Bloqueios de contas nos EUA e no Brasil levantam dúvidas sobre o poder das plataformas na eleição

A conta voltou, mas as horas perdidas não.
O No Kings ficou cerca de uma hora e meia sem o perfil no Instagram durante os atos de 17 de outubro.
Mark

Dois bloqueios, em dois países, em poucas semanas. O que liga os casos?

Mimi

A explicação da Meta é a mesma nos dois: sistemas automatizados de segurança que erraram. O No Kings ficou cerca de uma hora e meia sem perfil no Instagram, e a campanha de Lula, pouco mais de uma hora sem conta de anúncios.

Luke

Convém separar fatos de interpretação. Os bloqueios e a explicação da empresa estão registrados. Que sejam parte de um padrão é uma leitura da colunista, de Ezra Levin e de Daniela Silva.

Mark

Mas há documentos internos, não?

Mimi

Sim, obtidos por Paulo Motoryn e Tatiana Dias. Falam de problemas na busca pelo perfil de Lula, nos comentários e em vídeos reduzidos a seis segundos nos stories. Funcionários admitiram falhas sem solução na reta final.

Luke

Falhas, porém, não são o mesmo que viés. A Meta nega favorecimento político e o texto não traz prova de intenção.

Mark

E os 1.121 relatos reunidos pela CTRL+Z?

Mimi

Têm peso, e 98% se referem ao Instagram. Mostram a dimensão do que as pessoas perceberam.

Luke

Mas são relatos, não uma auditoria. Não sabemos quantos decorrem de falha real, e o texto não diz como foram verificados.

Mark

O Conselho de Supervisão disse algo?

Mimi

Na terça, 20, manifestou preocupação com falhas recorrentes e perguntou por que a prevenção de erros e a revisão especializada não funcionaram.

Luke

Lembrando que o conselho é independente, mas financiado pela Meta. E o TSE exigiu revisão humana em duas horas, o que trata dos bloqueios, não da recomendação de conteúdo, ponto central da coluna.

  • Em pleno domingo de mobilização nos EUA, o perfil do No Kings no Instagram saiu do ar e a organização ficou horas sem conseguir publicar.
  • A campanha de Lula teve a conta de anúncios suspensa 11 dias antes do primeiro turno, e a Meta atribuiu o caso a um sistema que confundiu a peça com golpe de falso programa governamental.
  • Documentos internos revelam falhas na busca de perfis, nos comentários e em vídeos cortados para seis segundos, e a CTRL+Z reuniu 1.121 relatos de restrições.
  • O Conselho de Supervisão da Meta questionou por que os mecanismos de revisão especializada falharam, enquanto o TSE exige revisão humana em até duas horas.
  • A dúvida que permanece é se essa resposta de duas horas dá conta de um poder que vai muito além dos bloqueios.

Em meio às eleições de 2026, nos Estados Unidos e no Brasil, duas campanhas políticas viram suas contas nas plataformas da Meta sumirem do ar por cerca de uma hora, em momentos de alta mobilização. A empresa fala em erros automatizados, mas documentos internos e centenas de relatos sugerem que o problema é mais estrutural do que pontual. Trata-se de um lembrete antigo de que, na praça digital, quem decide o que é visível exerce um poder que a democracia ainda aprende a medir e a limitar.

No domingo, 17, a coalizão No Kings levou quase 3.000 manifestações às ruas dos Estados Unidos, em protesto contra Donald Trump e em apoio ao voto nas eleições legislativas de 3 de novembro. No meio dos atos, o principal perfil do movimento no Instagram desapareceu. Por cerca de uma hora e meia ninguém conseguiu acessá-lo, e a organização passou horas sem poder publicar. A Meta atribuiu o caso a um erro de seus sistemas automatizados de segurança. O No Kings respondeu com uma carta aberta a Mark Zuckerberg e parlamentares americanos pediram investigações. A conta voltou, mas, como observa a colunista Bianca Santana, as horas perdidas em plena mobilização não voltam.

No Brasil, o caso envolveu a campanha de Lula em 23 de setembro, 11 dias antes do primeiro turno. A conta de anúncios ficou suspensa por pouco mais de uma hora, porque um sistema automatizado confundiu uma peça publicitária com uma tentativa de se passar por programa governamental. Documentos internos obtidos pelos jornalistas Paulo Motoryn e Tatiana Dias, da CTRL+Z, mostram outras falhas: dificuldades na busca pelo perfil de Lula, problemas nos comentários e vídeos reduzidos a seis segundos nos stories. A CTRL+Z reuniu 1.121 relatos de restrições, 98% ligados ao Instagram. A Meta nega favorecimento político.

O Conselho de Supervisão da Meta, órgão independente financiado pela própria empresa, manifestou preocupação com falhas recorrentes e perguntou por que os mecanismos de revisão especializada não funcionaram. No Brasil, o TSE determinou que bloqueios automatizados de contas de anúncios de campanhas presidenciais passem por revisão humana em até duas horas. Para a colunista, a medida importa, mas é insuficiente, pois o poder das plataformas inclui decidir o que é recomendado, o que aparece primeiro nas buscas e o que alcança mais gente. Santana lembra a fala de Zuckerberg de janeiro de 2025 sobre trabalhar com Trump para enfrentar governos ao redor do mundo, e pergunta quem fiscaliza esse poder.

No domingo, 17, a coalizão No Kings levou às ruas dos Estados Unidos quase 3.000 manifestações e atividades de mobilização eleitoral. O objetivo era protestar contra Donald Trump e estimular o voto nas eleições legislativas de 3 de novembro. Em meio aos atos, a principal conta do movimento no Instagram desapareceu. Por cerca de uma hora e meia, ninguém conseguiu acessar o perfil, e a organização passou horas sem poder publicar.

A Meta atribuiu o bloqueio a um erro de seus sistemas automatizados de segurança. O No Kings respondeu com uma carta aberta a Mark Zuckerberg, presidente da empresa, em que exigia transparência e medidas para evitar novas interrupções. Parlamentares americanos pediram investigações. A conta voltou ao ar, mas, como observa a colunista Bianca Santana, as horas perdidas em plena mobilização eleitoral não voltam.

No Brasil, o episódio com a campanha de Lula ocorreu em 23 de setembro, 11 dias antes do primeiro turno. A Meta suspendeu por pouco mais de uma hora a conta de anúncios da campanha. Segundo a empresa, um sistema automatizado confundiu uma peça publicitária com uma tentativa de se passar por um programa governamental.

Documentos internos da Meta, obtidos pelos jornalistas Paulo Motoryn e Tatiana Dias, esta última da CTRL+Z, apontaram outros problemas: dificuldades na busca pelo perfil de Lula, falhas na exibição de comentários e vídeos reduzidos a seis segundos quando compartilhados nos stories. Funcionários da empresa identificaram falhas ainda sem solução na reta final da eleição. A CTRL+Z também reuniu 1.121 relatos de restrições durante a campanha, 98% deles ligados ao Instagram. A Meta nega favorecimento político e atribui os episódios a falhas técnicas.

Os dois casos foram relacionados em um vídeo publicado pelo Indivisible, organização que integra a coalizão No Kings. Nele, Ezra Levin, um dos fundadores, e Daniela Silva, da CTRL+Z, questionam as explicações da big tech.

Na terça-feira, 20, o Conselho de Supervisão da Meta, órgão independente financiado pela própria empresa, também se pronunciou sobre os dois casos. Manifestou preocupação com falhas recorrentes na proteção da integridade eleitoral e perguntou por que os mecanismos de prevenção de erros e de revisão especializada não funcionaram.

No Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral determinou que bloqueios automatizados de contas de anúncios de campanhas presidenciais passem por revisão humana em até duas horas. Para a colunista, a resposta é importante, mas insuficiente, porque o poder das plataformas inclui decidir quais conteúdos são recomendados, aparecem primeiro nas buscas e alcançam mais gente.

Santana pergunta quem define o que aparece e o que desaparece, com que critérios e quem fiscaliza esse poder. Lembra ainda a fala de Zuckerberg em janeiro de 2025, ao anunciar mudanças na moderação: "Vamos trabalhar com o presidente Trump para fazer frente a governos ao redor do mundo". A questão que fica é se a revisão em duas horas basta diante de um poder que vai além dos bloqueios.

Vamos trabalhar com o presidente Trump para fazer frente a governos ao redor do mundo.
— Mark Zuckerberg, em janeiro de 2025
A Meta nega favorecimento político e atribui os episódios a falhas técnicas.
— Posição da Meta, segundo a coluna
Contact Us FAQ