Por mais de duas décadas, o Brasil construiu uma das maiores bases de dados sociais do mundo, mas permanece preso a uma lógica de elegibilidade que ignora a riqueza das informações que ele mesmo coleta. Em um país onde a informalidade torna a renda dos mais pobres invisível ao Estado, especialistas e o próprio Nobel Abhijit Banerjee alertam que a governança de benefícios sociais é uma das questões mais urgentes da política contemporânea. O paradoxo brasileiro é eloquente: há tecnologia, há dados, há infraestrutura — o que falta é a decisão de usá-los.