Em Castelnuovo del Garda, no norte da Itália, uma mulher brasileira de 33 anos foi encontrada morta após três dias de silêncio — não o silêncio da paz, mas o da violência que a história conhece bem demais. Jessica Stapazzollo foi esfaqueada repetidamente pelo companheiro com quem dividia a vida e o perigo, um homem que já havia sido contido pela Justiça e mesmo assim voltou. O caso ecoa em um país onde, naquele ano, pelo menos 80 mulheres foram mortas — a maioria por quem prometeu amá-las.
Brasileira é morta a facadas na Itália; companheiro é preso
Esfaqueada um número desproporcional de vezes
Por que os amigos demoraram três dias para acionar a polícia? Havia algum sinal de que algo estava errado?
Não sabemos exatamente. O que o relato diz é que ela simplesmente parou de responder às mensagens. Três dias de silêncio foi o suficiente para que eles se preocupassem o bastante para chamar a polícia.
E isso é importante — porque significa que ninguém estava vivendo com ela, ninguém viu nada acontecer. Ela foi descoberta porque amigos notaram a ausência, não porque alguém ouviu gritos ou viu sinais de luta.
O companheiro havia sido condenado antes por agressão. Como ele ainda estava perto dela?
Ele estava usando tornozeleira eletrônica e tinha uma ordem de distância de 500 metros. Mas essas medidas não o impediram de estar no apartamento dela ou de cometer o crime.
Isso levanta uma questão sobre a eficácia dessas proteções. Ele estava monitorado, havia uma ordem judicial, e ainda assim conseguiu matá-la. Não sabemos se a tornozeleira estava funcionando, se foi desativada, ou como exatamente ele conseguiu violar a ordem.
A filha dela — como ela está agora?
Jessica havia perdido a guarda da menina por causa da violência de Pedroso. Então a criança não estava vivendo com ela. Mas agora perdeu a mãe completamente.
Essa é a parte mais pesada da história. Uma criança de 10 anos que já havia sido separada da mãe por causa de um homem violento, e agora a mãe foi morta por esse mesmo homem. Não sabemos quem está cuidando dela agora.
The Pulse
- Amigos de Jessica passaram três dias enviando mensagens sem resposta antes de acionar a polícia — e o que encontraram no apartamento confirmou o pior.
- O companheiro Douglas Pedroso já havia arrastado Jessica pelos cabelos no asfalto em abril e fora obrigado a usar tornozeleira eletrônica, mas a proteção legal não foi suficiente para protegê-la.
- Uma faca ainda manchada de sangue foi encontrada no carro do suspeito, que horas após o crime ligou para a polícia dizendo querer tirar a própria vida.
- Jessica deixa uma filha de 10 anos que havia sido afastada de sua guarda justamente por causa da violência do companheiro — a criança perdeu a mãe que não pôde proteger.
- Os dados italianos revelam que 80 mulheres foram mortas no país só naquele ano, a maioria por companheiros ou ex-companheiros, transformando o caso de Jessica em parte de um padrão que se recusa a ser exceção.
Em Castelnuovo del Garda, no norte da Itália, uma mulher brasileira de 33 anos foi encontrada morta após três dias de silêncio — não o silêncio da paz, mas o da violência que a história conhece bem demais. Jessica Stapazzollo foi esfaqueada repetidamente pelo companheiro com quem dividia a vida e o perigo, um homem que já havia sido contido pela Justiça e mesmo assim voltou. O caso ecoa em um país onde, naquele ano, pelo menos 80 mulheres foram mortas — a maioria por quem prometeu amá-las.
Jessica Stapazzollo tinha 33 anos e vivia em Castelnuovo del Garda, na província de Verona, quando seus amigos perceberam que ela havia sumido. Três dias sem resposta às mensagens foram suficientes para acionar a polícia. Ao chegarem ao apartamento, os agentes encontraram seu corpo — ela havia sido esfaqueada tantas vezes que o Ministério Público italiano descreveu os ferimentos como "desproporcionais".
Seu companheiro, Douglas Reis Pedroso, 41 anos, também brasileiro, não estava no local. Foi encontrado horas depois e preso como principal suspeito. A faca usada no crime estava no carro dele, ainda com sangue. As investigações apontaram uso regular de álcool e drogas.
O relacionamento durava cerca de um ano e meio e já havia registros de violência. Em abril, Pedroso havia arrastado Jessica pelos cabelos no asfalto e a agredido com socos. A Justiça italiana o obrigou a usar tornozeleira eletrônica e manter distância mínima de 500 metros dela. Meses antes, ele havia sido acusado de tentativa de abuso sexual contra a irmã de Jessica.
Após o crime, Pedroso ligou para a polícia dizendo querer tirar a própria vida. Jessica deixou uma filha de 10 anos, de um relacionamento anterior — uma criança que havia sido afastada de sua guarda exatamente porque vivia com um homem violento.
O caso se insere em um padrão que os números italianos tornam impossível ignorar: pelo menos 80 mulheres foram mortas no país naquele ano, e em mais da metade dos casos o assassino era o companheiro ou ex-companheiro. Jessica foi uma brasileira que construiu uma vida na Itália e foi morta por quem deveria protegê-la.
Jessica Stapazzollo tinha 33 anos quando seus amigos perceberam que ela havia desaparecido. Três dias se passaram sem uma resposta às mensagens. Ninguém sabia onde ela estava. Quando a polícia chegou ao apartamento dela em Castelnuovo del Garda, na província de Verona, no norte da Itália, encontraram seu corpo sem vida. Ela havia sido esfaqueada repetidamente — tantas vezes que o Ministério Público italiano descreveu o número de ferimentos como "desproporcional".
O companheiro de Jessica, Douglas Reis Pedroso, também brasileiro e com 41 anos, não estava em casa quando os policiais descobriram o corpo. Mas ele foi localizado horas depois e preso como principal suspeito. A faca usada no crime foi encontrada no carro dele, ainda manchada de sangue. As investigações iniciais indicaram que Pedroso consumia álcool e drogas regularmente.
O relacionamento entre os dois havia durado cerca de um ano e meio, e não era o primeiro episódio de violência. Em abril daquele ano, Pedroso havia arrastado Jessica pelos cabelos no asfalto e desferido três socos em seu rosto e pescoço. Aquele incidente foi grave o suficiente para que a Justiça italiana o obrigasse a usar uma tornozeleira eletrônica e mantivesse uma distância mínima de 500 metros dela. Meses antes, em dezembro do ano anterior, ele havia sido acusado de tentar abusar sexualmente da irmã de Jessica.
Após a morte dela, Pedroso ligou para a polícia dizendo que queria tirar a própria vida. O corpo de Jessica foi submetido a perícia para determinar a data e a hora exata da morte. Ela deixou uma filha de 10 anos, fruto de um relacionamento anterior. Jessica havia perdido a guarda da menina justamente por causa dos episódios agressivos de Pedroso — a criança não podia estar sob seu cuidado enquanto vivia com um homem violento.
Os números que cercam esse caso apontam para um padrão mais amplo. De acordo com dados do Ministério do Interior da Itália, pelo menos 80 mulheres foram mortas no país desde o início daquele ano. Em mais da metade dos casos, o assassino era o companheiro ou o ex-companheiro da vítima. Jessica Stapazzollo é uma entre muitas — uma brasileira que deixou sua vida no Brasil, construiu uma vida na Itália, e foi morta por quem deveria protegê-la.
Notable Quotes
Um número desproporcional de facadas— Ministério Público italiano, conforme citado pelo jornal Avvenire