Quando Michelle Bachelet retirou sua candidatura à Secretaria-Geral da ONU, levou consigo mais do que um nome — levou a esperança concreta de uma América Latina representada no topo da ordem global. O Brasil, que havia apostado nessa aliança com o México como gesto estratégico e simbólico, respondeu não com recuo, mas com reafirmação: há mulheres latinas à altura do cargo, e a defesa por essa representação não se encerra com uma desistência. O episódio revela, contudo, que a verdadeira disputa não se dá em votos, mas nos corredores silenciosos onde as grandes potências exercem seu veto.