No limiar de outubro, o bitcoin cruzou a barreira dos 86 mil dólares como quem retoma um caminho interrompido — impulsionado pela confluência de liquidações forçadas, capital institucional renovado e sinais de paciência do Federal Reserve. O movimento inscreve-se numa tradição de expectativas sazonais conhecida como 'Uptober', onde a memória histórica de ganhos expressivos molda o comportamento presente dos mercados. Ainda assim, a solidez dessa alta permanece em aberto: ela repousa sobre fundamentos que podem se desfazer diante de dados econômicos adversos.
Bitcoin ultrapassa US$ 86 mil no início do Uptober, impulsionado por ETFs e liquidações
A alta atual depende principalmente da continuidade das compras à vista
Por que o bitcoin subiu especificamente nesse dia? Parece que houve mais de um fator em jogo.
Exatamente. Você teve liquidações forçadas de posições vendidas — mais de 120 milhões em 24 horas — que criaram uma compra em cascata quando o preço rompeu resistências. Ao mesmo tempo, os ETFs retomaram entradas após uma saída no dia anterior.
Mas quanto desse movimento veio realmente de demanda genuína versus apenas traders sendo forçados a cobrir apostas perdidas?
Ótima pergunta. A fonte distingue os dois, mas não quantifica quanto cada um contribuiu. Sabemos que houve 102,7 milhões em entradas de ETF, e a BlackRock foi responsável por 195,6 milhões do fundo IBIT.
Espera — se a BlackRock captou 195,6 milhões mas o total de ETFs foi 102,7 milhões, isso significa que outros ETFs tiveram saídas líquidas significativas, certo?
Sim. A Fidelity, Bitwise, Ark Invest, Invesco, VanEck e Grayscale todas tiveram saques. Então a BlackRock compensou tudo isso e ainda deixou um saldo positivo.
E quanto ao contexto do Fed? Isso é realmente novo ou apenas especulação sobre o que pode acontecer?
Philip Jefferson, vice-presidente do Fed, fez declarações públicas defendendo paciência antes de uma nova decisão sobre taxas. As expectativas de mercado foram revisadas para baixo após isso.
Mas uma declaração de um vice-presidente não é uma decisão oficial. O mercado pode estar se movendo com base em esperança em vez de confirmação.
Verdade. E a fonte deixa claro que dados sólidos sobre emprego nos EUA poderiam reverter tudo isso rapidamente.
Então o "Uptober" é real ou apenas uma narrativa que traders usam para justificar o que já está acontecendo?
É uma tendência estatística real — média de 18% em outubro na última década. Mas a fonte também avisa que essa média esconde variações significativas. Nem todo outubro é bom.
E o recorde anterior de 126,2 mil dólares em outubro de 2025 — isso significa que estamos ainda bem abaixo do pico, certo? Então há espaço para queda também.
O Pulso
- Mais de 120 milhões de dólares em posições vendidas foram liquidadas em 24 horas, criando um efeito cascata que empurrou o bitcoin até 87,1 mil dólares antes de um recuo.
- Os ETFs americanos de bitcoin retomaram entradas após um dia de saída líquida, com a BlackRock captando sozinha 195,6 milhões de dólares via fundo IBIT.
- O vice-presidente do Fed sinalizou cautela antes de novas decisões sobre juros, aliviando pressões sobre ativos de risco e favorecendo o ambiente para criptomoedas e ações de tecnologia.
- A zona dos 86 mil dólares tem peso técnico: dados da Glassnode indicam que mantê-la reduz o número de investidores institucionais operando no vermelho.
- A narrativa do 'Uptober' alimenta o otimismo — mas a alta atual depende da continuidade de compras à vista, e dados fortes de emprego nos EUA poderiam reverter rapidamente o cenário.
No limiar de outubro, o bitcoin cruzou a barreira dos 86 mil dólares como quem retoma um caminho interrompido — impulsionado pela confluência de liquidações forçadas, capital institucional renovado e sinais de paciência do Federal Reserve. O movimento inscreve-se numa tradição de expectativas sazonais conhecida como 'Uptober', onde a memória histórica de ganhos expressivos molda o comportamento presente dos mercados. Ainda assim, a solidez dessa alta permanece em aberto: ela repousa sobre fundamentos que podem se desfazer diante de dados econômicos adversos.
No primeiro dia de outubro, o bitcoin atravessou os 86 mil dólares e chegou brevemente a 87,1 mil, acumulando cerca de 3% na sessão e retornando ao nível mais alto em uma semana — ainda distante do recorde de 126,2 mil dólares registrado em outubro de 2025.
Três forças convergiram para o movimento. Mais de 120 milhões de dólares em posições vendidas foram liquidadas em 24 horas, forçando traders a recomprar e acelerando a alta ao romper as resistências entre 85 mil e 86 mil dólares. Ao mesmo tempo, os ETFs americanos de bitcoin retomaram as entradas após uma saída líquida de 148,7 milhões no dia anterior, captando 102,7 milhões em 1º de outubro. A BlackRock liderou com 195,6 milhões via fundo IBIT, compensando resgates em Fidelity, Bitwise, Ark Invest e outras gestoras.
A zona dos 86 mil dólares também carrega relevância técnica: segundo a Glassnode, esse patamar representa um ponto de equilíbrio para investidores de ETFs, e sustentá-lo reduziria o número de institucionais operando com perdas latentes. Os fluxos recentes, porém, ainda são modestos frente aos 2,65 bilhões captados em setembro e aos 6,34 bilhões do terceiro trimestre inteiro.
O contexto macroeconômico colaborou: o vice-presidente do Fed, Philip Jefferson, sinalizou necessidade de paciência antes de novas decisões sobre juros, reduzindo expectativas de alta e beneficiando ativos de risco. O bitcoin avançou em sintonia com ações de tecnologia — a Strategy subiu cerca de 4%, e Coinbase e Robinhood também registraram ganhos.
Essa dinâmica reforça a narrativa do 'Uptober'. Segundo o diretor de estratégia da Algoz, o bitcoin teve avanço médio de 18% em outubro e 46% no último trimestre da última década. Ainda assim, médias escondem variações e não garantem repetição. A alta atual depende sobretudo da continuidade das compras à vista — e dados sólidos de emprego nos EUA poderiam reacender temores de juros mais altos, fortalecer o dólar e inverter o movimento.
No primeiro dia de outubro, o bitcoin atravessou a marca de 86 mil dólares, chegando brevemente a 87,1 mil antes de recuar para cerca de 85,4 mil. O movimento marcou um acúmulo de aproximadamente 3% durante a sessão e recolocou a criptomoeda próxima ao seu nível mais alto em uma semana — ainda que bem distante do recorde de 126,2 mil dólares atingido em outubro de 2025.
Três fatores convergiram para impulsionar essa alta. Primeiro, mais de 120 milhões de dólares em posições vendidas foram liquidadas em 24 horas, forçando traders que apostavam em queda a recomprar suas posições. Esse efeito cascata acelerou o movimento quando o preço rompeu as zonas de resistência entre 85 mil e 86 mil dólares. Segundo, os fundos negociados em bolsa de bitcoin americanos retomaram as entradas de capital após uma saída líquida de 148,7 milhões no dia anterior. No dia 1º de outubro, esses ETFs receberam 102,7 milhões de dólares. A BlackRock liderou o fluxo através de seu fundo IBIT, captando 195,6 milhões, compensando saques observados na Fidelity, Bitwise, Ark Invest, Invesco, VanEck e Grayscale.
O nível de 86 mil dólares carrega também uma dimensão técnica. Segundo dados da Glassnode, essa zona representa um ponto de equilíbrio para investidores dos ETFs americanos — manter-se acima desse patamar poderia reduzir o número de investidores institucionais operando com perdas latentes. Contudo, a retomada dos fluxos ainda é modesta comparada aos volumes de setembro, quando os ETFs de bitcoin captaram 2,65 bilhões de dólares, abaixo dos 3,52 bilhões de agosto. No terceiro trimestre, o total de entradas líquidas chegou a 6,34 bilhões.
O contexto macroeconômico também favoreceu o movimento. Philip Jefferson, vice-presidente do Federal Reserve, sinalizou a necessidade de mais paciência antes de uma nova decisão sobre as taxas de juros. Essa declaração revisou para baixo as expectativas de aumento na próxima reunião. Taxas de juros mais baixas podem beneficiar o bitcoin de duas maneiras: reduzem o apelo relativo dos investimentos em títulos, facilitando o retorno de capitais para ativos de risco, e também pressionam o dólar, o que tende a favorecer ativos denominados em moeda americana. O bitcoin evoluiu junto com ações do setor tecnológico e empresas ligadas a criptomoedas — a Strategy avançou cerca de 4%, enquanto Coinbase e Robinhood também subiram.
Essa dinâmica alimenta a narrativa do "Uptober", o apelido dado a outubro considerando o desempenho histórico da criptomoeda. Segundo Stephen Wundke, diretor de estratégia da Algoz, o bitcoin teve um avanço médio de 18% em outubro e 46% no último trimestre durante a última década. Os traders atualmente acreditam que o potencial de alta é maior que o risco de queda. Porém, essa média esconde variações significativas entre os anos e não garante recuperação em todos os octubros. A alta atual depende principalmente da continuidade das aquisições à vista, enquanto parte do movimento vem das liquidações nos mercados futuros — uma base frágil se dados sólidos sobre o emprego nos EUA reavivar temores de aumento de taxas, elevar os rendimentos dos títulos e fortalecer o dólar.
Citações Notáveis
Os traders acreditam que o potencial de alta é maior que o risco de queda— Stephen Wundke, diretor de estratégia da Algoz
Philip Jefferson, vice-presidente do Federal Reserve, defendeu mais paciência antes de uma nova decisão sobre as taxas— Comunicação oficial do Federal Reserve