Cada etapa superada fortalece a autonomia e abre portas para experiências internacionais
Oito alunos do Colégio Canadá e um do Colégio dos Sagrados Corações representarão o Brasil em Bangkok em agosto de 2026. A preparação contínua em clubes de estudos especializados e participação regular em competições internacionais revelam talentos brasileiros.
- Nove estudantes brasileiros (oito do Colégio Canadá em Guarulhos, um do Colégio dos Sagrados Corações em Goiás) competirão em Bangkok em agosto de 2026
- A SIMSO reúne estudantes de dezenas de países e exige resolução de 30 questões em 90 minutos
- Os participantes fazem parte de um clube de estudos que se reúne semanalmente às terças e quartas-feiras por uma hora e meia
- O Colégio Canadá é a única instituição brasileira com grupo completo classificado para a etapa internacional desta edição
Nove estudantes brasileiros conquistaram vaga na fase internacional da SIMSO, competição global de matemática e ciências, reforçando o avanço da educação científica no país.
Nove estudantes brasileiros embarcam em uma jornada que poucos conseguem alcançar. No início de agosto, eles estarão em Bangkok, na Tailândia, competindo na fase internacional da Siam International Math and Science Olympics (SIMSO), uma das principais competições acadêmicas de matemática e ciências do mundo. A notícia foi confirmada em 28 de junho de 2026: oito alunos do Colégio Canadá, em Guarulhos, São Paulo, e um estudante do Colégio dos Sagrados Corações, em Goiás, conquistaram suas vagas após se destacarem na etapa nacional.
Os nomes que representarão o Brasil são Amanda Andrade Lima Cruz, Arthur Sousa Carlos de Oliveira, Denis Nery de Almeida, Felipe da Costa Lima, Lucas Zago Alves, Pedro de Andrade Neme, Rafael Peluso Beraldo, Roberto Miranda Squillaci Filho e Nicolas Vaz Domiciano de Paula Marcondes. Eles não chegaram a essa posição por acaso. Fazem parte de um clube de estudos voltado especificamente para olimpíadas científicas, onde participam de encontros semanais às terças e quartas-feiras, com duração de uma hora e meia. Em um encontro trabalham conteúdos de matemática olímpica; no outro, resolvem provas de competições anteriores, incluindo edições passadas da própria SIMSO. Esse trabalho contínuo, orientado pelo professor Lucas Calanca, fortalece o pensamento lógico, a interpretação de problemas complexos e a capacidade de encontrar soluções sob pressão de tempo.
A SIMSO funciona em duas etapas. Na fase nacional, cada estudante realiza provas em seu próprio país, respondendo a 30 questões de múltipla escolha em até 90 minutos, podendo escolher entre Matemática, Ciências ou ambas. Os exames são enviados para a Tailândia, onde a equipe da International Champions in Education (ICE) realiza a correção. Os medalhistas e melhores colocados garantem a vaga para a fase presencial. Na etapa internacional, o desafio aumenta: mantém-se o formato de 30 questões e 90 minutos, mas exige um nível mais elevado de raciocínio lógico e aplicação prática dos conhecimentos. A competição reúne estudantes de dezenas de países — Brasil, Estados Unidos, China, Japão, Coreia do Sul, Singapura, Austrália, França e Polônia, entre outros.
O Colégio Canadá é a única instituição brasileira com um grupo completo classificado para a etapa internacional desta edição. A escola foi inscrita por meio do Centro Olímpico de Desenvolvimento Acadêmico e Cultural (CODAC), representante oficial da ICE no Brasil. Esse não é um feito isolado da instituição. Ela participa regularmente de competições internacionais e já levou alunos para eventos nas Filipinas, Índia, México, Tailândia e Estados Unidos. Neste ano, também participará de outra olimpíada internacional na África do Sul, prevista para outubro. Esse histórico demonstra um trabalho contínuo de incentivo ao conhecimento e ao desenvolvimento de jovens talentos.
Além da competição em si, os participantes viverão uma experiência completa em Bangkok. Haverá intercâmbio cultural com estudantes de diferentes países, passeios turísticos pela cidade, cerimônia oficial de premiação e entrega de medalhas de ouro, prata e bronze, além da Medalha de Mérito para os demais participantes. Para muitos desses jovens, essa vivência representa um importante diferencial na formação, especialmente para aqueles que pretendem seguir carreira nas áreas STEM — Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.
Os benefícios de participar de uma olimpíada de matemática vão muito além dos resultados obtidos na competição. A preparação constante desenvolve competências importantes para diferentes etapas da vida acadêmica e profissional: pensamento analítico, capacidade de resolver problemas complexos e disciplina para lidar com desafios. Cada etapa superada fortalece a autonomia dos estudantes e mostra que a dedicação aos estudos abre portas para experiências internacionais.
O crescimento das olimpíadas acadêmicas reflete um avanço mais amplo da educação científica nas escolas brasileiras. Projetos voltados para competições estimulam o interesse dos alunos desde cedo e ajudam a identificar jovens com grande potencial. Ao incentivar a participação em desafios nacionais e internacionais, as instituições aproximam os estudantes do universo da pesquisa e da inovação, favorecendo a formação de profissionais mais preparados para enfrentar os desafios tecnológicos do futuro. Os talentos brasileiros revelados nessas competições demonstram que investir em conhecimento é uma estratégia capaz de gerar impactos positivos não apenas para os alunos, mas também para o desenvolvimento científico do país.
Em agosto, quando esses nove estudantes chegarem a Bangkok, levarão consigo o potencial dos talentos brasileiros e mostrarão como a olimpíada de matemática pode estimular o desenvolvimento intelectual desde cedo. Mais do que disputar medalhas, eles representarão o Brasil em uma importante competição internacional, abrindo caminho para que outras escolas invistam em projetos semelhantes e novas gerações de jovens talentos possam competir em eventos de alto nível.
Notable Quotes
Os alunos participam semanalmente de encontros específicos para aperfeiçoar seus conhecimentos, com foco em matemática olímpica e resolução de provas de competições anteriores— Professor Lucas Calanca, responsável pelas olimpíadas científicas do Colégio Canadá
The Hearth Conversation Another angle on the story
Por que uma competição de matemática em Bangkok importa para o Brasil?
Porque esses nove estudantes não estão apenas competindo — estão mostrando que há talentos brasileiros capazes de disputar em pé de igualdade com estudantes de países como China, Japão e Estados Unidos. Isso muda a narrativa sobre educação científica no país.
Mas qual é o diferencial do trabalho que essas escolas fazem?
O Colégio Canadá mantém um clube de estudos que se reúne toda semana, focado especificamente em olimpíadas. Não é aula tradicional. É resolução de problemas, análise de provas anteriores, desenvolvimento de estratégias. Isso cria uma rotina que transforma como os alunos pensam.
E para os estudantes, qual é o ganho real além da medalha?
Eles desenvolvem pensamento analítico, aprendem a resolver problemas complexos sob pressão, ganham confiança. Mas também ganham algo menos tangível: a certeza de que dedicação abre portas internacionais. Para quem quer seguir carreira em STEM, isso é transformador.
Isso é isolado ou há um movimento maior?
Não é isolado. O Colégio Canadá já levou alunos para competições nas Filipinas, Índia, México, Tailândia e Estados Unidos. Outras escolas estão começando a investir em programas semelhantes. É um movimento crescente de educação científica no Brasil.
E o que muda quando esses alunos voltam?
Eles se tornam referência para outros estudantes. Mostram que é possível. E as escolas ganham credibilidade internacional, o que atrai mais alunos interessados em desafios acadêmicos sérios. É um ciclo que se alimenta.