Bolsa reage em outubro com dólar a R$ 5,23 sob influência de eleições e petróleo

Volatilidade tende a permanecer elevada até o fim das eleições
Consultor da Wiser Asset sobre o comportamento esperado do mercado nos próximos dias.
Mark

Por que o mercado está tão sensível às eleições neste momento?

Mimi

Porque as eleições definem a política fiscal dos próximos anos. O mercado quer saber se haverá controle de gastos, como será a dívida pública, qual será a direção dos juros.

Luke

Mas isso é especulação sobre o futuro. O que sabemos agora é que há volatilidade. Não sabemos ainda qual será o resultado.

Mark

E o petróleo? Por que está subindo?

Mimi

A China suspendeu exportações de derivados, o que reduz a oferta global. E há um conflito de sete meses entre EUA e Irã que mantém o Oriente Médio com fornecimento reduzido.

Luke

Certo, mas a fonte não explica por que a China fez essa suspensão. É uma decisão política? Econômica? Não sabemos.

Mark

O dólar oscilou bastante em setembro. Isso é normal?

Mimi

Oscilações entre R$ 5,09 e R$ 5,22 refletem pressões contraditórias: juros altos nos EUA puxam o dólar para cima, mas expectativas de queda da Selic no Brasil puxam para baixo.

Luke

Verdade. E no final do mês terminou praticamente onde começou, então a oscilação não resolveu nada. Continua incerto.

Mark

A Bolsa subiu 5% em setembro. Isso é um sinal de que as coisas melhoraram?

Mimi

Pode ser. Ganho de 15,7% no ano é significativo. Mas o pregão desta quinta mostrou oscilações sem direção clara, o que sugere que os investidores ainda estão ajustando posições.

Luke

Exato. Um mês bom não garante tendência. O consultor da Wiser Asset foi claro: não sabemos se foi recuperação pontual ou tendência consistente. Depende dos dados que vêm.

Mark

E as empresas? Como estão?

Mimi

Há movimentos mistos. Petrobras recebeu subsídios, OSX saiu da recuperação judicial, Assaí foi aprovada pelo Cade. Mas Embraer caiu 3,1%.

Luke

Certo, mas esses são eventos corporativos específicos, não refletem a saúde geral do mercado. São histórias isoladas.

  • Ibovespa acumula ganho de 5% em setembro e 15,7% no ano
  • Dólar oscilou entre R$ 5,09 e R$ 5,22 em setembro, fechando em R$ 5,23
  • Petróleo Brent sobe 4,6% para US$ 102,57 após suspensão de exportações pela China
  • Primeiro turno das eleições gerais ocorre nos dias seguintes a 1º de outubro de 2026

Ibovespa acumula ganho de 5% em setembro e 15,7% no ano, refletindo expectativa de queda de juros e melhora em indicadores de inflação. Petróleo Brent sobe 4,6% para US$ 102,57 após suspensão de exportações de derivados pela China, enquanto dólar oscila entre R$ 5,09 e R$ 5,22.

Ibovespa sobe 0,21% nesta quinta enquanto dólar fecha em R$ 5,23, ambos influenciados por eleições presidenciais brasileiras e alta do petróleo no mercado internacional.

Na tarde de quinta-feira, o Ibovespa começou a recuperar o terreno perdido nas primeiras horas do pregão, mantendo o impulso que havia levado o índice a subir 5% durante todo o mês de setembro. No mercado de câmbio, o dólar estabelecia uma tendência de alta frente ao real, fechando o dia em torno de R$ 5,23. Os dois movimentos refletiam uma mistura complexa de fatores internacionais e domésticos que continuam a moldar o comportamento dos investidores brasileiros.

Ao longo de setembro, o dólar havia oscilado entre R$ 5,09 e R$ 5,22, terminando o mês praticamente no mesmo patamar em que havia começado. Essa volatilidade foi alimentada por múltiplas correntes: a elevação das taxas de juros nos Estados Unidos pressionava a moeda brasileira para cima, enquanto a alta do preço do petróleo no mercado internacional criava dinâmicas próprias. Internamente, o corte da taxa Selic pelo Banco Central e as apostas dos agentes de mercado sobre o resultado das eleições presidenciais adicionavam camadas de incerteza. Apesar dessa turbulência, o real acumulava uma queda de 5,8% frente ao dólar no ano.

Na Bolsa, o pregão desta quinta foi marcado por oscilações sem direção clara. O Ibovespa havia subido 0,6% nas primeiras horas da manhã, atingindo 187.398 pontos às 10h46, mas recuou 0,8% para 184.848 pontos no fim da manhã. À tarde, recuperou-se novamente, marcando 186.797 pontos com alta de 0,21%. Esse padrão de movimentos refletia investidores ajustando suas posições após os ganhos acumulados no mês anterior. O índice havia encerrado setembro com valorização de 5%, elevando seus ganhos no ano para 15,7%. Em um horizonte de 12 meses, a alta acumulada chegava a 27,4%.

O terceiro trimestre havia sido marcado por uma disputa intensa entre forças positivas e negativas. A expectativa de queda dos juros e a melhora em alguns indicadores de inflação beneficiaram tanto a Bolsa quanto os mercados de juros futuros. Ao mesmo tempo, o cenário fiscal incerto e as dinâmicas eleitorais trouxeram volatilidade recorrente. Segundo Marcos Bassani, sócio da Boa Brasil Capital, essa tensão entre fatores favoráveis e desfavoráveis havia caracterizado todo o trimestre.

No mercado internacional, o petróleo mantinha pressão de alta. O contrato futuro do Brent com entrega em dezembro subia 4,6%, chegando a US$ 102,57 por barril. A decisão da China de suspender suas exportações de derivados de petróleo preocupava analistas, que temiam uma piora na escassez de oferta global. Simultaneamente, o fornecimento da commodity a partir do Oriente Médio permanecia reduzido devido ao impasse de sete meses entre representantes dos Estados Unidos e do Irã para encerrar o conflito na região.

No Brasil, as atenções se concentravam na reta final da campanha eleitoral. Com o primeiro turno das eleições gerais marcado para os dias seguintes, agentes de mercado faziam ajustes finais em suas posições. A Bolsa entrou em outubro mais sensível aos dados econômicos que seriam divulgados e às sinalizações das autoridades. A trajetória da dívida pública, os próximos números de inflação, o comportamento dos Treasuries americanos e a evolução do cenário político definiriam se o movimento de setembro havia sido apenas uma recuperação pontual ou o início de uma tendência mais sólida. Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, alertava que a volatilidade tenderia a permanecer elevada até o fim das eleições.

No segmento corporativo, a Petrobras recebeu R$ 1 bilhão em novas parcelas de subvenção de combustíveis, elevando o total recebido pela companhia a R$ 13,3 bilhões. As ações preferenciais da petroleira fecharam a R$ 49,12, próximas à máxima histórica de R$ 50,43 atingida em 15 de setembro. A Justiça do Rio aprovou o plano de recuperação judicial da OSX, validando a versão aprovada na assembleia de credores em 24 de agosto de 2026. A companhia, que atualmente depende do aluguel de uma área no Porto de Açu, havia registrado R$ 43,8 milhões em receita operacional líquida, alta de 11,7% em relação ao período anterior. Suas ações subiram 4,2% para R$ 1,25.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica aprovou sem restrições a aquisição de ações do Grupo Assaí pelos fundos Snapper Rocks e WHG Apache, da família Muffato. A operação, realizada via bolsa de valores, envolvia ações ordinárias representativas de cerca de 12,0134% do capital social do Grupo Sendas, que opera no segmento de atacado de autosserviço através da bandeira Assaí. As ações da rede subiram 3,7% para R$ 10,93. A Paranapanema concluiu acordo com credores que extinguiu R$ 3,94 bilhões de uma dívida total de R$ 4,27 bilhões. O grupo, que atua na fundição e refino de cobre primário, havia entrado em recuperação judicial em novembro de 2022 e enfrentado vencimento antecipado da dívida em abril de 2024, seguido de ação de execução das garantias pela Cargill em outubro de 2025. Suas ações subiram 2,5% para R$ 0,41. A Embraer propôs incorporar sua subsidiária GPX, inativa operacionalmente desde 2019, para reduzir custos. A subsidiária atuava em atividades como comércio de peças, importação e exportação de componentes, manutenção de aeronaves e serviços de engenharia. As ações da Embraer fecharam a R$ 97,31, queda de 3,1%.

O terceiro trimestre foi marcado por uma forte disputa entre fatores positivos e negativos para os ativos brasileiros
— Marcos Bassani, sócio da Boa Brasil Capital
A trajetória da dívida pública, os próximos números de inflação e a evolução do cenário eleitoral devem definir se o movimento de setembro foi apenas uma recuperação pontual ou o início de uma tendência mais consistente
— Fábio Murad, consultor da Wiser Asset
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