Bitcoin dispara 39% no terceiro trimestre, deixando ouro (2,58%) e outros ativos bem para trás, recuperando-se de queda de mais de 50% entre outubro de 2025 e julho de 2026. Recuperação combina volta de demanda, melhora de sinais técnicos e retorno de captações em ETFs de Bitcoin nos EUA a partir de julho, embora ainda distante do recorde histórico de US$ 126 mil.
Bitcoin dispara 39% e domina investimentos do 3º trimestre, mas juros americanos ameaçam continuidade
Se a posição tira o sono, ela está grande demais
Como o Bitcoin conseguiu recuperar 39% em um trimestre depois de ter caído mais de 50% em menos de um ano?
A recuperação combinou três fatores. Primeiro, os fundos de índice de Bitcoin nos EUA voltaram a captar recursos a partir de julho, depois de meses de resgates. Segundo, os sinais técnicos melhoraram — em setembro o ativo fechou acima de sua média móvel de 50 semanas pela primeira vez desde novembro de 2025. Terceiro, houve uma volta da demanda geral.
Mas isso é recuperação ou apenas um rebote técnico? O Bitcoin ainda está US$ 42 mil abaixo do recorde de outubro de 2025 e acumula queda de 10,18% no ano em reais. Não é exatamente uma história de sucesso.
Os especialistas divergem muito sobre se o Bitcoin funciona como reserva de valor. Como isso é possível?
Porque a resposta depende do horizonte de tempo. Quem olha para um ano vê um ativo que caiu mais de 50% — claramente não funciona como reserva de valor no curto prazo. Quem olha para anos vê um ciclo de alta iniciado em novembro de 2022 e acredita que a capacidade de preservar poder de compra se mede em períodos muito mais longos.
Mas ninguém consegue provar isso ainda. O Bitcoin existe desde 2009 — pouco mais de 15 anos. Comparar com ouro, que é reserva de valor há milênios, é especulativo. E a volatilidade de 50% em menos de um ano é um fato, não uma opinião.
O que pode impedir que o Bitcoin continue subindo?
Os juros americanos. O rendimento do título de 10 anos do Tesouro atingiu seu maior nível desde 2007 no fim de setembro, e isso ajudou a devolver o Bitcoin para baixo de US$ 84 mil. O mercado projeta aumento de juros para dezembro.
Mas o índice de preços de consumo de agosto veio mais fraco do que esperado, o que reduziu apostas de alta de juros em outubro. Então há incerteza real aqui. A Binance Research chama o cenário de "construtivo, mas condicional" — e essa condicionalidade é importante. Não é uma aposta segura.
Quanto Bitcoin uma pessoa deveria ter na carteira?
Os especialistas recomendam entre 1% e 5% para investidores conservadores, podendo chegar a 10% para os mais arrojados. Mas o número exato importa menos do que a disciplina — entrada gradual, rebalanceamento periódico, sem aumentar por impulso.
E há um aviso importante: quem pode precisar do dinheiro em pouco tempo deve manter um percentual menor. A volatilidade é o principal risco. Se uma queda de 50% — que já aconteceu várias vezes — muda seus planos, a posição está grande demais.
The Pulse
- Bitcoin sobe 39,26% no terceiro trimestre, superando ouro (2,58%)
- Criptomoeda acumula queda de 10,18% em reais ao longo de 2026
- Queda de mais de 50% entre recorde de US$ 126 mil (outubro de 2025) e mínima de US$ 58 mil (julho de 2026)
- Bitcoin negocia em torno de US$ 84 mil no fim de setembro
- Rendimento do título de 10 anos do Tesouro americano atinge maior nível desde 2007
Bitcoin dispara 39% no terceiro trimestre, deixando ouro (2,58%) e outros ativos bem para trás, recuperando-se de queda de mais de 50% entre outubro de 2025 e julho de 2026. Recuperação combina volta de demanda, melhora de sinais técnicos e retorno de captações em ETFs de Bitcoin nos EUA a partir de julho, embora ainda distante do recorde histórico de US$ 126 mil.
Bitcoin é o investimento mais rentável do terceiro trimestre com alta de 39,26%, superando o ouro, mas ainda acumula queda de 10,18% no ano. Especialistas divergem sobre seu papel como reserva de valor e alertam para riscos dos juros americanos.
O terceiro trimestre de 2026 já tem seu vencedor. O Bitcoin disparou 39,26% entre julho e setembro, deixando todos os demais ativos negociados no Brasil em seu rastro. O ouro, que costuma brilhar em tempos de incerteza, subiu apenas 2,58% no mesmo período. Mas essa recuperação espetacular esconde uma verdade mais incômoda: a criptomoeda ainda acumula queda de 10,18% em reais ao longo de todo o ano, mantendo-se no último lugar do ranking anual.
A trajetória do Bitcoin em 2026 foi de montanha-russa. Depois de renovar seu recorde histórico acima de US$ 126 mil em outubro de 2025, a moeda digital entrou em colapso. Junho foi particularmente brutal. No início de julho, o Bitcoin era negociado abaixo de US$ 58 mil, o menor patamar em quase dois anos. A queda total do topo até o fundo superou 50% em menos de um ano. Então, algo mudou. A partir de julho, os fundos de índice de Bitcoin negociados nos Estados Unidos, que passaram meses resgatando recursos, voltaram a captar. Em setembro, o ativo fechou a semana acima de sua média móvel de 50 semanas pela primeira vez desde novembro de 2025. Nesta quarta-feira, quando o trimestre se encerra, o Bitcoin gira em torno de US$ 84 mil.
Especialistas divergem radicalmente sobre o que essa recuperação significa. Rafael Castaneda, da EverValue, é cético quanto à ideia de que o Bitcoin funcione como reserva de valor. Um ativo que cai mais de 50% em menos de um ano simplesmente não cumpre esse papel, argumenta. Para ele, a criptomoeda é hoje mais uma aposta de longo prazo contra uma possível ruptura do sistema financeiro tradicional. Kevin Voigt, da Chainless, vê as coisas de forma bem diferente. Reserva de valor não se mede em trimestres, insiste. Mede-se em anos, pela capacidade de preservar poder de compra. Ele enxerga Bitcoin e ouro não como competidores, mas como ativos complementares em uma carteira bem construída. Thaise Saeter Rytenband, da Convex Research, oferece uma leitura que tenta reconciliar os dois lados. No curto prazo, o ouro tem funcionado como ativo neutro diante das tensões geopolíticas e como principal reserva dos bancos centrais. O Bitcoin, por sua vez, reage com muito mais intensidade às mudanças nas condições financeiras e ao fluxo de novos compradores. Mychel Mendes, da Tokeniza, resume a dinâmica de forma simples: tudo depende do custo do dinheiro. Com juros altos e dólar forte, o ouro protege melhor. Quando a liquidez se abre, o Bitcoin captura mais valor.
Mas o cenário para frente é cercado de incertezas. Os juros americanos representam o principal obstáculo para a continuidade da alta. No fim de setembro, o rendimento do título de 10 anos do Tesouro americano atingiu seu maior nível desde 2007, movimento que ajudou a devolver o Bitcoin para baixo de US$ 84 mil. O índice de preços de gastos com consumo de agosto veio mais fraco do que esperado, reduzindo apostas de alta de juros já em outubro, mas o mercado segue projetando aumento para dezembro. A Binance Research classifica o cenário como "construtivo, mas condicional". Para Thaise, o Bitcoin segue no ciclo de alta iniciado em novembro de 2022, e uma nova máxima em 2027 pode ser coerente com esse ciclo apenas se o afrouxamento das condições financeiras se consolidar. Para superar o recorde histórico, o Bitcoin precisaria subir cerca de 50% a partir daqui, movimento que ela não trata como cenário central para 2026. Outubro gera expectativa positiva porque historicamente concentra a maior mediana de retorno mensal da criptomoeda desde 2011, segundo o Mercado Bitcoin. Mas a sazonalidade não é garantia de alta. Kevin Voigt vê um novo recorde como improvável ainda em 2026, mas viável em 2027, desde que a demanda pelos ETFs se sustente mesmo com juros mais altos. O Itaú BBA, por sua vez, avalia que a superação de resistências relevantes no fim de setembro reforça a visão de que o mercado de criptoativos pode estar no início de um ciclo estrutural de alta.
Quanto à alocação em carteira, os especialistas são unânimes em um ponto: não existe um percentual único. Tudo depende do patrimônio, do perfil de risco e do prazo de cada investidor. Kevin Voigt cita recomendações de grandes bancos e gestoras que variam de 1% a 4% do patrimônio e avalia que, para um investidor conservador, até 5% pode funcionar como proteção, desde que a posição seja dimensionada para que uma queda de 50%, que já aconteceu várias vezes, não mude seus planos. Rafael Castaneda recomenda a entrada gradual, com aportes ao longo do tempo para formar preço médio, e lembra que as compras costumam render mais quando o mercado está desacreditado. "Se a posição tira o sono, ela está grande demais", diz. Thaise considera cerca de 5% um percentual interessante para o investidor de varejo, mas avalia que a disciplina importa mais do que o número exato, com entrada gradual, rebalanceamento periódico e sem aumentar a posição por impulso depois de altas fortes. Mychel Mendes defende que mesmo o investidor conservador tenha entre 1% e 5% da carteira em Bitcoin, fatia que pode chegar a 10% para os mais arrojados. Ele ressalta, porém, que o principal risco do ativo é a volatilidade e que quem pode precisar do dinheiro em pouco tempo deve manter um percentual menor.
Notable Quotes
Um ativo que cai mais de 50% entre topo e fundo em menos de um ano não cumpre o papel de reserva de valor— Rafael Castaneda, head of ecosystem da EverValue
Reserva de valor não se mede em um trimestre. Mede-se em anos, pela capacidade de preservar poder de compra— Kevin Voigt, CEO da Chainless