Bolsa dispara a 171 mil pontos e dólar cai com alívio sobre Groenlândia

Um pedaço de gelo para proteger o mundo
Trump descarta ação militar na Groenlândia, mas mantém exigência de negociações para compra do território dinamarquês.
Mark

Por que o mercado brasileiro reagiu tão forte ao discurso de Trump em Davos?

Mimi

Trump descartou uma ação militar na Groenlândia, o que aliviou a tensão geopolítica que vinha assustando os investidores. Mas além disso, há um movimento global maior de diversificação — os investidores estão saindo de ativos americanos e entrando em mercados emergentes, e o Brasil está no topo dessa lista.

Luke

Mas Trump manteve as ameaças tarifárias contra oito países europeus. Isso não deveria ter assustado mais o mercado?

Mimi

Deveria, mas o mercado interpretou o descarte da ação militar como um sinal de que Trump está negociando, não invadindo. O alívio foi maior que o medo das tarifas.

Mark

E o dólar caiu 1,13% em um único dia. Isso é muito?

Mimi

É bastante. O dólar estava em R$ 5,38 no dia anterior e fechou em R$ 5,32. É o menor patamar em mais de um mês. Reflete tanto o alívio geopolítico quanto o fluxo de capital estrangeiro entrando no Brasil.

Luke

Mas quanto disso é realmente sobre o Brasil e quanto é apenas sobre o dólar enfraquecendo globalmente?

Mimi

Boa pergunta. O analista Bruno Shahini aponta que o cenário externo contribuiu, mas destaca os "elevados fluxos globais para ativos locais" como fator relevante. Ou seja, não é só o dólar caindo — é dinheiro estrangeiro entrando no Brasil especificamente.

Mark

A Petrobras liderou os ganhos. Por quê?

Mimi

Concentrou fluxo estrangeiro relevante e elevou seu valor de mercado ao maior nível desde abril do ano passado. Provavelmente porque é uma blue chip que se beneficia tanto do alívio geopolítico quanto da rotação para emergentes.

Luke

E internamente? O que mais ajudou?

Mimi

Pesquisas eleitorais mostrando avanço do candidato da oposição melhoraram a percepção de risco local. Isso consolidou o pregão em patamar recorde.

Mark

O ouro também subiu bastante. Isso não contradiz a ideia de que o mercado está otimista?

Mimi

Não. O ouro sobe em momentos de incerteza porque é considerado um ativo seguro. Mesmo com o alívio sobre a Groenlândia, há muita tensão geopolítica no mundo — a guerra na Ucrânia, a invasão na Venezuela, protestos no Irã. Os investidores estão otimistas com o Brasil, mas ainda cautelosos globalmente.

  • Ibovespa fechou aos 171.816,67 pontos, alta de 3,33%, novo recorde histórico
  • Dólar caiu 1,13% para R$ 5,32, menor patamar em mais de um mês
  • Trump descartou ação militar na Groenlândia em discurso em Davos
  • Ouro bateu novo recorde, subindo 1,57% para US$ 4.840,70 por onça-troy
  • Bolsa acumula valorização de 6,55% no ano; dólar acumula perdas de 3,11%

Ibovespa fechou em alta de 3,33% aos 171.816,67 pontos, quebrando sucessivos recordes históricos em sessão marcada por euforia nos mercados. Dólar caiu 1,13% para R$ 5,32, menor patamar em mais de um mês, refletindo otimismo após Trump descartar uso de força contra Groenlândia.

Ibovespa ultrapassou 171 mil pontos em novo recorde histórico enquanto dólar despencou 1,13% após Trump descartar ação militar na Groenlândia em discurso em Davos.

A Bolsa brasileira acordou eufórica nesta quarta-feira e não parou de subir. O Ibovespa, principal termômetro do mercado de ações do país, ultrapassou pela primeira vez a barreira dos 170 mil pontos, depois a dos 171 mil, e fechou o dia aos 171.816,67 pontos — um novo recorde histórico de fechamento. A alta foi de 3,33%, e durante o pregão o índice chegou a alcançar 171.969,01 pontos intradiários. Tudo isso em um único dia de ganhos consecutivos que já somam quatro sessões seguidas no azul.

O combustível dessa euforia veio de Davos, na Suíça, onde Donald Trump discursava no Fórum Econômico Mundial. O presidente dos EUA, que havia aterrorizado os mercados com ameaças de tomar a Groenlândia pela força, mudou o tom. Descartou explicitamente uma ação militar contra o território autônomo dinamarquês, embora tenha mantido a exigência de "negociações imediatas" para sua compra. "Eu tenho um grande respeito pelo povo da Groenlândia e pelo povo da Dinamarca", disse Trump, acrescentando que a Groenlândia poderia ter um "papel vital na paz do mundo" e que ele queria "um pedaço de gelo para proteger o mundo". O alívio foi imediato. Os investidores, que vinham nervosos com a escalada retórica americana contra a Europa, respiraram fundo.

O dólar foi o primeiro a reagir. A moeda norte-americana despencou 1,13% e fechou cotada a R$ 5,32 — o menor patamar de fechamento em mais de um mês. Na máxima do dia havia tocado R$ 5,373, na mínima R$ 5,316. No dia anterior havia fechado em alta de 0,3%, a R$ 5,38. Com esse resultado, o dólar acumula perdas de 3,11% frente ao real desde o início de 2026. A queda reflete não apenas o alívio geopolítico, mas também um movimento mais amplo de diversificação nos portfólios globais — investidores estão reduzindo a concentração em ativos americanos e buscando oportunidades em mercados emergentes, e o Brasil está no topo dessa lista.

Mas Trump não foi completamente moderado. Manteve as ameaças tarifárias contra oito países europeus — Dinamarca, Finlândia, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda e Reino Unido — pressionando-os a aceitar seus planos sobre a Groenlândia. Também dirigiu críticas duras ao Canadá, dizendo que o país "vive dos EUA e deveria ser grato", e afirmou que a Groenlândia é fundamental para a construção do "Domo de Ouro", um projeto de defesa antimísseis. Quanto à Europa em geral, Trump disse que "ama" o continente, mas que ele "não está na direção correta". Criticou décadas de política econômica ocidental baseada em gastos governamentais e migração em massa, chamando Biden de "dorminhoco".

A Europa respondeu com preocupação. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, chamou a escolha de Trump por tarifas de um "erro", lembrando que "assim nos negócios, na política um acordo é um acordo". Países como a França começaram a defender uma retaliação econômica em massa, apelidada de "bazuca". A União Europeia realizou uma reunião de emergência e prepara uma resposta bilionária. Enquanto isso, diversos países europeus membros da Otan já enviaram militares para a Groenlândia.

O ouro, termômetro clássico do medo nos mercados, também subiu. Os contratos futuros para fevereiro registravam valorização de 1,57%, negociados a US$ 4.840,70 por onça-troy, com a cotação tendo chegado a disparar 2,3% para US$ 4.870 mais cedo. Desde o início da semana, o metal precioso acumula ganho de 6%. Analistas apontam que a busca por ativos seguros continua sendo impulsionada pela incerteza geopolítica global — a guerra entre Rússia e Ucrânia, que se arrasta há quase quatro anos, a invasão dos EUA na Venezuela, os protestos no Irã contra o regime teocrático, e agora essa nova tensão entre Washington e Bruxelas.

Nos EUA, as bolsas também subiram após o discurso de Trump. O Dow Jones avançava 1,56%, o S&P 500 subia 1,49%, e a Nasdaq registrava alta de 1,5%. Na Europa, o quadro foi mais misto. O índice Stoxx 600, que reúne 600 empresas europeias, fechou praticamente estável com leve queda de 0,02%. Em Paris, o CAC 40 ganhou 0,08%, em Londres o FTSE 100 subiu 0,11%, e em Madri o Ibex 35 avançou 0,06%. A exceção foi Frankfurt, onde o DAX caiu 0,58%.

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o tom mais moderado do discurso de Trump em Davos contribuiu para reduzir os prêmios de risco globais. No Brasil, além do alívio geopolítico, o real se beneficiou de elevados fluxos globais para ativos locais e emergentes neste início de ano. O Ibovespa foi liderado pelas blue chips, com destaque para a Petrobras, que concentrou fluxo relevante e elevou seu valor de mercado ao maior nível desde abril do ano passado. Internamente, pesquisas eleitorais indicando avanço do candidato da oposição também ajudaram a melhorar a percepção de risco local. O resultado foi um pregão em patamar recorde, dólar no menor nível do ano, e forte movimento de queda dos juros futuros.

Eu tenho um grande respeito pelo povo da Groenlândia e pelo povo da Dinamarca, mas todo integrante da Otan tem a obrigação de ter a capacidade de defender seu território
— Donald Trump, presidente dos EUA
O tom mais moderado do discurso de Trump em Davos contribuiu para a redução dos prêmios de risco globais
— Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad
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