Brasil abandona plenária da ONU durante discurso de Netanyahu

Milhões de palestinos em Gaza sofrem com o conflito, incluindo mulheres e crianças, conforme denunciado pelo presidente Lula na ONU.
Se outros covardes morais ainda estivessem presentes, poderiam se retirar
Netanyahu respondeu à saída em massa de delegações com uma provocação durante seu discurso na ONU.
Mark

Por que o Brasil se retira especificamente durante o discurso de Netanyahu? É um protesto contra a pessoa ou contra a política?

Mimi

É ambos. Lula havia acusado Netanyahu de genocídio dois dias antes, na mesma assembleia. A retirada é uma declaração de que o Brasil não reconhece a legitimidade daquele discurso.

Luke

Mas a delegação que saiu não incluía Lula ou o chanceler. Eram funcionários. Quanto peso diplomático tem isso realmente?

Mimi

Menos do que teria se fossem autoridades de alto nível, é verdade. Mas o gesto ainda é público e registrado. E o chanceler estava em outro evento — de apoio aos refugiados palestinos. Isso também é uma mensagem.

Mark

E as outras delegações que saíram? Quantas eram?

Mimi

A fonte não especifica o número exato. Apenas diz que a debandada foi massiva e feita por diversas outras delegações.

Luke

Então não sabemos se foram 5 ou 50 países. Isso importa para entender se foi um protesto coordenado ou disperso.

Mimi

Justo. O que sabemos é que Netanyahu foi vaiado e que o presidente da sessão precisou pedir ordem mais de uma vez. O clima era de rejeição clara.

Mark

Netanyahu tem um mandato de prisão do TPI. Como ele consegue viajar livremente?

Mimi

Os EUA não assinaram o Estatuto de Roma. Então não têm obrigação legal de prender ninguém com mandado do TPI em seu território.

Luke

E Israel também não assinou. Então Netanyahu está protegido em ambos os lados.

Mimi

Exatamente. É uma lacuna no sistema internacional que permite que ele se mova sem risco legal, pelo menos nos EUA.

  • Netanyahu foi vaiado em pleno plenário da ONU e precisou provocar os ausentes, chamando-os de 'covardes morais' — sinal de que o isolamento diplomático ao redor de sua figura se aprofunda.
  • O Brasil repete pela segunda vez consecutiva o gesto de abandono da sessão, desta vez com o chanceler deliberadamente ausente em um evento de apoio aos refugiados palestinos.
  • Lula havia nomeado Netanyahu como responsável por genocídio dois dias antes, e Israel respondeu declarando o presidente brasileiro persona non grata — a mesma punição simbólica já aplicada ao secretário-geral da ONU.
  • Mahmoud Abbas participou da Assembleia-Geral por videochamada porque os EUA lhe negaram visto, enquanto Netanyahu circula livremente em Nova York apesar de um mandato de prisão do Tribunal Penal Internacional.
  • Protestos tomaram as ruas de Nova York e o prefeito recuou de uma promessa de prender Netanyahu, expondo os limites reais do direito internacional quando confrontado com o poder geopolítico americano.

No coração da diplomacia multilateral, onde palavras carregam o peso de vidas e fronteiras, a delegação brasileira voltou a deixar o plenário da ONU enquanto Netanyahu discursava — um gesto silencioso que ecoa uma posição cada vez menos silenciosa do Brasil diante do conflito em Gaza. Dois dias antes, Lula havia acusado o premier israelense de genocídio da tribuna mais simbólica do mundo; agora, a cadeira vazia falava por si. O episódio revela não apenas uma ruptura diplomática bilateral, mas uma fratura mais ampla na comunidade internacional sobre os limites da soberania, da responsabilização e da cumplicidade.

Na tarde de quinta-feira, enquanto Binyamin Netanyahu discursava na Assembleia-Geral da ONU em Nova York, a delegação brasileira deixou o plenário — repetindo o gesto do ano anterior. Não estava sozinha: outras delegações também se retiraram, e Netanyahu foi vaiado pelos presentes. O presidente da sessão precisou pedir ordem mais de uma vez. O premier respondeu com uma provocação aos ausentes, chamando-os de 'covardes morais'.

O chanceler Mauro Vieira não estava no plenário. Participava de um evento em apoio à UNRWA, agência da ONU para refugiados palestinos, organizado por Brasil, Jordânia e Espanha. António Guterres, secretário-geral da ONU, também estava naquele evento e igualmente não compareceu ao discurso de Netanyahu.

Dois dias antes, Lula havia aberto os debates da Assembleia-Geral acusando Netanyahu nominalmente de praticar genocídio em Gaza. 'Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza', disse o presidente, que retornou ao Brasil naquele mesmo dia. Israel respondeu declarando Lula persona non grata — a mesma designação já atribuída a Guterres.

Apesar de um mandato de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra e crimes contra a humanidade, Netanyahu viajou aos EUA sem impedimentos. O país não é signatário do Estatuto de Roma e não se vê obrigado a cumprir a ordem. O prefeito de Nova York havia prometido prender Netanyahu caso ele pisasse na cidade, mas depois recuou, admitindo não ter autoridade para isso. Protestos ocorreram em Nova York contra sua presença.

A tensão foi amplificada pela coincidência do calendário: Netanyahu e Mahmoud Abbas discursaram no mesmo dia. Abbas participou por videochamada — Washington havia lhe negado um visto para viajar pessoalmente à cidade.

A delegação brasileira saiu do plenário da Assembleia-Geral da ONU em Nova York na tarde de quinta-feira enquanto o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu discursava. Não foi um gesto isolado. Diversas outras delegações também abandonaram o espaço, e Netanyahu foi vaiado por muitos dos presentes. O presidente da sessão, Khalilur Rahman, precisou pedir ordem mais de uma vez. Netanyahu respondeu com uma provocação, dizendo que "se outros covardes morais ainda estivessem presentes, poderiam se retirar".

O Brasil havia feito o mesmo no ano anterior. Desta vez, a delegação que se retirou era composta por funcionários da missão brasileira na ONU. O chanceler Mauro Vieira não estava presente — participava de um evento em apoio à UNRWA, a agência das Nações Unidas para refugiados palestinos, organizado por Brasil, Jordânia e Espanha. O secretário-geral da ONU, o português António Guterres, também estava naquele evento e não compareceu ao discurso de Netanyahu.

Dois dias antes, na terça-feira, o presidente Lula havia aberto os debates da Assembleia-Geral e mencionou Netanyahu nominalmente. Acusou o primeiro-ministro de praticar genocídio em Gaza. "Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza", disse Lula, que retornou ao Brasil naquele mesmo dia. O governo de Netanyahu respondeu designando Lula como persona non grata — a mesma designação que havia dado a Guterres, que também criticou a guerra em Gaza.

Netanyahu viaja aos Estados Unidos sem impedimentos apesar de um mandato de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Os EUA não são signatários do Estatuto de Roma, o fundamento jurídico do TPI, portanto não se veem obrigados a cumprir a ordem em sua jurisdição. O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, havia dito meses antes que prenderia Netanyahu se ele pisasse na cidade, mas depois recuou, reconhecendo que não tinha autoridade para isso. Protestos foram realizados em Nova York, uma cidade com alta concentração de judeus, contra a presença do primeiro-ministro na ONU.

A coincidência do calendário amplificou as tensões. Netanyahu discursou no mesmo dia em que Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, também se dirigiu à Assembleia-Geral. Funcionários da própria organização estavam tensos com o fato, prevendo confusões. Abbas participou por videochamada porque Washington negou lhe conceder um visto para viajar a Nova York.

Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza
— Presidente Lula, na Assembleia-Geral da ONU
Fale Conosco FAQ