No domingo, o Brasil exerceu sua democracia continental em escala raramente vista, com mais de 156 milhões de eleitores aptos a decidir não apenas quem governaria o país, mas também quem moldaria o Legislativo por anos. O campo bolsonarista, mesmo diante de uma desvantagem na corrida presidencial, demonstrou uma força parlamentar expressiva ao conquistar 18 dos 27 assentos do Senado em disputa. A história que emerge não é apenas de vitória ou derrota, mas de um poder dividido — onde o destino do Executivo ainda se decide, mas o Legislativo já encontrou sua âncora.
Bolsonaro elege oito senadores e terá maior bancada no Senado brasileiro
A máquina política de Bolsonaro consolidou poder no Legislativo enquanto perdia terreno na presidência
Como é possível Bolsonaro perder a presidência mas ganhar a maior bancada do Senado?
Porque o voto é estratégico. Eleitores podem preferir Lula na presidência mas votarem em candidatos locais bolsonaristas que trazem recursos ou têm raízes fortes no estado. O Senado é eleição estadual, não nacional.
Mas precisamos ser precisos: Bolsonaro elegeu oito senadores. Seus aliados elegeram mais dez. Isso é uma coligação, não exatamente a mesma coisa.
E Sergio Moro? Como um juiz que condenou Lula consegue se eleger?
Ele tinha visibilidade nacional e apoio de eleitores que veem a Lava Jato como legítima. No Paraná, onde se candidatou, conseguiu 33,57% dos votos.
Mas as pesquisas o colocavam atrás. Isso sugere que as sondagens não capturaram algo importante sobre o eleitorado paranaense, ou que houve movimento de voto nos últimos dias.
E agora? Lula lidera a presidência, mas Bolsonaro tem o Senado.
Exatamente. Qualquer que seja o presidente, terá de negociar com uma câmara alta que não é sua.
Embora valha notar: ainda há uma segunda volta. Os números de domingo não são finais. Lula tinha 48,43% contra 43,2% de Bolsonaro — uma vantagem, mas com margem para movimento.
Então o Senado bolsonarista é um fato consumado, mas a presidência ainda está em aberto.
Sim. E isso muda tudo sobre como o próximo governo funcionará.
Il Polso
- Com Lula à frente por quase 5 pontos percentuais e nenhum candidato atingindo maioria absoluta, o Brasil caminha inevitavelmente para um segundo turno que promete ser ainda mais polarizado.
- A conquista de 18 dos 27 assentos senatoriais por aliados de Bolsonaro representa uma demonstração de força legislativa que pode condicionar qualquer governo nos próximos anos.
- Nomes de peso como Sergio Moro, Damares Alves e Tereza Cristina chegam ao Senado carregando histórias políticas intensas e bases de apoio consolidadas.
- Romário, reeleito com mais de 2,3 milhões de votos no Rio de Janeiro, e Moro, que superou as pesquisas no Paraná, simbolizam a capacidade bolsonarista de mobilizar eleitorados diversos.
- Com apenas sete senadores eleitos ligados ao campo de Lula, o futuro presidente — seja ele quem for — enfrentará um Congresso estruturalmente desafiador.
No domingo, o Brasil exerceu sua democracia continental em escala raramente vista, com mais de 156 milhões de eleitores aptos a decidir não apenas quem governaria o país, mas também quem moldaria o Legislativo por anos. O campo bolsonarista, mesmo diante de uma desvantagem na corrida presidencial, demonstrou uma força parlamentar expressiva ao conquistar 18 dos 27 assentos do Senado em disputa. A história que emerge não é apenas de vitória ou derrota, mas de um poder dividido — onde o destino do Executivo ainda se decide, mas o Legislativo já encontrou sua âncora.
No domingo, os brasileiros foram às urnas em um exercício democrático de proporções continentais: mais de 156 milhões de eleitores aptos, 577 mil urnas eletrônicas e mais de 29 mil candidatos disputando cargos nos 27 estados e no Distrito Federal. O resultado revelou um país dividido, mas com uma tendência clara no Legislativo.
O campo bolsonarista conquistou 18 dos 27 assentos do Senado em disputa, garantindo ao Partido Liberal a maior bancada da câmara alta a partir de 2023. Entre os eleitos estavam ex-ministros como Marcos Pontes, Damares Alves, Tereza Cristina e Rogério Marinho — figuras centrais do governo Bolsonaro que chegam ao Senado com bases políticas sólidas.
Dois nomes capturaram especial atenção. Romário, ex-futebolista reconvertido em político, foi reeleito com mais de 2,3 milhões de votos no Rio de Janeiro — cerca de 29% do eleitorado estadual. Sergio Moro, o ex-juiz da operação Lava Jato que chegou a condenar o próprio Lula, surpreendeu ao conquistar 33,57% dos votos no Paraná, superando as projeções das pesquisas.
Na corrida presidencial, o quadro permanecia em aberto. Com 99,99% das seções apuradas, Lula liderava com 48,43% contra 43,2% de Bolsonaro — uma vantagem real, mas insuficiente para evitar o segundo turno. Simone Tebet ficou em terceiro com 4,16% e Ciro Gomes obteve 3,04%. Os demais candidatos, juntos, não chegaram a 2%.
O resultado deixava uma mensagem clara: independentemente de quem vença a presidência, o novo governo encontrará um Senado majoritariamente bolsonarista — um contrapeso legislativo que moldará a governabilidade do Brasil nos anos seguintes.
No domingo, os brasileiros foram às urnas para escolher um terço do Senado e, em paralelo, decidir entre dois caminhos políticos radicalmente diferentes para a presidência. Quando a poeira baixou, a máquina política de Jair Bolsonaro havia conquistado oito das 27 cadeiras em disputa na câmara alta — um resultado que, combinado com seus aliados, lhe garantiria a maior bancada do Senado quando 2023 chegasse. Mais de 156 milhões de eleitores estavam aptos a participar, e 577 mil urnas eletrônicas espalhadas por 5.570 cidades processaram seus votos.
O campo bolsonarista não parou em oito. Seus aliados políticos conquistaram 18 dos 27 assentos em disputa, uma demonstração de força legislativa que moldaria a dinâmica do Congresso nos anos vindouros. Entre os eleitos estavam nomes que haviam ocupado posições de destaque no governo: Marcos Pontes, ex-astronauta e ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações; Damares Alves, ex-ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos; Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura; e Rogério Marinho, ex-ministro do Desenvolvimento. Cada um deles carregava consigo uma base de apoio consolidada e uma história política dentro da administração Bolsonaro.
Mas dois nomes em particular capturaram a atenção nacional. Romário, o antigo futebolista que havia se reinventado como político, foi reeleito senador pelo Partido Liberal com mais de 2,3 milhões de votos — aproximadamente 29% do eleitorado do Rio de Janeiro. Durante os próximos oito anos, ele representaria o estado na câmara alta. "Vou continuar a trabalhar, ainda mais do que tenho feito nos últimos 12 anos, para melhorar a qualidade de vida não só no Brasil, mas também para a população do meu estado. Estou muito feliz", disse ele após a vitória. O outro nome era Sergio Moro, o ex-juiz que havia condenado dezenas de políticos na operação Lava Jato, incluindo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Moro conquistou 33,57% dos votos no Paraná, superando as expectativas das pesquisas que o colocavam atrás do candidato Álvaro Dias.
Enquanto isso, a disputa presidencial revelava um quadro mais apertado. Com 99,99% das seções eleitorais apuradas, Lula do Partido dos Trabalhadores liderava com 48,43% dos votos, contra 43,2% de Bolsonaro. A diferença era significativa, mas não definitiva — uma segunda volta se aproximava. Simone Tebet ficou em terceiro lugar com apenas 4,16%, enquanto Ciro Gomes obteve 3,04%. Os demais candidatos — Soraya Tronicke, Luís Felipe D'Ávila, Padre Kelmon, Leonardo Péricles, Sofia Manzano, Vera Lúcia e Eymael — somados não chegavam a 2% do total. Apenas sete dos eleitos para o Senado eram simpatizantes do campo político de Lula.
Os números refletiam a escala continental do Brasil. Além dos 11 candidatos presidenciais, 224 concorreram a governador, 243 ao Senado, 10.630 a deputado federal, 16.737 a deputado estadual e 610 a deputado distrital, espalhados pelos 27 estados e pelo Distrito Federal. Dos mais de 29 mil candidatos no total, 1.323 buscavam a reeleição. Era um exercício de democracia de proporções gigantescas, e o resultado deixava claro que, enquanto Bolsonaro enfrentava dificuldades na corrida presidencial, sua base política havia consolidado poder significativo no Legislativo — um trunfo que poderia determinar a governabilidade nos anos seguintes, independentemente de quem vencesse a segunda volta.
Citazioni salienti
Vou continuar a trabalhar, ainda mais do que tenho feito nos últimos 12 anos, para melhorar a qualidade de vida não só no Brasil, mas também para a população do meu estado. Estou muito feliz.— Romário, senador eleito pelo Rio de Janeiro