Diante de cadeiras vazias e vaias no plenário da Assembleia Geral da ONU, Benjamin Netanyahu defendeu nesta quinta-feira as ações de Israel em Gaza, no Irã e em múltiplas frentes de conflito — enquanto delegações do Brasil e de outros países escolheram o silêncio da ausência como resposta diplomática. O discurso revelou não apenas a profundidade do isolamento internacional de Israel, mas também a distância crescente entre as narrativas oficiais e os registros das organizações internacionais. Em momentos assim, a tribuna da ONU deixa de ser um espaço de diálogo e se torna um espelho das fratura
Brasil e outros países deixam plenário durante discurso de Netanyahu na ONU
Continuaremos vencendo, porque não temos outra escolha
Por que delegações inteiras saíram durante o discurso? Isso é comum na ONU?
Não é comum, não. Saídas coordenadas como essa são gestos políticos muito deliberados — uma rejeição pública à presença ou às posições de quem está falando. Neste caso, reflete a profunda divisão sobre a guerra em Gaza.
Mas a gente não sabe exatamente quais países saíram além do Brasil, certo? O texto diz "Brasil e outros países", mas não lista os nomes.
Verdade. Sabemos que aconteceu, mas os detalhes específicos não estão no registro.
E quanto às acusações de genocídio? Netanyahu as nega completamente. Qual é a realidade?
Ele nega e cita medidas que Israel teria tomado — vacinas, alimentos, avisos. Mas essas ações não refutam automaticamente acusações de genocídio. São argumentos que ele está apresentando.
Exatamente. O texto não traz dados independentes sobre o número de mortos em Gaza, sobre as condições humanitárias, ou sobre investigações internacionais. Netanyahu faz afirmações, mas não há verificação no discurso em si.
E sobre o Irã? Ele diz que impediu armas nucleares iranianas.
Ele afirma isso, mas a AIEA — que é a agência internacional responsável — nunca encontrou evidências de que o Irã desenvolveu uma arma nuclear. O próprio Irã nega.
Então há uma desconexão clara entre a afirmação dele e o que organismos internacionais independentes documentaram.
Netanyahu também mencionou conversas privadas com líderes que o agradeceram. Isso é verificável?
Não. Ele disse que líderes de países cujas delegações saíram o agradeceram em particular, mas não revelou nomes nem há como confirmar.
É um argumento que não pode ser testado. Serve para sua narrativa, mas não há evidência pública.
Qual é o peso real do discurso? Muda algo?
Reforça a aliança com os EUA sob Trump e tenta reposicionar Israel como defensor, não agressor. Mas para quem já é crítico, provavelmente não muda nada.
El Pulso
- Antes mesmo de Netanyahu terminar os primeiros minutos de fala, delegações de vários países — incluindo o Brasil — já haviam deixado o plenário, e vaias ecoaram pelo salão.
- O premiê afirmou que Israel impediu o Irã de desenvolver armas nucleares, mas a AIEA nunca encontrou evidências dessa ameaça concreta, criando uma tensão direta entre o discurso oficial e os registros internacionais.
- Netanyahu chamou as acusações de genocídio em Gaza de 'a maior mentira do século', citando vacinas e alimentos enviados à população palestina como prova — sem reconhecer o número de mortos civis no território.
- A violência de colonos israelenses na Cisjordânia foi minimizada como atos de 'cerca de 150 jovens', enquanto o discurso reservou elogios calorosos a Donald Trump e celebrou missões militares conjuntas com os Estados Unidos contra o Irã.
- O tom intransigente e a ausência de qualquer abertura ao diálogo ou à crítica sinalizam que o fosso entre Israel e grande parte da comunidade internacional tende a se aprofundar nos próximos meses.
Diante de cadeiras vazias e vaias no plenário da Assembleia Geral da ONU, Benjamin Netanyahu defendeu nesta quinta-feira as ações de Israel em Gaza, no Irã e em múltiplas frentes de conflito — enquanto delegações do Brasil e de outros países escolheram o silêncio da ausência como resposta diplomática. O discurso revelou não apenas a profundidade do isolamento internacional de Israel, mas também a distância crescente entre as narrativas oficiais e os registros das organizações internacionais. Em momentos assim, a tribuna da ONU deixa de ser um espaço de diálogo e se torna um espelho das fraturas que o mundo ainda não sabe como curar.
Quando Benjamin Netanyahu subiu ao pódio da Assembleia Geral da ONU nesta quinta-feira, o gesto mais eloquente do dia já havia sido feito: delegações de vários países, entre elas a do Brasil, levantaram-se e deixaram o plenário antes que o discurso ganhasse corpo. Vaias acompanharam o silêncio das cadeiras vazias. O que se seguiu foi uma defesa contundente e sem concessões das ações de Israel em múltiplas frentes.
Netanyahu abriu o discurso afirmando que Israel impediu o Irã de desenvolver armas nucleares, descrevendo o regime iraniano como uma ameaça existencial ao mundo. A afirmação, porém, não encontra respaldo nos relatórios da Agência Internacional de Energia Atômica, que nunca confirmou o desenvolvimento de uma arma nuclear pelo Irã. O premiê também alegou que líderes de países cujas delegações saíram do plenário o agradeceram em conversas privadas — sem revelar nomes.
Grande parte do discurso foi dedicada a rebater as acusações de genocídio em Gaza. Netanyahu as chamou de 'a maior mentira do século' e citou o envio de vacinas e alimentos à população palestina como evidência de que Israel não age como um regime genocida. Relembrou os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deixaram cerca de 1.200 mortos israelenses, e afirmou que o país combate simultaneamente em sete frentes — Hamas, Hezbollah, Houthis, Irã, milícias no Iraque e na Síria, e grupos na Cisjordânia.
A violência de colonos israelenses na Cisjordânia foi descrita como atos isolados de aproximadamente 150 jovens, com atenção midiática desproporcional. Netanyahu mencionou nominalmente o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, crítico das operações em Gaza, dizendo que ninguém seria capaz de silenciá-lo. O discurso encerrou com elogios a Donald Trump — descrito como o melhor parceiro que Israel já teve — e a afirmação de que pilotos americanos e israelenses realizaram missões conjuntas contra o Irã para 'salvar a civilização'. A frase que resumiu o tom geral: 'Continuaremos vencendo, porque não temos outra escolha.'
Quando Benjamin Netanyahu subiu ao pódio da Assembleia Geral das Nações Unidas nesta quinta-feira, delegações de vários países — entre eles o Brasil — já estavam se levantando de seus assentos. Antes que o primeiro-ministro israelense completasse os primeiros minutos de seu discurso, as cadeiras ficaram vazias. Vaias ecoaram pelo plenário. O que se seguiu foi uma defesa contundente das ações de Israel em múltiplas frentes, acompanhada de negações categóricas sobre acusações de genocídio e afirmações sobre ameaças nucleares iranianas que não encontram respaldo em relatórios internacionais.
Netanyahu começou afirmando que Israel impediu o Irã de desenvolver armas nucleares, descrevendo a "ditadura assassina" iraniana como uma ameaça existencial. Segundo ele, essa ação protegeu não apenas Israel, mas o mundo inteiro. O problema é que a Agência Internacional de Energia Atômica nunca encontrou evidências de que o Irã desenvolveu uma arma nuclear — e o próprio Irã nega repetidamente ter feito isso. Netanyahu alegou que líderes de nações cujas delegações saíram do plenário o agradeceram em conversas privadas, mas não revelou quem seriam essas pessoas.
O primeiro-ministro reposicionou o conflito israelense como uma questão de existência, não de território. Citou a Guerra dos Seis Dias de 1967 para argumentar que Israel enfrentava ameaças mesmo antes de controlar a Cisjordânia, Gaza e as Colinas de Golã. "Não se trata de territórios. É sobre a existência de um Estado judeu em quaisquer fronteiras", disse. Ele relembrou os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deixaram cerca de 1.200 mortos, classificando-o como o "dia mais sombrio" do país e o pior ataque contra judeus desde o Holocausto. Desde então, afirmou, Israel tem combatido em "sete frentes": Hamas, Hezbollah, Houthis, Irã, milícias no Iraque e Síria, e grupos palestinos na Cisjordânia.
A defesa contra acusações de genocídio em Gaza ocupou parte significativa do discurso. Netanyahu acusou o Hamas de usar civis como escudos humanos e de operar em hospitais, escolas e mesquitas, enquanto Israel teria tentado remover civis das áreas de combate. Chamou as acusações de genocídio de "a maior mentira do século" e citou medidas que, segundo ele, as Forças Armadas israelenses adotaram para reduzir mortes civis: milhões de mensagens, ligações e folhetos alertando moradores a deixarem zonas de combate. Questionou retoricamente: "Qual regime genocida fornece um milhão de doses de vacinas para uma população inimiga? Qual regime genocida permite a distribuição de 2 milhões de toneladas de alimentos para Gaza?" Sem apresentar provas, alegou que Israel enfrenta uma "guerra pela verdade" nas redes sociais e na imprensa internacional, com países gastando bilhões para espalhar o que chamou de mentiras.
Netanyahu minimizou a violência de colonos israelenses na Cisjordânia, descrevendo-a como atos de cerca de 150 jovens que recebem atenção desproporcional da mídia e de líderes internacionais. Contrapôs esses episódios aos ataques palestinos contra israelenses na região. Mencionou nominalmente o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, crítico da atuação israelense em Gaza, dizendo: "Você tentou me impedir de vir aqui. Você tentou me silenciar. Bem, você não pode me silenciar, você não pode silenciar a verdade".
O discurso reservou elogios calorosos aos Estados Unidos. Netanyahu afirmou que pilotos americanos e israelenses realizaram missões conjuntas contra o Irã e que os dois países agiram "não apenas para proteger a si mesmos, mas também para salvar a civilização". Descreveu Donald Trump como o melhor parceiro que Israel já teve. Repetiu uma das frases-chave de seu discurso: "Continuaremos vencendo, porque não temos outra escolha". O tom geral foi de defesa intransigente, com pouca abertura para crítica ou nuance sobre as operações israelenses em qualquer teatro de conflito.
Citas Notables
Não se trata de territórios. É sobre a existência de um Estado judeu em quaisquer fronteiras— Benjamin Netanyahu, durante discurso na ONU
Qual regime genocida fornece um milhão de doses de vacinas para uma população inimiga? Qual regime genocida permite a distribuição de 2 milhões de toneladas de alimentos para Gaza?— Benjamin Netanyahu, respondendo a acusações de genocídio