Bradesco dispara 13,6% e supera Ibovespa após eleições; queda de juros impulsiona

Juros menores beneficiam ações por duas vias distintas
O Bradesco BBI explicou como a queda dos juros futuros impulsionou a valorização do setor financeiro.
Mark

Por que o Bradesco subiu tanto mais que o índice?

Mimi

Três coisas aconteceram ao mesmo tempo. Os juros futuros caíram bastante — isso reduz a taxa que o mercado usa para calcular o valor das ações. Para bancos, existe ainda o alívio: menos pressão sobre empresas e pessoas físicas significa menos calotes. E tem também o fluxo estrangeiro — investidores de fora veem os grandes bancos como a forma mais rápida de aumentar exposição ao Brasil.

Luke

Mas isso é tudo expectativa, certo? Nenhuma política econômica mudou ainda.

Mimi

Exato. O mercado está precificando o que acha que vai acontecer com a nova composição do Congresso. É uma aposta sobre fiscal e juros.

Mark

E se a aposta estiver errada?

Mimi

Aí a volatilidade volta. Bassani mesmo disse que o mercado ainda está digerindo o resultado. Temos até 25 de outubro para o segundo turno.

Luke

Quanto dessa queda de juros é real e quanto é especulação?

Mimi

O Bradesco BBI projeta Selic em 11% no fim de 2027, 2,5 pontos abaixo do que estava precificado. Mas isso depende de credibilidade fiscal — se a dívida não estabilizar, os juros longos voltam a subir.

Mark

Então o Bradesco só sobe se a fiscal ficar em ordem?

Mimi

Basicamente, sim. É o piso embaixo de tudo isso.

Luke

E as empresas de mercado de capitais? XP subiu 24%.

Mimi

Elas ganham se mais gente sair da renda fixa e entrar em ações. Volumes maiores, mais receita com distribuição. É um efeito cascata.

Mark

Quanto tempo dura essa festa?

Mimi

Ninguém sabe. Depende do que sair das urnas em outubro e do que os candidatos sinalizarem sobre economia.

  • O resultado eleitoral inesperado funcionou como gatilho: em horas, bilhões foram reprecificados e o setor financeiro inteiro saltou, com XP, BTG e B3 chegando a subir mais de 22%.
  • A queda abrupta dos juros futuros foi o motor central — quando a taxa de desconto recua, o valor presente dos fluxos de caixa das empresas sobe, e os bancos ganham em dobro: no valuation e na qualidade das carteiras de crédito.
  • Investidores estrangeiros usaram os grandes bancos — Bradesco, Itaú, Banco do Brasil — como porta de entrada rápida para o mercado brasileiro, amplificando os ganhos dessas instituições além do índice.
  • Economistas alertam que a euforia ainda digere expectativas, não realidades: a volatilidade deve permanecer elevada até o segundo turno em 25 de outubro, e a sustentabilidade do movimento depende da credibilidade fiscal do próximo governo.

No dia seguinte ao primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras, o mercado financeiro respondeu com uma das altas mais expressivas dos últimos ciclos eleitorais: as ações do Bradesco subiram 13,57%, superando com folga o Ibovespa, que avançou 7,70%. O resultado surpreendente das urnas — com Flávio Bolsonaro à frente de Lula, contrariando as pesquisas — reconfigurou as expectativas sobre a trajetória fiscal e os juros longos do país. O que o pregão revelou não foi apenas um movimento de preços, mas a velocidade com que mercados traduzem incerteza política em esperança econômica — antes mesmo que qualquer política seja de fato implementada.

Na segunda-feira seguinte ao primeiro turno das eleições presidenciais, as ações do Bradesco fecharam com alta de 13,57%, alcançando R$ 21,84 — bem acima do avanço de 7,70% registrado pelo Ibovespa, que chegou a 206.911 pontos. O resultado das urnas havia surpreendido: Flávio Bolsonaro terminou à frente de Lula, contrariando as pesquisas, e os dois seguem para o segundo turno em 25 de outubro.

O movimento não foi isolado. Banco do Brasil subiu 11%, Itaú avançou 10,37% e Itaúsa ganhou 11,52%. As empresas com exposição mais direta ao mercado de capitais foram ainda mais longe: XP Investimentos saltou 24,43%, BTG Pactual subiu 22,52% e B3 ganhou 22,63%. O mercado interpretou o resultado eleitoral e a composição do novo Congresso como sinais de uma possível mudança na condução da política econômica e fiscal.

O principal motor da disparada foi a queda dos juros futuros. Quando a taxa de desconto recua, o valor presente dos fluxos de caixa futuros das empresas sobe — e os bancos ganham por dois caminhos simultâneos: na melhora do valuation e na perspectiva de menor inadimplência, com condições financeiras menos apertadas para empresas e famílias. Bruno Perri, da Forum Investimentos, destacou exatamente esse duplo efeito. Marcelo Bassani, da Boa Brasil Capital, relacionou o movimento à revisão das expectativas fiscais, ressalvando que o mercado ainda estava digerindo o resultado e que a volatilidade poderia continuar elevada.

A escala e a liquidez dos grandes bancos também explicam por que eles superaram o próprio Ibovespa: Lucas Xavier, da AW Capital, apontou que essas instituições são as principais portas de entrada para investidores estrangeiros que desejam aumentar rapidamente a exposição ao Brasil. Um relatório do Bradesco BBI reforçou o argumento estrutural, projetando a Selic em 11% no fim de 2027 — cerca de 2,5 pontos abaixo do que o mercado precificava — e destacando que juros menores beneficiam ações tanto pelo custo de capital quanto pela migração de recursos da renda fixa. O banco, porém, advertiu: sem credibilidade fiscal, o prêmio dos juros longos pode voltar a subir. O pregão desta segunda-feira refletiu expectativas incorporadas aos preços — não mudanças já implementadas.

Na segunda-feira seguinte ao primeiro turno das eleições presidenciais, as ações do Bradesco explodiram para cima. BBDC4 fechou o pregão com ganho de 13,57%, alcançando R$ 21,84 depois de tocar R$ 22,14 na máxima intradiária. O Ibovespa, embora tenha avançado solidamente com 7,70%, ficou para trás — o índice atingiu 206.911 pontos após bater 209.605,70 durante o dia. O resultado eleitoral do primeiro turno havia surpreendido: Flávio Bolsonaro terminou à frente de Luiz Inácio Lula da Silva, contrariando as pesquisas divulgadas antes da votação. Os dois seguem para o segundo turno marcado para 25 de outubro.

O movimento não se limitou ao Bradesco. Banco do Brasil subiu 11%, Itaú avançou 10,37% e Itaúsa ganhou 11,52%. Mas a explosão foi ainda mais violenta nas empresas ligadas diretamente ao mercado de capitais: XP Investimentos saltou 24,43%, BTG Pactual subiu 22,52% e B3 ganhou 22,63%. O setor financeiro como um todo reagiu à percepção de que a composição do novo Congresso e o resultado das urnas sinalizavam uma mudança na condução da política econômica e fiscal.

O principal motor por trás da disparada do Bradesco foi a queda abrupta dos juros futuros. O mercado passou a incorporar expectativas diferentes para a trajetória fiscal do país e, consequentemente, para os juros de longo prazo. Quando a taxa de desconto cai, o valor presente dos fluxos de caixa futuros das empresas sobe — é matemática pura. Para os bancos, porém, existe um segundo canal de benefício. Condições financeiras menos apertadas aliviam pressões sobre empresas e famílias, melhoram a qualidade das carteiras de crédito e reduzem riscos de inadimplência. Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, destacou justamente esse duplo efeito: os bancos ganham tanto com a queda dos juros futuros quanto com a perspectiva de uma inadimplência menos pressionada.

Marcelo Bassani, economista e fundador da Boa Brasil Capital, relacionou o movimento à revisão das expectativas fiscais. Segundo sua análise, bolsa, câmbio e juros reagiram simultaneamente à percepção dos investidores sobre possíveis mudanças na política econômica. A Reuters destacou que o resultado eleitoral provocou forte reprecificação dos ativos brasileiros — o real também registrou forte valorização no dia. Mas Bassani ressalvou que o mercado ainda estava digerindo o resultado das urnas e que a volatilidade poderia permanecer elevada.

Um terceiro fator ajuda a explicar por que Bradesco, Itaú e Banco do Brasil superaram o próprio Ibovespa: a liquidez e a escala dessas instituições. Lucas Xavier, head da mesa de renda variável e sócio da AW Capital, destacou que as maiores instituições financeiras brasileiras reúnem escala, liquidez e histórico de atravessar diferentes ciclos econômicos. Essas características as colocam entre as principais alternativas para investidores estrangeiros que desejam aumentar rapidamente a exposição ao mercado brasileiro. XP, BTG Pactual e B3 registraram movimentos ainda mais fortes porque possuem exposição mais direta à atividade do mercado de capitais — uma eventual migração de recursos da renda fixa para ações pode aumentar volumes negociados e receitas relacionadas ao mercado.

Um relatório recente do Bradesco BBI reforçou a importância dos juros para a próxima etapa da Bolsa. O banco avaliou que a economia estava desacelerando mais rapidamente do que indicava a curva e projetou a Selic em 11% no fim de 2027, aproximadamente 2,5 pontos percentuais abaixo do que estava precificado pelo mercado. Na visão do BBI, juros menores beneficiam as ações por duas vias: a redução do custo de capital e da taxa de desconto, e a possibilidade de investidores reduzirem posições em aplicações ligadas ao CDI para aumentar exposição a ativos de risco. O banco ressalvou, porém, que a sustentabilidade desse cenário depende da credibilidade fiscal — sem uma trajetória capaz de estabilizar a dívida, o prêmio dos juros longos pode voltar a subir.

A velocidade da valorização também se refletiu em oscilações relevantes ao longo do pregão. BBDC4 chegou a subir até R$ 22,14 antes de encerrar a R$ 21,84, ainda com ganho de 13,57%. O segundo turno está marcado para 25 de outubro, e novas pesquisas, declarações dos candidatos e sinalizações sobre política econômica tendem a continuar influenciando juros, câmbio e ações até lá. A incerteza eleitoral permanece elevada, e o movimento desta segunda-feira refletiu sobretudo expectativas incorporadas aos preços, não mudanças de política econômica já implementadas.

Os bancos são beneficiados pela queda dos juros futuros e por um cenário em que a inadimplência pode se tornar menos pressionada
— Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos
As maiores instituições financeiras brasileiras reúnem escala, liquidez e histórico de atravessar diferentes ciclos econômicos
— Lucas Xavier, head de renda variável da AW Capital
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