Ninguém é juiz do mundo. Devemos nos preparar para o pior.
Quando Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva aérea contra o Irã e o aiatolá Ali Khamenei foi morto em resposta, o mundo entrou em um território de incerteza que poucos ousavam nomear. O Brasil, pela voz do embaixador Celso Amorim, escolheu nomear: o pior ainda pode estar por vir. Em um momento em que Lula se prepara para encontrar Trump em Washington, o país navega entre a obrigação moral de condenar o inaceitável e a necessidade pragmática de manter o diálogo — uma tensão tão antiga quanto a própria diplomacia.
- A morte do aiatolá Khamenei, junto com o chefe do Estado-Maior e o ministro da Defesa do Irã, elevou o conflito a um patamar que parecia impensável apenas dias antes.
- O fechamento do Estreito de Ormuz e os ataques de mísseis e drones iranianos contra Israel e bases americanas sinalizaram que a retaliação não seria simbólica.
- Amorim alerta que o verdadeiro perigo está no alastramento: o Irã tem décadas de prática em armar grupos xiitas e radicais espalhados pelo Oriente Médio, e uma escalada descontrolada pode arrastar novos atores para a guerra.
- O Brasil se vê em um fio de navalha — condenou publicamente a morte de um líder de Estado em exercício, mas precisa preservar o canal de diálogo com Washington às vésperas do encontro Lula-Trump.
- O Itamaraty já se manifestou pedindo suspensão das ações militares na região do Golfo, enquanto Amorim admite que ainda não conversou com Lula sobre os desdobramentos — e planeja fazê-lo com urgência.
Na segunda-feira, o embaixador Celso Amorim concedeu uma entrevista à GloboNews carregada de peso: o Brasil, disse ele, precisa estar pronto para o pior. A advertência não era retórica. No sábado anterior, Estados Unidos e Israel haviam lançado uma ofensiva aérea massiva contra instalações militares iranianas, justificando a ação como resposta ao programa nuclear do regime. O Irã revidou com mísseis e drones contra Israel e bases americanas na região. Quando a poeira começou a baixar, Teerã confirmou o que parecia impossível — o aiatolá Ali Khamenei estava morto, junto com o chefe do Estado-Maior e o ministro da Defesa. Centenas de pessoas morreram. O Estreito de Ormuz foi fechado.
Para Amorim, o perigo real não era o que já havia acontecido, mas o que poderia vir a seguir. O Irã tem um histórico consolidado de fornecer armamento a grupos xiitas e radicais em outros países. Uma escalada descontrolada poderia significar ataques coordenados em múltiplos pontos do Oriente Médio, cada um com potencial de puxar novos atores para o conflito.
O momento era particularmente delicado para o Brasil. Lula tinha um encontro marcado com Donald Trump em Washington, previsto para meados de março, e a crise colocava em xeque tanto a viagem quanto o tom da relação bilateral. Amorim ainda não havia conversado com o presidente sobre a situação e planejava fazê-lo naquele mesmo dia.
O assessor foi preciso ao descrever o dilema brasileiro: encontrar equilíbrio entre a verdade e a conveniência. O país já havia se posicionado — o Itamaraty pediu a suspensão das ações militares na região do Golfo e manifestou solidariedade às vítimas dos ataques retaliatórios. Amorim foi ainda mais direto: 'Matar um líder de um país, que está em exercício, é condenável e inaceitável.' Mas encerrou com a frase que resumia tudo: 'Devemos nos preparar para o pior.' Era um aviso, não uma previsão — e o Brasil estava observando, esperando e se posicionando para um Oriente Médio que prometia se tornar ainda mais instável.
Na segunda-feira, o embaixador Celso Amorim, que funciona como assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi direto ao ponto em uma entrevista à GloboNews: o Brasil precisa estar pronto para o pior. Sua advertência vinha carregada de peso, porque o pior, naquele momento, já tinha acontecido — e podia ficar muito mais grave.
Tudo começou no sábado anterior, quando Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva aérea massiva contra instalações militares iranianas. Os dois países justificaram a ação como necessária para neutralizar o programa nuclear do Irã e responder a ameaças atribuídas ao regime. O que se seguiu foi uma reação em cascata: Teerã disparou mísseis e drones contra Israel e contra bases norte-americanas espalhadas pela região. Quando a poeira começou a baixar, o governo iraniano confirmou o que parecia impossível — o aiatolá Ali Khamenei, o líder supremo do país, estava morto. Junto com ele caíram outras figuras de primeiro escalão: o chefe do Estado-Maior e o ministro da Defesa. Centenas de pessoas morreram no Irã. O Estreito de Ormuz foi fechado. A tensão na região subiu a níveis que ninguém esperava.
Para Amorim, o perigo real não era apenas o que já tinha acontecido. Era o que poderia vir a seguir. Quando questionado sobre o significado exato de "se preparar para o pior", ele apontou para um cenário de alastramento regional. O Irã, explicou, tem um histórico de fornecer armamento para grupos xiitas em outros países e para grupos radicais. Uma escalada descontrolada poderia significar ataques coordenados em múltiplos pontos do Oriente Médio, cada um deles com potencial de puxar novos atores para o conflito.
O timing da crise era particularmente delicado para o Brasil. Lula tinha um encontro marcado com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, previsto para meados de março em Washington. Amorim ainda não tinha tido uma conversa aprofundada com Lula sobre a situação — ele planejava ligar para o presidente naquele mesmo dia. A questão que pairava no ar era se a escalada no Oriente Médio afetaria a viagem.
Mas havia algo mais complexo em jogo. Amorim deixou claro que o Brasil estava em um fio de navalha diplomático. "É sempre difícil encontrar o equilíbrio entre a verdade e a conveniência", disse ele. O país precisava manter sua credibilidade condenando o que considerava inaceitável — a morte de um líder de estado em exercício — sem perder a capacidade de diálogo com os Estados Unidos. Não era um problema simples de resolver.
O governo brasileiro já tinha se posicionado. Manifestou solidariedade aos países atingidos pelos ataques retaliatórios iranianos e defendeu a suspensão das ações militares na região do Golfo. Em um comunicado divulgado no sábado à noite, o Ministério das Relações Exteriores declarou que a escalada do conflito representava uma grave ameaça à paz.
Amorim resumiu a posição brasileira de forma contundente: "Ninguém é juiz do mundo. Matar um líder de um país, que está em exercício, é condenável e inaceitável." Mas depois completou: "Devemos nos preparar para o pior." Era um aviso, não uma previsão. O Brasil estava observando, esperando, e se preparando para um Oriente Médio que poderia se tornar ainda mais perigoso nos dias que viriam.
Citações Notáveis
Matar um líder de um país, que está em exercício, é condenável e inaceitável— Celso Amorim, assessor especial do presidente Lula
É sempre difícil encontrar o equilíbrio entre a verdade e a conveniência. Não perder a capacidade de diálogo sem comprometer a credibilidade exige destreza— Celso Amorim
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que Celso Amorim escolheu usar exatamente a frase "se preparar para o pior"? Parece uma linguagem muito direta para um diplomata.
Porque naquele momento, o pior já tinha acontecido. O líder supremo do Irã estava morto. Centenas de pessoas tinham morrido. Mas Amorim não estava falando do passado — estava falando do que poderia vir a seguir. A frase era um aviso de que a situação poderia sair completamente do controle.
E qual seria esse cenário ainda pior que ele imaginava?
Ele foi bem específico sobre isso. O Irã fornece historicamente armas para grupos xiitas e radicais em vários países. Se o conflito se espalhasse, você teria ataques coordenados em múltiplos pontos do Oriente Médio simultaneamente. Não seria mais apenas um confronto entre Irã e Israel — seria uma região inteira em chamas.
Mas por que o Brasil deveria se importar? Fica longe daqui.
Não é sobre distância geográfica. É sobre estabilidade global. Um conflito regional no Oriente Médio afeta preços de petróleo, fluxos comerciais, segurança de cidadãos brasileiros que estão lá. E diplomaticamente, o Brasil estava em uma posição incômoda — precisava condenar o que considerava inaceitável, mas sem alienar os Estados Unidos, com quem tinha um encontro importante marcado.
Então Amorim estava pedindo ao Brasil para condenar e ao mesmo tempo manter boas relações com Trump?
Exatamente. Ele mesmo disse: "É sempre difícil encontrar o equilíbrio entre a verdade e a conveniência." O Brasil precisava ser honesto sobre seus valores — que matar um líder de estado é inaceitável — mas sem perder a capacidade de conversar com Washington. Era destreza diplomática, não hipocrisia.
E a viagem de Lula a Washington? Estava em risco?
Ainda era uma incógnita. A viagem estava marcada para meados de março, apenas duas semanas depois dessa crise. Amorim nem tinha tido uma conversa aprofundada com Lula sobre o assunto ainda. Tudo dependeria de como a situação evoluísse nos dias seguintes.