Brasil saiu do plenário por ordem do Itamaraty, marcando terceiro ano consecutivo de protesto contra primeiro-ministro israelense na Assembleia-Geral. Dezenas de delegações de países árabes, muçulmanos, africanos e europeus também se retiraram em protesto contra ofensiva na Faixa de Gaza.
Brasil sai pela 3ª vez antes de discurso de Netanyahu na ONU em protesto
A terceira repetição transforma o gesto em marca da identidade diplomática
Por que o Brasil faz questão de sair? Não seria mais eficaz uma declaração escrita depois?
Porque uma retirada é visível. Todos veem. É impossível ignorar. Uma declaração escrita desaparece nos arquivos da ONU.
Mas vale notar que o Brasil não é o único — dezenas de países fazem o mesmo. Então é um protesto coletivo, não uma posição isolada brasileira.
E por que especificamente os 394 funcionários da UNRWA? Por que esse número importa tanto?
Porque são pessoas que trabalhavam para ajudar refugiados palestinos. Não eram combatentes. Eram assistentes sociais, professores, médicos. Mortos em ataques.
Importante: a fonte diz que foram mortos "em ataques das forças israelenses", mas não detalha as circunstâncias específicas de cada morte ou se havia combatentes entre eles. É a caracterização do Brasil e de outras delegações.
Netanyahu chamou os que saíram de "covardes morais". Isso muda algo?
Muda o tom. Transforma um protesto silencioso em um confronto. Agora há uma resposta, uma acusação de volta.
E é importante notar que Netanyahu foi aplaudido por outros participantes. Então há divisão clara na sala — não é consenso global.
Isso vai acontecer de novo no próximo ano?
Se a situação em Gaza não mudar, provavelmente sim. O Brasil estabeleceu um padrão.
Mas também vale perguntar: qual é o impacto real dessa retirada? Muda política israelense? Muda voto em resoluções? Ou é principalmente simbólico?
O Pulso
- Delegação brasileira saiu do plenário da ONU por ordem do Itamaraty em 24 de setembro de 2026
- Terceira retirada consecutiva do Brasil (2024, 2025, 2026) antes de discurso de Netanyahu
- 394 funcionários da UNRWA mortos em ataques desde outubro de 2023
- Dezenas de delegações de países árabes, muçulmanos, africanos e europeus também se retiraram
- Netanyahu respondeu chamando os que saíram de 'covardes morais'
Brasil saiu do plenário por ordem do Itamaraty, marcando terceiro ano consecutivo de protesto contra primeiro-ministro israelense na Assembleia-Geral. Dezenas de delegações de países árabes, muçulmanos, africanos e europeus também se retiraram em protesto contra ofensiva na Faixa de Gaza.
Delegação brasileira deixou plenário da ONU antes de discurso de Netanyahu em solidariedade aos 394 funcionários da UNRWA mortos desde outubro de 2023, repetindo protesto de 2024 e 2025.
A delegação brasileira saiu do plenário da Assembleia-Geral das Nações Unidas na quinta-feira, 24 de setembro, momentos antes do primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu subir ao púlpito para discursar. Não foi um gesto isolado. Foi a terceira vez consecutiva que o Brasil fazia esse mesmo movimento — em 2024, em 2025, e agora em 2026 — criando um padrão de protesto diplomático que marca a posição do governo Lula diante da guerra em Gaza.
A retirada desta vez ocorreu por determinação do Ministério das Relações Exteriores, conforme confirmado por fontes do Itamaraty. O gesto, segundo essas mesmas fontes, representava solidariedade aos 394 funcionários da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) que foram mortos em ataques das forças israelenses desde outubro de 2023. Esse número — 394 vidas — é o peso concreto que o Brasil escolheu carregar para fora da sala.
O Brasil não estava sozinho. Dezenas de delegações deixaram o plenário no mesmo momento. Representantes de quase todos os países árabes e muçulmanos presentes na sessão se retiraram, junto com delegações de nações africanas e europeias. Enquanto saíam, Netanyahu era aplaudido por outros participantes. O presidente da sessão, Khalilur Rahman, precisou pedir ordem mais de uma vez em meio aos protestos e às vaias que preenchiam o salão.
O primeiro-ministro israelense respondeu aos que haviam saído com uma fala que intensificou as tensões. "Antes de começar, só um breve comunicado", disse Netanyahu ao iniciar seu discurso. "Se houver algum outro covarde moral que ainda não tenha saído desta sala, por favor, saia agora. Muito obrigado." A provocação foi direta, transformando o protesto diplomático em um confronto verbal que ecoaria pela cobertura internacional.
Este terceiro ato de retirada do Brasil ocorre enquanto a ofensiva israelense na Faixa de Gaza se aproxima de completar dois anos. O governo Lula tem sido consistentemente crítico dessa operação militar. A repetição do protesto em três anos consecutivos não é acidental — é uma declaração de política externa que o Brasil escolheu fazer de forma visível, no palco mais importante da diplomacia global, diante de câmeras e representantes de quase todas as nações do mundo.
O que começou como uma ordem do Itamaraty em 2024 tornou-se um ritual de dissidência. Cada retirada reafirma a mesma mensagem: o Brasil não reconhece legitimidade naquele discurso, não quer estar presente para ouvi-lo, e quer que o mundo saiba disso. A terceira repetição transforma o gesto em algo mais do que protesto — é uma marca da identidade diplomática brasileira neste momento.
Citações Notáveis
Se houver algum outro covarde moral que ainda não tenha saído desta sala, por favor, saia agora— Binyamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel
A retirada foi um gesto de solidariedade aos 394 funcionários da UNRWA mortos em ataques das forças israelenses— Fontes do Itamaraty