IPCA-15 subiu 0,21% em outubro, abaixo dos 0,35% de setembro, indicando trajetória benigna para inflação com núcleos desacelerando. Varejo liderou altas com Carrefour, GPA e Assaí avançando mais de 6%; avanço de pautas econômicas no Congresso também impulsionou mercado.
Bolsa sobe 1,72% com IPCA-15 desacelerado; dólar fecha em leve queda
A inflação subjacente continua a perder força
Por que o mercado reagiu tão bem ao IPCA-15 se o número veio acima da expectativa?
Porque o que importa não é o número isolado, mas o que ele sinaliza sobre a trajetória. Subiu 0,21% contra 0,35% no mês anterior — é uma desaceleração clara. E mais importante: os núcleos de inflação, que excluem os itens voláteis, vieram melhores que o esperado.
Mas espera — passagens aéreas subiram 23,75%. Isso não é um sinal de que a inflação ainda está pressionada em alguns setores?
É, mas analistas tratam passagens aéreas como temporária, ligada ao petróleo internacional. Os núcleos, que mostram a tendência subjacente, é que desaceleraram de 5,1% para 4,9%.
E isso muda o que o Banco Central vai fazer?
Sim. O resultado sedimenta a expectativa de cortes de 0,50 ponto percentual na Selic nas próximas reuniões. Juros mais baixos no Brasil atraem investimento em ações.
Mas o dólar caiu só 0,20%. Por que não caiu mais se a notícia era tão boa?
Porque nos EUA o PIB cresceu 4,9%, muito acima do esperado. Isso reforça a ideia de que os juros americanos vão ficar altos por mais tempo.
Então o Brasil tem boas notícias, mas o mundo tem más notícias?
Não exatamente más. A economia americana está forte. Mas as big techs decepcionaram — perderam R$ 200 bilhões em valor. É um mercado dividido.
Exatamente. O Brasil ganhou com a inflação controlada e reformas avançando no Congresso. Mas o dólar não caiu mais porque o Fed vai manter juros altos, o que atrai dólares de volta para os EUA.
Então para o investidor brasileiro, qual é a lição?
Que há espaço para otimismo local, mas com ressalva: enquanto os juros americanos forem atraentes, o dólar não vai cair muito. É um equilíbrio.
E o varejo subiu mais de 6% porque empresas menores são mais sensíveis aos juros domésticos. Se a Selic cair, elas ganham.
El Pulso
- Ibovespa subiu 1,72% para 114.776 pontos
- IPCA-15 de outubro subiu 0,21%, abaixo dos 0,35% de setembro
- Núcleos de inflação recuaram de 5,1% para 4,9%
- Varejo liderou altas: Carrefour (+6,38%), GPA (+6,10%), Assaí (+6,07%)
- PIB dos EUA cresceu 4,9% no terceiro trimestre, acima da expectativa de 4,5%
IPCA-15 subiu 0,21% em outubro, abaixo dos 0,35% de setembro, indicando trajetória benigna para inflação com núcleos desacelerando. Varejo liderou altas com Carrefour, GPA e Assaí avançando mais de 6%; avanço de pautas econômicas no Congresso também impulsionou mercado.
Ibovespa avançou 1,72% após divulgação do IPCA-15 de outubro mostrando desaceleração da inflação, enquanto dólar fechou em leve queda de 0,20% a R$ 4,99.
Na quinta-feira, 26 de outubro, o mercado financeiro brasileiro respondeu com otimismo a um sinal de alívio na inflação. O Ibovespa fechou em alta de 1,72%, alcançando 114.776 pontos, enquanto o dólar recuou levemente 0,20%, cotado a R$ 4,99. O gatilho para essa movimentação foi a divulgação do IPCA-15 de outubro pelo IBGE, que mostrou uma desaceleração na pressão inflacionária em relação ao mês anterior.
O índice de preços ao consumidor amplo-15 subiu 0,21% em outubro, abaixo dos 0,35% registrados em setembro. Embora o resultado tenha ficado ligeiramente acima da expectativa do mercado, que projetava alta de 0,20%, analistas avaliaram o dado como positivo. Os preços da gasolina e de alimentos caíram, atenuando o resultado geral. Mais importante ainda, os núcleos de inflação e os serviços subjacentes — medidas que excluem itens mais voláteis para revelar a tendência subjacente — vieram melhores que o esperado. A média dos núcleos de inflação recuou de 5,1% para 4,9% em outubro, sinalizando que a inflação brasileira segue mais controlada. Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, destacou que a composição do índice apresentava uma trajetória benigna, com os preços de serviços subjacentes desacelerando — um cenário particularmente positivo para as decisões do Banco Central.
Um ponto de pressão no IPCA-15 foi o aumento das passagens aéreas, que subiram 23,75% e impactaram o índice em 0,16 ponto percentual, reflexo da alta do petróleo no mercado internacional nas últimas semanas. Apesar dessa variação forte, analistas como Lucas Farina, da Genial Investimentos, interpretaram o dado como confirmação de que a inflação subjacente continuava a perder força. Farina observou que as passagens aéreas são altamente voláteis e que o resultado geral sedimentava o ritmo atual de cortes de 0,50 ponto percentual na taxa Selic nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária. Rafael Costa, analista da BGC Liquidez, também reforçou que a surpresa de baixa nos grupos de serviços subjacentes e na média dos núcleos endossava o cenário de desinflação consistente.
A reação do mercado de renda fixa foi imediata. As curvas de juros futuros brasileiras tiveram forte queda após a divulgação. Os contratos com vencimento em janeiro de 2025 caíram de 10,92% para 10,80%, enquanto os para 2027 recuaram de 10,99% para 10,75%. Esse alívio nas expectativas de juros futuros deu força às companhias brasileiras. O índice de small caps, que reúne empresas menores e mais sensíveis aos indicadores domésticos, subiu 2,05%. O setor de varejo liderou as altas do dia: Carrefour avançou 6,38%, GPA subiu 6,10% e Assaí ganhou 6,07%. A Petrobras foi a única entre as ações mais negociadas a registrar queda, pressionada tanto pelo recuo do petróleo no exterior quanto por recentes movimentações sobre mudanças em seu Estatuto Social.
Além do dado de inflação, o desempenho do mercado foi apoiado pelo avanço de pautas econômicas no Congresso Nacional. Na quarta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei sobre tributação de fundos exclusivos e offshores, uma das medidas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para aumentar a arrecadação e cumprir as novas regras fiscais. A reforma tributária também avançou, com a apresentação do relatório do senador Eduardo Braga na Comissão de Constituição e Justiça.
No entanto, o cenário internacional ofereceu um contrapeso. Nos Estados Unidos, o Departamento de Comércio divulgou que o PIB cresceu 4,9% no terceiro trimestre, a maior alta em quase dois anos, impulsionada por salários mais altos e um mercado de trabalho aquecido. A previsão de economistas era de 4,5%. Esse resultado mais forte que o esperado reforçou as apostas de que os juros americanos devem permanecer elevados por mais tempo, ou até sofrer uma nova alta ainda em 2023. A economia dos EUA segue resiliente apesar dos esforços do Federal Reserve para desacelerar as atividades e conter a inflação. Claudia Rodrigues, economista do C6 Bank, observou que a economia segue vigorosa nos EUA mas deve desacelerar no quarto trimestre, em linha com a política monetária restritiva do Fed, sem sinais de recessão no horizonte.
O dado de PIB americano limitou a queda do dólar ante o real. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a outras moedas fortes, subiu 0,13%. A perspectiva de juros mais altos nos EUA costuma beneficiar a moeda americana ao aumentar a atratividade da renda fixa e, consequentemente, a entrada de recursos estrangeiros. Nos mercados de ações americanos, a reação foi negativa. As big techs perderam R$ 200 bilhões em valor de mercado após divulgarem resultados decepcionantes. O Nasdaq, que reúne empresas de tecnologia, caiu 1,76%, enquanto o S&P 500 recuou 1,18% e o Nasdaq-100 perdeu 0,76%. Assim, enquanto o Brasil celebrava sinais de desinflação e avanço de reformas, o mercado global permanecia dividido entre o otimismo com a economia americana e a preocupação com o setor de tecnologia.
Citas Notables
Quando observamos a composição do IPCA-15, o cenário segue apresentando uma trajetória benigna para a inflação. Os preços de serviços subjacentes desaceleraram, o que é bastante positivo para o cenário do Banco Central.— Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research
Em uma visão panorâmica, o IPCA-15 mostra que a inflação subjacente continuou a arrefecer. Esse resultado sedimenta o atual ritmo de corte de 0,50 ponto percentual na Selic nas próximas reuniões do Copom.— Lucas Farina, analista econômico da Genial Investimentos