Bombeiros localizam mais 3 corpos em desabamento na Penha; total de mortos chega a 5

Cinco pessoas mortas, incluindo uma mulher grávida; um homem e uma menina de 7 anos resgatados com vida; uma pessoa ainda desaparecida sob os escombros.
Não estamos trabalhando para encontrar corpos. Estamos aqui para salvar vidas.
Porta-voz dos bombeiros explica o foco da operação de resgate que durava mais de 21 horas.
Mark

Como um edifício inteiro chega a desabar assim, especialmente com uma casa vizinha embaixo?

Mimi

O prédio tinha onze andares e foi construído irregularmente desde 2019. A prefeitura o interditou várias vezes, mas a construtora continuou trabalhando mesmo assim. Havia problemas estruturais identificados nas inspeções.

Luke

Mas espera — se havia problemas estruturais conhecidos desde 2019, por que um alvará foi emitido em 2023? Isso parece contraditório.

Mimi

O alvará de 2023 veio com uma condição: a estrutura existente deveria ser demolida. Mas segundo a prefeitura, essa demolição nunca aconteceu, apesar de uma servidora ter atestado em 2024 que havia sido feita.

Mark

Então alguém falsificou um documento de vistoria?

Luke

Não sabemos ainda. A servidora foi afastada por 30 dias, mas a investigação ainda está em curso. Pode ter sido negligência, pode ter sido algo mais deliberado.

Mimi

O que sabemos é que a construtora New Home continua dizendo que não há elementos que comprovem que a culpa foi exclusivamente dela. Mas nove pessoas moravam na casa que foi atingida pelos escombros.

Mark

E quantas morreram?

Mimi

Cinco confirmadas. Uma mulher grávida estava entre as vítimas. Um homem e uma menina de sete anos foram resgatados vivos. Uma pessoa ainda está desaparecida.

Luke

As chuvas fortes também estão sendo investigadas como possível fator. Não é claro ainda se foi apenas a construção irregular ou se as condições climáticas também contribuíram.

  • Um prédio irregular de onze andares desabou de madrugada sobre uma casa onde dormiam nove pessoas, todas de uma família boliviana que usava o imóvel como lar e oficina de costura.
  • Cinco mortos foram confirmados, incluindo uma mulher grávida, enquanto uma pessoa permanecia desaparecida sob toneladas de entulho após mais de 21 horas de operação ininterrupta.
  • A obra foi interditada múltiplas vezes desde 2019, multada, alvo de ação judicial em 2021 e de um alvará condicionado à demolição em 2023 — mas a construtora New Home nunca parou de construir.
  • Uma servidora pública atestou em 2024 que a demolição havia sido feita; imagens de satélite e relatos de vizinhos provaram o contrário, levando ao seu afastamento imediato por 30 dias.
  • A Polícia Civil investiga criminalmente os donos da construtora, enquanto a Defesa Civil avalia se as chuvas intensas aceleraram o colapso de uma estrutura já comprometida.

Na madrugada de um sábado de setembro, um edifício de onze andares cedeu na Penha, zona leste de São Paulo, sepultando sob seus escombros moradores de uma casa vizinha e revelando, no silêncio dos destroços, anos de omissão institucional e cumplicidade burocrática. Cinco vidas foram perdidas — entre elas a de uma mulher grávida —, enquanto bombeiros, cães farejadores e vinte viaturas sustentavam, por mais de vinte e uma horas, a esperança de que o último desaparecido ainda pudesse ser encontrado com vida. O colapso do concreto expôs uma fratura mais profunda: a da fiscalização que falhou, da interdição que foi ignorada e da demolição que existiu apenas no papel.

Na madrugada do dia 12 de setembro, um edifício de onze andares desabou na rua Tequici, na Penha, zona leste de São Paulo, e seus destroços caíram sobre a casa vizinha onde viviam nove pessoas. Herbert Chino Choque, de 43 anos, não estava em casa naquele momento; sua mulher, suas duas filhas pequenas e outros parentes e amigos bolivianos, sim. O imóvel servia ao mesmo tempo de moradia e oficina de costura.

Ao longo de mais de 21 horas de operação, 59 bombeiros e 20 viaturas vasculharam os escombros. Cães farejadores indicaram o ponto exato onde um dos corpos estava soterrado. Ao todo, cinco mortos foram confirmados — entre eles uma mulher grávida. Um homem e uma menina de sete anos foram retirados vivos. Uma pessoa ainda permanecia desaparecida quando a noite de sábado avançava. O coronel Diógenes Lucca, porta-voz dos bombeiros, deixou claro que as buscas não terminariam enquanto houvesse qualquer possibilidade de encontrar alguém com vida.

O prefeito Ricardo Nunes visitou o local e confirmou o que os registros municipais já indicavam: a obra era irregular desde 2019, quando começou sem alvará. A prefeitura interditou o canteiro em diversas ocasiões e aplicou multas; a Procuradoria do Município chegou a entrar com ação judicial em 2021 para suspender as atividades. Em 2023, um novo alvará foi emitido com a condição de que a estrutura existente fosse demolida antes de qualquer avanço.

Em 2024, uma servidora da Subprefeitura da Penha realizou uma vistoria e registrou que a demolição havia sido concluída. Não havia sido. Imagens de satélite e depoimentos de vizinhos, consultados pelos técnicos municipais no próprio sábado do desabamento, comprovaram que o edifício nunca foi derrubado. A servidora foi afastada por 30 dias para não interferir na apuração interna. A Polícia Civil foi acionada para investigar criminalmente o caso e buscava os donos da construtora New Home, que emitiu nota reconhecendo a apuração interna e afirmando não se eximir de responsabilidades. A Defesa Civil, por sua vez, analisava se as fortes chuvas do período contribuíram para precipitar o colapso de uma estrutura que, segundo tudo indica, nunca deveria ter chegado a onze andares.

Na noite de sábado, 12 de setembro, os bombeiros retiraram três corpos adicionais dos escombros de um edifício de onze andares que havia desabado na Penha, zona leste de São Paulo. Com essa descoberta, o número de mortos chegou a cinco. Um homem foi removido dos entulhos por volta das 23 horas, seguido pela localização de outras duas vítimas. A operação de resgate, que já durava mais de 21 horas naquele momento, continuava em busca de uma pessoa ainda desaparecida sob os destroços.

Antes dessa noite, duas mulheres já haviam sido encontradas mortas — uma delas grávida. Os nomes das vítimas não foram divulgados pelas autoridades. Em contraste com o saldo de mortos, um homem e uma menina de sete anos foram resgatados vivos dos escombros. O prédio ruiu por volta das 2 da manhã na rua Tequici, e seus destroços caíram sobre uma casa vizinha onde viviam nove pessoas.

O coronel Diógenes Lucca, porta-voz do Corpo de Bombeiros, explicou que a busca prosseguiria até encontrar o último desaparecido, sem previsão de término. Ele ressaltou que, embora as chances de encontrar vítimas vivas diminuam com o passar das horas, o trabalho não era orientado pela busca de corpos, mas pela possibilidade de salvar vidas. Os cães farejadores da corporação identificaram o local exato onde estava o corpo encontrado naquela noite. A operação reunia 59 bombeiros e 20 viaturas, além de agentes da Defesa Civil e da Prefeitura de São Paulo.

Herbert Chino Choque, 43 anos, morava na casa destruída pelo desabamento com sua mulher, duas filhas de cinco e sete anos, e outros cinco parentes e amigos da família, todos bolivianos. Ele não estava presente no momento do colapso. O imóvel funcionava tanto como residência quanto como oficina de costura, onde a família trabalhava.

O prefeito Ricardo Nunes visitou o local e confirmou que a obra era irregular. Segundo ele, a construção começou em 2019 sem alvará e foi interditada pela prefeitura em diversas ocasiões. Apesar das multas, a construtora continuou os trabalhos. Em 2021, a Procuradoria Geral do Município entrou com uma ação judicial para suspender imediatamente as atividades. Nunes apontou que inspeções identificaram problemas estruturais. A construtora apresentou um novo projeto em 2022, e um alvará foi emitido em 2023 com a exigência de que a estrutura existente fosse demolida.

Em 2024, uma servidora da Subprefeitura da Penha realizou uma vistoria e atestou a demolição. Porém, técnicos da prefeitura verificaram no sábado, consultando vizinhos e imagens de satélite, que a demolição nunca havia sido executada. Daniel Falcão, controlador-geral do Município, informou que a servidora foi afastada por 30 dias para não interferir na investigação interna. A Polícia Civil também foi acionada para investigar criminalmente o caso.

A construtora New Home emitiu uma nota afirmando que realizava uma apuração interna. A empresa declarou que não havia elementos que permitissem afirmar que a causa do incidente decorreu exclusivamente de sua conduta, mas ressaltou que não se exime de qualquer responsabilidade que venha a ser apurada. A nota também mencionava que a empresa estava prestando total amparo às famílias afetadas. A Polícia Civil buscava os donos da construtora para esclarecer as irregularidades. A Defesa Civil, por sua vez, avaliava se as fortes chuvas que atingiram a cidade naquele período poderiam ter contribuído para o colapso da estrutura.

A construção começou em 2019, sem alvará. Foram feitas várias fiscalizações pela prefeitura. Nessas fiscalizações, foi identificado um problema estrutural.
— Prefeito Ricardo Nunes
Naturalmente, com o passar das horas, existe a diminuição da possibilidade de encontrar as vítimas com vida. Mas nós não estamos trabalhando para encontrar corpos.
— Coronel Diógenes Lucca, porta-voz do Corpo de Bombeiros
Envie de l'histoire complète ? Lire l'original sur Folha de S.Paulo ↗
Nous contacter FAQ