Na manhã de uma sexta-feira de fevereiro, as bolsas europeias encontraram alento em sinais vindos do Reino Unido: o varejo britânico avançou 3,4% em janeiro, o maior salto em mais de dois anos, sugerindo que a confiança do consumidor pode estar rompendo a superfície após meses submersa. O banco NatWest reforçou esse alento com resultados acima do esperado, enquanto o continente inteiro observava, com cautela, os próximos passos de bancos centrais e dados de inflação que ainda poderiam reescrever o roteiro.
Bolsas europeias sobem com recuperação do varejo britânico e balanço positivo do NatWest
Quando a economia entra em recessão, as pessoas tendem a gastar menos
Por que um aumento de 3,4% nas vendas do varejo britânico é tão importante?
Porque depois de meses de contração, é o sinal de que as pessoas estão voltando a gastar. Quando a economia entra em recessão, o consumo cai. Se o varejo volta a crescer, significa que a confiança está retornando.
E por que isso afeta as bolsas europeias como um todo?
O Reino Unido é uma economia grande. Se a Grã-Bretanha se recupera, isso beneficia bancos, empresas de logística, fornecedores. Além disso, quando uma economia importante mostra sinais de melhora, reduz o medo de contágio de uma recessão mais ampla.
O NatWest subiu 4%. Isso é muito?
Para um banco em um único dia, é uma movimentação significativa. Mostra que o mercado acreditou nos números. Lucro e receita com juros positivos indicam que o banco está operando bem, mesmo em um ambiente de juros altos.
Mas você mencionou que o BCE quer manter juros altos. Isso não é ruim para os bancos?
Na verdade, é bom. Juros altos significam que os bancos ganham mais com a diferença entre o que pagam aos depositantes e o que cobram dos tomadores. Mas juros altos prejudicam o resto da economia, porque desestimulam empréstimos e investimentos.
Então há uma contradição aqui?
Exatamente. Os bancos ganham com juros altos, mas a economia sofre. O BCE está em um dilema: precisa manter juros altos para controlar a inflação, mas isso pode frear a recuperação que o varejo britânico está começando a mostrar.
E os dados de inflação dos EUA que estão por vir?
Podem mudar tudo. Se a inflação americana continuar alta, pressiona o Federal Reserve a manter juros altos também, o que afeta o apetite global por risco. Se cair, alivia a pressão e dá mais espaço para otimismo.
O Pulso
- O varejo britânico surpreendeu com alta de 3,4% em janeiro — o maior avanço em mais de dois anos — acendendo esperanças de saída da recessão técnica que assombrou o Reino Unido no fim de 2023.
- O NatWest impulsionou o humor dos mercados ao divulgar lucro e receita com juros acima do esperado, com suas ações disparando mais de 4% em Londres.
- Apesar do otimismo, dirigentes do BCE — incluindo Schnabel, Lagarde e De Guindos — reafirmaram que os juros permanecerão elevados até que a inflação retorne de forma sustentável à meta de 2%, criando uma tensão de fundo.
- O Stoxx 600 subia 0,51%, com Londres liderando os ganhos em 0,85%, mas o entusiasmo era contido — nenhuma bolsa caía, mas tampouco havia euforia.
- Os investidores mantinham um olho nos dados de inflação dos EUA previstos para o mesmo dia, após o índice de preços ao consumidor americano ter surpreendido para cima na terça-feira anterior.
Na manhã de uma sexta-feira de fevereiro, as bolsas europeias encontraram alento em sinais vindos do Reino Unido: o varejo britânico avançou 3,4% em janeiro, o maior salto em mais de dois anos, sugerindo que a confiança do consumidor pode estar rompendo a superfície após meses submersa. O banco NatWest reforçou esse alento com resultados acima do esperado, enquanto o continente inteiro observava, com cautela, os próximos passos de bancos centrais e dados de inflação que ainda poderiam reescrever o roteiro.
A manhã de sexta-feira chegou às bolsas europeias com um raro presente: boas notícias do Reino Unido. O índice Stoxx 600 subia 0,51%, sustentado por dois pregões consecutivos de ganhos e por dados que sugeriam que a economia britânica podia estar finalmente recuperando o fôlego.
O varejo do Reino Unido cresceu 3,4% em janeiro ante dezembro — o maior avanço em mais de dois anos, e uma reviravolta expressiva após uma queda recorde no mês anterior. Os analistas esperavam algo bem mais modesto. A surpresa alimentou esperanças de que a Grã-Bretanha conseguisse superar a recessão técnica em que havia entrado no segundo semestre de 2023, quando o consumo minguou e a confiança recuou.
O NatWest entrou na mesma onda. O banco britânico divulgou resultados do quarto trimestre de 2023 com lucro e receita com juros acima das expectativas, e suas ações avançaram mais de 4% em Londres — um sinal de que os investidores enxergavam solidez onde antes havia dúvida.
Mas o otimismo tinha limites bem demarcados. Membros do Banco Central Europeu — entre eles Isabel Schnabel, Christine Lagarde e Luis de Guindos — reiteraram que os juros na zona do euro permaneceriam elevados até que a inflação retornasse de forma sustentável à meta de 2%. Essa mensagem, repetida em coro nos dias anteriores, lembrava ao mercado que o alívio monetário ainda não estava no horizonte próximo.
As bolsas refletiam esse equilíbrio entre esperança e prudência: Londres subia 0,85%, Frankfurt avançava 0,79%, Paris ganhava 0,61%, e Lisboa, Milão e Madri registravam altas menores. Nenhuma queda, mas também nenhuma euforia. O mercado aguardava os dados de inflação dos EUA previstos para aquela tarde — números que, dependendo do resultado, poderiam mudar o tom das conversas sobre política monetária em todo o mundo.
Sexta-feira de manhã nas bolsas europeias, e o otimismo estava no ar. O índice Stoxx 600, que acompanha as maiores empresas do continente, subia 0,51% para 491,05 pontos por volta das sete da manhã, horário de Brasília. Dois pregões seguidos de ganhos já tinham criado momentum, mas esta manhã trouxe combustível novo: notícias do Reino Unido que sugeriam que a economia britânica talvez estivesse finalmente respirando melhor.
Em janeiro, as vendas no varejo britânico cresceram 3,4% em relação ao mês anterior. Para quem acompanha números econômicos, isso é mais do que um detalhe. Era o maior avanço em mais de dois anos, e vinha depois de uma queda recorde em dezembro. Os analistas tinham apostado em algo bem mais modesto. A surpresa para cima alimentava esperanças de que a Grã-Bretanha conseguisse sair da recessão técnica em que havia entrado no final de 2023. Quando uma economia entra em recessão, as pessoas tendem a gastar menos. Quando começam a gastar de novo, é sinal de que a confiança está voltando.
O banco NatWest também ajudou a história. Divulgou seus números do último trimestre de 2023 e agradou. Lucro e receita com juros vieram acima do esperado. A ação do banco subiu mais de 4% em Londres naquela manhã, refletindo o otimismo dos investidores com o desempenho.
Mas havia uma sombra sobre o otimismo. Os dirigentes do Banco Central Europeu continuavam sinalizando que os juros precisariam permanecer altos. Isabel Schnabel, membro da diretoria do BCE, reafirmou que a instituição manteria juros elevados até ter certeza de que a inflação na zona do euro voltaria de forma sustentável para a meta oficial de 2%. Não era uma fala isolada. Christine Lagarde, presidente do banco, e Luis de Guindos, vice-presidente, tinham dito coisas parecidas nos dias anteriores. Juros altos desestimulam o consumo e os investimentos, então essa mensagem criava uma tensão com o otimismo do varejo britânico.
Em Londres, a bolsa subia 0,85%. Frankfurt avançava 0,79%. Paris ganhava 0,61%. Milão, Madri e Lisboa tinham altas menores: 0,47%, 0,01% e 0,72%, respectivamente. Nenhuma queda, mas também nenhuma explosão de entusiasmo. O mercado estava cauteloso, esperando pelo próximo movimento.
E havia mais por vir. Os investidores europeus estavam de olho nos dados de inflação dos EUA que sairiam nas próximas horas. Na terça-feira anterior, o índice de preços ao consumidor americano tinha surpreendido para cima, sinalizando que a inflação nos Estados Unidos ainda era uma preocupação. Se os números novos confirmassem essa tendência, poderia mudar o tom das conversas sobre política monetária não apenas na Europa, mas globalmente. Por enquanto, porém, a manhã era de recuperação cautelosa.
Citações Notáveis
Os juros da zona do euro precisarão continuar altos até que a instituição tenha confiança de que a inflação voltará para sua meta oficial de 2% de forma sustentável— Isabel Schnabel, dirigente do Banco Central Europeu