Em 2025, o Brasil alcançou o menor número de casos de malária em quase cinco décadas — um marco que não era atingido desde 1978. A incorporação da tafenoquina ao SUS, com sua dose única capaz de prevenir recaídas, transformou silenciosamente a lógica do tratamento, especialmente nas regiões mais remotas e nos territórios indígenas onde a continuidade terapêutica era, até então, um obstáculo estrutural. Esse avanço não é apenas estatístico: é a expressão de uma política pública que, ao simplificar o cuidado, alcançou quem mais precisava.
Brasil atinge menor número de casos de malária em 48 anos com tafenoquina no SUS
Uma dose única muda tudo em territórios onde o acesso é medido em dias de canoa
Por que a tafenoquina faz tanta diferença se o Brasil já tinha outros tratamentos para malária?
Porque os tratamentos antigos exigiam que o paciente voltasse várias vezes à unidade de saúde, tomasse o medicamento por dias seguidos, e muitas vezes não completava o esquema. Na Amazônia, em territórios indígenas, isso é quase impossível. Uma dose única muda tudo.
E funciona mesmo? Os números parecem muito bons para ser verdade.
Funciona. Mas também não é só o medicamento. Ao mesmo tempo, o Brasil expandiu diagnóstico, ofereceu mais testes, melhorou o tratamento geral. A tafenoquina é a peça que faltava, mas dentro de um sistema que estava sendo reconstruído.
Você mencionou territórios indígenas. Por que eles eram tão afetados?
Porque malária é uma doença de difícil acesso. Se você mora a dias de canoa de um hospital, e precisa tomar um remédio por duas semanas, você não vai conseguir. A tafenoquina resolveu isso: você toma uma vez e pronto.
Mas agora tem uma versão para crianças. Isso não era possível antes?
Não. A versão pediátrica é recente, de 2026. Crianças pequenas precisam de doses diferentes, formulações diferentes. Levar isso para 54 municípios e 17 distritos indígenas em poucos meses mostra que havia vontade política de fazer isso funcionar.
O que vem depois? Malária vai desaparecer?
Não desaparece assim. Mas o Brasil agora tem uma meta: eliminar como problema de saúde pública até 2030. Já fez isso com outras doenças. A trajetória sugere que é possível.
Il Polso
- Com 39 mortes em 2025 contra 56 em 2024, o Brasil registrou queda de 30% na mortalidade por malária — 17 vidas preservadas em um único ano.
- A tafenoquina, disponível no SUS desde 2024, eliminou a necessidade de esquemas prolongados de tratamento, reduzindo drasticamente as recaídas em populações indígenas como os Yanomami, onde os casos caíram 55% entre janeiro e julho.
- A expansão para crianças a partir de 2 anos, iniciada em março de 2026, e a capacitação de mais de 2,4 mil profissionais de saúde revelam uma estratégia que vai além do medicamento — é uma reorganização da linha de frente do cuidado.
- O Brasil, primeiro país do mundo a incorporar a tafenoquina ao sistema público de saúde, avança dentro do programa Brasil Saudável, que mira a eliminação de 11 doenças como problemas de saúde pública até 2030.
Em 2025, o Brasil alcançou o menor número de casos de malária em quase cinco décadas — um marco que não era atingido desde 1978. A incorporação da tafenoquina ao SUS, com sua dose única capaz de prevenir recaídas, transformou silenciosamente a lógica do tratamento, especialmente nas regiões mais remotas e nos territórios indígenas onde a continuidade terapêutica era, até então, um obstáculo estrutural. Esse avanço não é apenas estatístico: é a expressão de uma política pública que, ao simplificar o cuidado, alcançou quem mais precisava.
Em 2025, o Brasil registrou 118.037 casos de malária — o menor número desde 1978 — e uma redução de 30% nas mortes pela doença, de 56 para 39 óbitos. Os dados foram apresentados pelo ministro Alexandre Padilha no 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, em Brasília, e coincidem com a chegada de um medicamento que mudou a lógica do tratamento: a tafenoquina.
Incorporada ao SUS em 2023 e disponibilizada à população em 2024, a tafenoquina age em dose única, eliminando a forma do parasita que permanece no fígado e provoca recaídas. Para regiões remotas e territórios indígenas, onde completar tratamentos prolongados era um desafio logístico real, essa simplicidade representou uma virada. Até junho de 2026, mais de 33,7 mil pessoas haviam recebido o medicamento no país.
O impacto foi especialmente visível no DSEI Yanomami: 1.515 pessoas tratadas, recaídas caindo 61,9% entre março e junho de 2026, e uma redução de 55% no total de casos entre janeiro e julho — de 17 mil para 7,6 mil. Em março de 2026, o SUS passou a oferecer também a formulação pediátrica, para crianças a partir de 2 anos, já administrada a 1.446 pacientes em 54 municípios e 17 DSEIs. Mais de 2,4 mil profissionais foram capacitados para viabilizar essa expansão.
O avanço contra a malária integra o programa Brasil Saudável, iniciativa federal que envolve 14 ministérios e busca eliminar 11 doenças como problemas de saúde pública até 2030. O país já conquistou certificações internacionais pela eliminação da filariose linfática e pela interrupção da transmissão vertical do HIV. Ao se tornar o primeiro país do mundo a incorporar a tafenoquina ao sistema público de saúde, o Brasil não apenas registra números melhores — reescreve, gradualmente, sua relação histórica com doenças que por décadas pareciam intratáveis.
Em 2025, o Brasil chegou a um marco que não alcançava desde 1978: apenas 118.037 casos de malária registrados em todo o país. O número representa uma queda de 15% em relação ao ano anterior e, mais significativamente, uma redução de 30% nas mortes pela doença — de 56 óbitos em 2024 para 39 em 2025. Esses dados foram apresentados pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na segunda-feira 17 de agosto, durante o 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, em Brasília. O timing não é coincidência: a melhora coincide com a disponibilização da tafenoquina no Sistema Único de Saúde, um medicamento que mudou fundamentalmente a forma como o Brasil trata a malária.
A tafenoquina foi incorporada ao SUS em 2023 e começou a ser oferecida à população em 2024. O diferencial está em sua simplicidade: uma dose única. Diferentemente dos esquemas tradicionais que exigem múltiplas doses ao longo de dias ou semanas, este medicamento age de forma prolongada, atacando a forma do parasita que pode permanecer no fígado e causar recaídas. Para pacientes com 16 anos ou mais e peso mínimo de 35 quilos, essa mudança representa não apenas eficácia, mas também praticidade — especialmente crucial em regiões remotas e de difícil acesso, onde completar um tratamento prolongado é um desafio logístico real. Até junho de 2026, mais de 33,7 mil pessoas haviam recebido o tratamento no país.
O impacto foi particularmente visível entre populações indígenas. No Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami, 1.515 pessoas receberam tafenoquina. Entre março e junho de 2026, as recaídas de malária caíram 61,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Considerando o intervalo de janeiro a julho, o número total de casos diminuiu 55%, passando de 17 mil para 7,6 mil. Esses números ganham peso quando se considera a realidade dos territórios indígenas: acesso limitado a serviços de saúde, distâncias que tornam acompanhamento médico frequente impraticável, e populações historicamente vulneráveis a doenças infecciosas. A dose única da tafenoquina eliminou uma barreira estrutural ao tratamento adequado.
Em março de 2026, o SUS começou a oferecer também uma formulação pediátrica do medicamento, indicada para crianças a partir de 2 anos com peso mínimo de 10 quilos. Até junho, 1.446 crianças e adolescentes já haviam recebido o tratamento. A versão infantil está disponível em 54 municípios e 17 DSEIs. Para viabilizar essa expansão, mais de 2,4 mil profissionais de saúde foram capacitados para administrar o medicamento. Essa estrutura de treinamento reflete uma estratégia deliberada: não basta ter o medicamento; é preciso que os profissionais que trabalham nas linhas de frente da saúde pública saibam como usá-lo.
O combate à malária integra uma iniciativa mais ampla do governo federal chamada Brasil Saudável — Unir para Cuidar, que envolve 14 ministérios e visa eliminar ou reduzir como problemas de saúde pública um total de 11 doenças e cinco infecções de transmissão vertical até 2030. A lista inclui tuberculose, hanseníase, HIV/Aids, hepatites virais, tracoma, oncocercose, doença de Chagas, esquistossomose, geo-helmintíases e filariose linfática. O programa já colheu frutos: em setembro de 2024, o Brasil conquistou a certificação internacional pela eliminação da filariose linfática como problema de saúde pública. Em dezembro de 2025, recebeu certificação pela eliminação da transmissão vertical do HIV. Os avanços contra a malária reforçam esse movimento.
O ministro Padilha destacou que o Brasil se tornou o primeiro país do mundo a incorporar a tafenoquina ao tratamento da malária em seu sistema público de saúde. Essa posição de vanguarda reflete não apenas uma decisão de política pública, mas também um investimento em pesquisa, logística e capacitação que vai além do medicamento em si. A redução de 30% nas mortes e de 30,7% nos casos graves da doença representa vidas preservadas — 17 pessoas que não morreram em 2025 em comparação com 2024, e dezenas de milhares que não desenvolveram as formas mais severas da infecção. Para um país que, há menos de uma década, registrava números muito maiores de casos, essa trajetória marca uma inflexão significativa na história da saúde pública brasileira.
Citazioni salienti
Chegamos à menor taxa de casos de malária dos últimos 47 anos na nossa história. O Brasil passa a ser o primeiro país do mundo a incorporar a tafenoquina ao tratamento da malária.— Alexandre Padilha, ministro da Saúde