Albanese sofreu sanções dos EUA em 2025 por colaborar com investigação do TPI contra Israel, tendo visto diplomático revogado e bens confiscados. A italiana acusa Israel de apartheid e sistema supremacista contra palestinos, rejeitando críticas de antissemitismo e afirmando que denuncia crimes internacionais.
Brasil deve suspender comércio com Israel, diz relatora especial da ONU
O sistema que permite o genocídio é o inimigo comum
Por que Albanese é tão central nessa conversa sobre Israel e Palestina?
Porque ela tem uma posição oficial na ONU e usa-a para denunciar o que chama de crimes internacionais. Não é uma ativista comum — é uma relatora especial com mandato até 2028.
Mas ela também é acusada de antissemitismo. Essas acusações têm fundamento documentado, ou são apenas ataques?
Ela nega veementemente e diz que há registro de suas condenações aos ataques do Hamas. O vídeo falso de fevereiro mostrou como seus inimigos distorcem suas palavras.
E as sanções americanas — foram legais?
Não, segundo um juiz federal. Mas isso não significa que todas as críticas a ela sejam injustas. Um juiz pode proteger sua liberdade de expressão e ela ainda assim fazer afirmações contestáveis.
Verdade. Mas o ponto dela é que o sistema internacional está sendo usado para silenciar quem denuncia. Seus bens foram confiscados, sua vida foi desmantelada.
Ela realmente acredita que o Brasil deveria cortar todo comércio com Israel?
Sim. Para ela, é a única maneira legal de manter o direito internacional de pé enquanto os EUA vetam ações no Conselho de Segurança.
Mas o Brasil faz isso? E se não fizer, o que muda?
Ela não responde a isso. Está pedindo, não prevendo.
E quanto à questão do apartheid? A Corte Internacional de Justiça não confirmou isso.
Exato. Albanese fundamenta em uma convenção de 1973, mas a Corte foi mais cautelosa. Há espaço legítimo para discordar dela aqui.
Ela argumenta que o sistema de dominação existe independentemente do termo usado. Mas Luke tem razão — não é consenso internacional.
Der Puls
- Sanções dos EUA contra Albanese em julho de 2025 foram suspensas por juiz federal em maio de 2026
- Visto diplomático revogado, apartamento confiscado, conta bancária fechada e afiliação acadêmica encerrada
- Albanese é relatora especial da ONU desde 2022, com mandato até 2028
- Declarada persona non grata por Israel desde fevereiro de 2024
Albanese sofreu sanções dos EUA em 2025 por colaborar com investigação do TPI contra Israel, tendo visto diplomático revogado e bens confiscados. A italiana acusa Israel de apartheid e sistema supremacista contra palestinos, rejeitando críticas de antissemitismo e afirmando que denuncia crimes internacionais.
Francesca Albanese, relatora especial da ONU para Palestina, afirma que Brasil deve suspender todo comércio com Israel como medida legal para proteger direitos palestinos e manter o direito internacional.
Em julho de 2025, o Departamento de Estado americano impôs sanções contra pessoas envolvidas na investigação do Tribunal Penal Internacional sobre as ações de Israel na Faixa de Gaza. Uma delas foi Francesca Albanese, relatora especial das Nações Unidas para a Palestina. As sanções foram suspensas em maio de 2026 depois que um juiz federal americano determinou que violavam a liberdade de expressão da italiana.
Albanese, advogada de 49 anos nascida no sul da Itália, trabalhou para o Escritório de Direitos Humanos da ONU e para a UNRWA antes de ser eleita em 2022 ao cargo de relatora especial sobre direitos humanos no território palestino ocupado. Seu mandato se estende até 2028. Desde então, tornou-se figura central em denúncias sobre a situação dos palestinos, frequentemente acusada de antissemitismo por Israel e seus aliados.
O impacto das sanções americanas sobre sua vida foi abrangente. Seu visto diplomático aos Estados Unidos foi revogado, sua afiliação acadêmica na Universidade Georgetown foi encerrada, seu apartamento em Washington foi confiscado, seu seguro de saúde foi cancelado e sua conta bancária foi fechada. Albanese descreve essas ações como grave violação de seus privilégios e imunidades como membro do sistema das Nações Unidas.
Em fevereiro de 2026, uma organização pró-Israel chamada UN Watch publicou um vídeo editado no qual Albanese parecia afirmar que Israel era "o inimigo comum" da humanidade. Na verdade, ela não mencionava o país e posteriormente esclareceu que se referia a "o sistema que permite o genocídio na Palestina". Apesar da correção, França e Alemanha pediram sua renúncia. Albanese foi declarada persona non grata por Israel e está proibida de entrar no país desde fevereiro de 2024, decisão que veio após ela afirmar que os civis israelenses mortos no ataque do Hamas em 7 de outubro foram assassinados em resposta à opressão israelense, não por serem judeus.
Quanto às acusações de apoiar o terrorismo, Albanese responde que há amplo registro de suas falas condenando os ataques de 7 de outubro e os crimes do Hamas contra civis israelenses. Ela argumenta que um funcionário da ONU que apoiasse terrorismo seria expulso imediatamente. Sobre o vídeo falso, afirma que "essa história foi um mal que veio para o bem" porque expôs a virulência do sistema de ataque contra quem denuncia o genocídio.
No cerne de seu trabalho está a acusação de que Israel pratica apartheid. A Corte Internacional de Justiça não afirmou explicitamente isso, e Tel Aviv sustenta que o tratamento diferenciado se baseia na nacionalidade, não na raça. Albanese fundamenta sua posição na Convenção do Apartheid de 1973, que se refere a regimes com a mesma conduta da África do Sul. Ela argumenta que Israel usa diferenças religiosas e étnicas para criar um sistema supremacista contra palestinos, tratando-os como uma raça inferior e até mesmo sub-humanos, conforme líderes israelenses já se referiram a eles.
Quanto ao futuro político de Israel, Albanese é pessimista. Não acredita que mudanças no governo após as eleições de 2026 alterarão a conduta israelense. O objetivo de anexação não é prerrogativa apenas de ministros extremistas como Itamar Ben-Gvir e Bezalel Smotrich, mas reflete prioridades mais amplas na sociedade israelense. A luta contra palestinos e árabes funciona como fator de coesão social, tornando improvável qualquer mudança de política no curto ou médio prazo.
Por isso, Albanese defende sanções internacionais como única solução legal. Pede que o Brasil suspenda todo o comércio com Israel, argumentando que isso é a única maneira legal de lidar com o país e de manter o sistema do direito internacional de pé. Especificamente, menciona que o Brasil não deveria exportar carvão que alimenta a máquina de guerra israelense contra palestinos, libaneses e outros na região. Para ela, enquanto os Estados Unidos mantêm seu veto no Conselho de Segurança da ONU, os Estados-membros precisam obedecer ao direito internacional e não auxiliar um país que possivelmente comete crimes internacionais.
Bemerkenswerte Zitate
Trata-se da única maneira legal de lidar com Israel e a única maneira de manter o sistema do direito internacional de pé— Francesca Albanese, sobre suspensão do comércio com Israel
Existem esses carniceiros, como gosto de chamá-los. Israel dispõe de um exército infindável de lacaios que saem procurando por qualquer coisa que possa ser usada contra quem denuncia o genocídio— Francesca Albanese, sobre ataques contra sua credibilidade