Num domingo que poderia ter sido palco de confrontos, 156 milhões de brasileiros foram às urnas em relativa serenidade, escolhendo entre visões opostas para o futuro do país. A Polícia Federal registou 474 crimes eleitorais — compra de votos, boca de urna, violações do sigilo — mas as autoridades enquadraram esses números dentro de uma jornada que, apesar da polarização profunda, não cedeu ao caos. O Brasil votou, e o que vier a seguir dependerá, talvez, de uma segunda volta marcada para 30 de outubro.
Brasil registra 474 crimes eleitorais, mas votação transcorre em clima tranquilo
O dia passou com calma e segurança, apesar da polarização política
Qual é a relevância de registar 474 crimes eleitorais se o dia decorreu em clima de tranquilidade?
É uma questão de escala e contexto. Numa eleição com 156 milhões de votantes espalhados por mais de 5.500 cidades, alguns crimes são praticamente inevitáveis. O que importa é que não houve violência generalizada, que as urnas funcionaram, e que as autoridades conseguiram deter pessoas e apreender dinheiro destinado à corrupção.
Mas como sabemos que 474 é um número "normal" ou "baixo"? O boletim não oferece comparação com eleições anteriores. Poderia ser mais ou menos do que o habitual.
Verdade. O que temos é o número absoluto e a confirmação de que não houve caos. Mas Luke tem razão — sem dados históricos, é difícil avaliar se isto representa uma melhoria ou uma deterioração.
E quanto à compra de votos? 115 casos parece muito.
Parece, mas novamente, em 156 milhões de votantes, é uma fração minúscula. O que é notável é que foram apanhados, presos, e o dinheiro foi apreendido. O sistema de fiscalização funcionou.
Embora só saibamos dos casos que foram detetados. Quantos casos de compra de votos não foram apanhados? Isso permanece desconhecido.
A mudança de sincronizar todas as urnas no horário de Brasília — isso teve impacto?
Tecnicamente, sim. Garantiu que ninguém votasse mais cedo noutras zonas horárias e depois influenciasse o resultado noutras regiões. Mas o boletim não especifica se isto contribuiu para a tranquilidade ou se foi apenas uma questão administrativa.
Exatamente. Não sabemos se a sincronização preveniu problemas ou se foi simplesmente uma mudança de procedimento sem impacto real.
O Pulso
- A tensão entre apoiantes de Bolsonaro e Lula pairava sobre o país, mas o dia eleitoral transcorreu sem confrontos significativos.
- 474 crimes eleitorais foram registados, incluindo 115 casos de compra de voto e 184 prisões, com 1,9 milhões de reais apreendidos destinados à corrupção de eleitores.
- Apenas 0,27% das urnas eletrónicas precisaram de ser substituídas, num sinal de que a infraestrutura democrática resistiu à pressão do momento.
- O presidente do Tribunal Superior Eleitoral declarou que o dia decorreu 'com calma e segurança', contrariando os piores cenários antecipados.
- Se nenhum candidato ultrapassar os 50% dos votos válidos, Bolsonaro e Lula deverão defrontar-se numa segunda volta a 30 de outubro.
Num domingo que poderia ter sido palco de confrontos, 156 milhões de brasileiros foram às urnas em relativa serenidade, escolhendo entre visões opostas para o futuro do país. A Polícia Federal registou 474 crimes eleitorais — compra de votos, boca de urna, violações do sigilo — mas as autoridades enquadraram esses números dentro de uma jornada que, apesar da polarização profunda, não cedeu ao caos. O Brasil votou, e o que vier a seguir dependerá, talvez, de uma segunda volta marcada para 30 de outubro.
No domingo, 156 milhões de brasileiros foram às urnas numa eleição presidencial carregada de tensão política, mas que decorreu sem grandes incidentes. A Polícia Federal registou 474 crimes eleitorais ao longo do dia — entre eles 115 casos de compra de votos, 76 ocorrências de boca de urna e 9 tentativas de violação do sigilo de voto. As operações policiais resultaram em 184 prisões e na apreensão de 1,9 milhões de reais, alegadamente destinados a corromper eleitores. Nove armas foram também confiscadas.
Do ponto de vista logístico, a jornada eleitoral funcionou com eficiência assinalável: apenas 1.420 das 577.125 urnas eletrónicas precisaram de ser substituídas, uma taxa de falha de apenas 0,27%. Pela primeira vez, todos os locais de votação abriram simultaneamente às 8 da manhã no horário de Brasília, sincronizando o processo em todo o vasto território nacional.
A polarização entre apoiantes do presidente Jair Bolsonaro e os de Luiz Inácio Lula da Silva tinha alimentado receios de confrontos. Contudo, Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, afirmou que o dia estava a decorrer 'com calma e segurança'. Para além da presidência, os brasileiros elegeram também governadores dos 27 estados, renovaram a Câmara dos Deputados e escolheram senadores. Se nenhum candidato ultrapassar os 50% dos votos válidos, os dois mais votados disputarão uma segunda volta a 30 de outubro.
No domingo, 156 milhões de brasileiros foram às urnas numa eleição presidencial marcada por uma tensão política palpável, mas que transcorreu sem grandes incidentes. A Polícia Federal registou 474 crimes eleitorais ao longo do dia, segundo boletim divulgado pelo Ministério da Justiça, um número que as autoridades enquadraram dentro de um contexto geral de tranquilidade.
Os crimes registados distribuíram-se por categorias específicas: 115 casos envolveram compra de votos, 76 ocorrências foram de boca de urna, 9 constituíram tentativas de violação do sigilo de voto, 16 envolveram transporte irregular de eleitores, e 65 crimes foram cometidos dentro dos próprios locais de votação. As operações policiais resultaram em 184 prisões e na apreensão de 1,9 milhões de reais — cerca de 360 mil euros — que alegadamente seria utilizado para corromper eleitores. Nove armas foram também confiscadas. Um dos casos de compra de voto ocorreu no estado do Amapá, no norte do país, onde uma pessoa foi detida próximo a um centro de votação portando uma quantidade significativa de dinheiro.
Do ponto de vista operacional, o processo eleitoral funcionou com eficiência. Apenas 1.420 urnas eletrónicas de um total de 577.125 precisaram ser substituídas — uma taxa de 0,27% — distribuídas por 5.570 cidades. Todos os 577.125 locais de votação abriram simultaneamente às 8 da manhã no horário de Brasília, uma mudança em relação a eleições anteriores que visava sincronizar o processo em todo o território nacional. Os eleitores tiveram até às 17 horas para exercer o seu direito de voto.
A polarização política entre os apoiantes do presidente Jair Bolsonaro, que concorria à reeleição, e os apoiantes de Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, tinha gerado preocupações sobre possíveis confrontos ou perturbações. Contudo, Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, afirmou aos jornalistas após votar em São Paulo que o dia estava a decorrer "com calma e segurança". Esta avaliação refletia a experiência geral nas mesas de voto espalhadas pelo país.
Além de Bolsonaro e Lula, nove outros candidatos concorriam à presidência: Ciro Gomes, Simone Tebet, Luís Felipe D'Ávila, Soraya Tronicke, Eymael, Padre Kelmon, Leonardo Pericles, Sofia Manzano e Vera Lúcia. Se nenhum deles conseguisse ultrapassar 50% dos votos válidos, os dois mais votados enfrentariam uma segunda volta agendada para 30 de outubro. Para além da presidência, a votação também definiria os governadores dos 27 estados, renovaria os 513 membros da Câmara dos Deputados, 27 senadores, e centenas de parlamentares para as assembleias legislativas regionais.
Citações Notáveis
O dia estava a passar com calma e segurança— Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral