Num momento em que o mercado de ativos digitais atravessa uma desvalorização significativa, Bill Gates — arquiteto de uma das maiores fortunas construídas sobre inovação tecnológica — escolheu uma conferência sobre alterações climáticas para declarar que os NFTs são inteiramente sustentados pela ilusão de que haverá sempre alguém mais ingénuo disposto a pagar mais. A sua posição não é a de um cético da tecnologia, mas a de alguém que distingue entre inovação com valor tangível e especulação desligada do mundo real — uma distinção que, em períodos de euforia digital, raramente é bem-vinda, mas
Bill Gates critica NFTs como "100% baseados na teoria do mais tolo"
Imagens digitais de caras de macacos vão melhorar imensamente o mundo
Quando Gates diz que os NFTs são baseados na "teoria do mais tolo", está a fazer uma crítica económica ou moral?
Ambas, creio. A teoria do mais tolo é um conceito económico — descreve como o lucro pode vir de especulação pura, sem valor subjacente. Mas Gates está a usar-a para dizer que isto é fundamentalmente errado como forma de investir.
Mas ele não fornece dados sobre quantos NFTs são realmente especulativos versus quantos têm utilidade real. É uma afirmação ampla baseada numa conferência.
Ele mencionou impostos. Está a sugerir que os NFTs são usados para fraude fiscal?
Ele disse "suspeitar que algum desses ativos são desenvolvidos para evitar impostos". É uma suspeita, não uma acusação. Mas a implicação é clara — há incentivos perversos no espaço.
Exatamente. Ele suspeita, mas não apresenta exemplos específicos ou investigação. É uma observação válida, mas não é prova de um padrão sistemático.
O Bored Ape Yacht Club é realmente apenas "imagens de caras de macacos"?
Tecnicamente, sim — são NFTs de arte digital. Mas o projecto construiu uma comunidade, um ecossistema. Gates está a reduzir-o ao seu elemento mais superficial para fazer um ponto.
Que é um ponto válido, aliás. Se o valor está apenas na imagem e não em nada que ela faça ou represente funcionalmente, então a crítica tem peso. Mas há quem argumente que a comunidade é o ativo real.
O Pulso
- Gates usou uma conferência climática da TechCrunch para lançar uma crítica direta e sem rodeios: os NFTs são '100% baseados na teoria do mais tolo', onde o lucro depende de encontrar compradores cada vez mais ingénuos.
- A tensão é ampliada pelo momento escolhido — as declarações chegam enquanto criptomoedas e NFTs sofrem quedas expressivas, tornando o ceticismo de Gates difícil de ignorar para investidores já nervosos.
- Gates vai além da especulação e levanta suspeitas sobre motivações ocultas, sugerindo que alguns destes ativos digitais podem servir para contornar impostos e regulações governamentais.
- O sarcasmo não foi poupado ao Bored Ape Yacht Club, um dos projetos NFT mais celebrados, que Gates descreveu ironicamente como algo que 'obviamente vai melhorar imensamente o mundo'.
- A alternativa que Gates propõe é clara e deliberadamente prosaica: fábricas, empresas que fabricam produtos, ativos com saídas tangíveis — um contraste intencional com a abstração dos tokens digitais.
Num momento em que o mercado de ativos digitais atravessa uma desvalorização significativa, Bill Gates — arquiteto de uma das maiores fortunas construídas sobre inovação tecnológica — escolheu uma conferência sobre alterações climáticas para declarar que os NFTs são inteiramente sustentados pela ilusão de que haverá sempre alguém mais ingénuo disposto a pagar mais. A sua posição não é a de um cético da tecnologia, mas a de alguém que distingue entre inovação com valor tangível e especulação desligada do mundo real — uma distinção que, em períodos de euforia digital, raramente é bem-vinda, mas que o tempo frequentemente valida.
Numa conferência sobre alterações climáticas organizada pela TechCrunch, Bill Gates foi direto ao ponto: os NFTs são '100% baseados na teoria do mais tolo'. A referência não é retórica — Gates estava a invocar um conceito económico preciso, a Greater fool theory, que descreve como ativos sobrevalorizados continuam a gerar lucro enquanto houver compradores ainda mais ingénuos dispostos a pagar preços mais altos.
Quando questionado sobre as suas preferências de investimento, o fundador da Microsoft não hesitou: prefere ativos com valor tangível. Fábricas. Empresas que produzem coisas reais. Criptomoedas e NFTs ficam deliberadamente fora dessa equação. A crítica vai além da especulação — Gates sugeriu que alguns destes ativos digitais podem estar a ser usados para contornar impostos e regulações, e não poupou o sarcasmo ao referir-se ao Bored Ape Yacht Club: 'obviamente, imagens digitais de caras de macacos vão melhorar imensamente o mundo'.
Não é a primeira vez que Gates alerta sobre os perigos do universo cripto. Em fevereiro de 2021, já havia advertido investidores sobre a volatilidade extrema do Bitcoin. Mas as suas palavras chegam agora num momento de queda significativa dos ativos digitais, o que lhes confere um peso particular. O que torna a posição de Gates notável é precisamente quem ele é: não um crítico marginal da tecnologia, mas alguém que construiu uma fortuna sobre inovação. A sua mensagem é que nem toda a inovação merece investimento — e que a linha entre transformação real e esquema especulativo passa, invariavelmente, pela existência de valor tangível.
Bill Gates não tem poupado palavras quando o assunto são os NFTs. Numa conferência recente sobre alterações climáticas organizada pela TechCrunch, o fundador da Microsoft foi direto: os tokens não-fungíveis são "100% baseados na teoria do mais tolo". A frase não é casual. Gates estava a descrever um conceito económico específico — a Greater fool theory — que funciona assim: um ativo pode estar completamente sobrevalorizado, mas continua a gerar lucro para quem o vende, desde que encontre alguém ainda mais ingénuo para o comprar a um preço mais alto.
Os NFTs já não são novidade. Nos últimos tempos, marcas de relevo adoptaram a tecnologia, e a população em geral tornou-se familiarizada com a ideia de tokens digitais únicos. Mas Gates não é um crente. Quando questionado sobre onde preferia investir o seu dinheiro, foi claro: em ativos com saídas tangíveis. Fábricas. Empresas que fabricam produtos. Coisas que existem no mundo físico e produzem valor real. Criptomoedas e NFTs ficam de fora dessa equação.
A crítica vai além da especulação pura. Gates sugeriu que alguns desses ativos digitais podem estar a ser desenvolvidos com propósitos menos nobres — para contornar impostos ou regulações governamentais. E quando se trata de projetos específicos, não hesita em usar o sarcasmo. Referiu-se ao Bored Ape Yacht Club, um dos projectos NFT mais populares, com uma observação mordaz: "obviamente, imagens digitais de caras de macacos vão melhorar imensamente o mundo".
Esta não é a primeira vez que Gates expressa desconfiança em relação ao universo das criptomoedas. Em fevereiro de 2021, já havia alertado os investidores sobre os perigos de comprar Bitcoin, especialmente considerando a volatilidade extrema da moeda. Nessa altura, o mercado ainda estava numa fase diferente. Agora, as suas críticas chegam num momento em que o valor das moedas digitais está em queda significativa, o que torna as suas palavras particularmente relevantes para quem está a observar o mercado.
O que torna estas declarações notáveis é quem as faz. Gates não é um crítico marginal das tecnologias digitais — é alguém que construiu uma fortuna na inovação tecnológica. A sua posição não é contra a tecnologia em si, mas contra o que vê como especulação desligada de valor real. A distinção importa. Gates está a dizer que nem toda a inovação digital merece investimento, e que a diferença entre uma tecnologia transformadora e um esquema especulativo é precisamente a existência de valor tangível por trás.
Citações Notáveis
Prefiro investir em ativos com saídas tangíveis, como fábricas, ou em empresas que fabriquem produtos— Bill Gates, conferência TechCrunch
Obviamente, imagens digitais de caras de macacos vão melhorar imensamente o mundo— Bill Gates, referindo-se ao Bored Ape Yacht Club