgência crescente o feminicídio como problema estrutural. Em julho de 2025, o Senado aprovou por unanimidade um projeto de lei que cria o crime específico de feminicídio no código penal, com pena de prisão perpétua. A legislação também endurece benefícios prisionais e institui programas educativos obrigatórios. O texto aguarda aprovação final na Câmara dos Deputados — e o nome de Jéssica passa a fazer parte do argumento mais urgente a favor dessa votação.
Jéssica Stapazzolo Custodio de Lima tinha 33 anos quando foi encontrada morta em seu apartamento em Castelnuovo del Garda, uma cidade próxima a Verona, no norte da Itália. Ela havia sido esfaqueada múltiplas vezes. Seu companheiro, Douglas Reis Pedroso, de 41 anos, também brasileiro, foi preso pelos carabineiros e confessou o crime.
O corpo foi descoberto na terça-feira pela manhã, mas a morte havia ocorrido dias antes. Amigos de Jéssica acionaram a polícia quando não conseguiram contatá-la desde o sábado anterior — ela não atendia chamadas nem respondia mensagens. A descoberta do corpo levou a investigação que levaria à prisão de Pedroso. Ele havia ligado para os carabineiros por volta da meia-noite, manifestando intenção de tirar a própria vida. Durante o interrogatório, confessou ter cometido o homicídio com um número ainda indeterminado de facadas. A faca foi encontrada dentro de seu carro.
O que emergiu durante a investigação foi um padrão de violência que se estendia por meses. Jéssica havia denunciado episódios anteriores de violência doméstica e acionado a polícia em outras ocasiões. Ela havia se mudado para o apartamento que Pedroso comprou aproximadamente um ano e meio antes do crime. Registros mostram que ela havia perdido a guarda de um filho de um relacionamento anterior justamente devido à situação de violência no lar — uma consequência devastadora que sinalizava o quão grave era considerada sua situação de risco.
Os registros criminais de Pedroso revelam uma escalada de agressões. Desde agosto de 2024 até abril de 2025, ele foi acusado de maus-tratos e lesão corporal intencional contra Jéssica. Em dezembro de 2024, foi acusado de agressão sexual contra a irmã dela. Em abril de 2025, durante uma investigação preliminar, ele foi detido após um incidente específico: jogou Jéssica no chão, arrastou-a pelos cabelos sobre o asfalto, desferiu três socos no rosto e a atingiu repetidamente com a chave do carro. Naquela ocasião, foi solicitada sua prisão preventiva. As autoridades italianas descrevem Pedroso como usuário excessivo de álcool e drogas, e ele já tinha antecedentes criminais, incluindo recusa a submeter-se a teste de bafômetro.
O crime de Jéssica ocorre em um contexto de crescente preocupação com a violência de gênero na Itália. O país registra um aumento nos casos de feminicídio, alimentando um debate nacional sobre medidas mais rigorosas de prevenção e punição. Em julho de 2025, o Senado italiano aprovou por unanimidade um projeto de lei que cria o crime específico de feminicídio no código penal. A legislação prevê prisão perpétua para quem causar a morte de uma mulher por atos de discriminação ou ódio contra a vítima por ser mulher, ou com o objetivo de reprimir o exercício de seus direitos, liberdades ou personalidade. O texto também endurece as regras para benefícios prisionais de condenados por feminicídio e estabelece novas obrigações de programas educativos e campanhas de conscientização. O projeto foi encaminhado para aprovação final na Câmara dos Deputados.
Citas Notables
Jéssica havia denunciado episódios anteriores de violência doméstica e acionado a polícia em outras ocasiões— Ministério Público de Verona
Reis Pedroso confessou o crime cometido com um número ainda indeterminado de facadas— Autoridades italianas