Bill Gates admite que relacionamento com Jeffrey Epstein foi "enorme erro"

Jeffrey Epstein foi acusado de abuso sexual de menores, com vítimas identificadas em investigações que abrangeram o período 2002-2005.
Foi um enorme erro dar credibilidade a alguém assim
Gates reconheceu na CNN que os jantares com Epstein foram um erro de julgamento filantrópico.
Mark

Porque é que Gates sentia necessidade de passar tempo com Epstein? Parecia-lhe uma estratégia estranha para angariar fundos.

Mimi

Gates estava a tentar mobilizar biliões de dólares para saúde global. Epstein era um homem muito rico com muitas conexões. Na teoria, fazia sentido — um investidor potencial com acesso a outras pessoas ricas. Mas a promessa nunca se concretizou.

Luke

Mas há algo que não encaixa aqui. Gates diz que começou a relacionar-se com Epstein em 2011, anos depois de Epstein ter sido condenado por crimes sexuais. Como é que isso não foi uma bandeira vermelha imediata?

Mimi

Epstein cumpriu apenas 13 meses de uma sentença de 18 meses em 2008. Tecnicamente, havia "pago" pelo crime anterior. Mas sim, a história estava lá para quem quisesse saber.

Mark

E Melinda? Ela sabia desde o início?

Mimi

Ela estava desconfortável desde 2013, quando se encontraram com ele. Mas os encontros continuaram. Em 2019, ela consultou advogados. O divórcio foi anunciado em maio de 2021.

Luke

Portanto, a preocupação de Melinda durou oito anos antes de qualquer ação legal. E mesmo assim, Gates continua a dizer que foi apenas um erro de julgamento sobre filantropia.

Mimi

Ele está a enquadrar isto como uma falha comercial — investiu tempo numa oportunidade que não se concretizou. Mas Melinda claramente via algo mais preocupante.

Mark

O que é que a Fundação fez quando soube? Havia outras pessoas da organização que também se encontravam com Epstein?

Mimi

Sim, outros funcionários também se encontraram com ele. Mas não há detalhes públicos sobre o que a Fundação fez em resposta.

Luke

E isto tudo acontece dois dias após o divórcio ser finalizado. A confissão parece estratégica — Gates está a controlar a narrativa antes que alguém mais o faça.

Mimi

Pode ser. Mas também é verdade que ele está a admitir algo que muitas pessoas tentariam esconder completamente.

  • Gates admite publicamente, pela primeira vez em entrevista à CNN, que socializar com Epstein foi um 'enorme erro' — palavras que surgem apenas dois dias após a finalização do seu divórcio.
  • A relação com Epstein não era desconhecida dentro de casa: Melinda Gates expressou desconforto desde 2013 e consultou advogados em outubro de 2019, meses antes de o divórcio ser anunciado.
  • Gates justifica os jantares como estratégia filantrópica — esperava que Epstein ajudasse a angariar biliões para projetos de saúde global — mas reconhece que as promessas nunca se materializaram.
  • O relacionamento continuou anos após a condenação de Epstein por crimes sexuais em 2008, e envolvia também outros funcionários da Fundação Bill e Melinda Gates.
  • A morte de Epstein em agosto de 2019, confirmada como enforcamento, encerrou os processos judiciais mas não as questões sobre quem o conhecia e porquê.

Dois dias após a conclusão legal do seu divórcio, Bill Gates reconheceu publicamente que os anos passados na companhia de Jeffrey Epstein constituíram um erro grave — uma admissão que ilumina a tensão entre a ambição filantrópica e o custo moral das alianças que se escolhem para a concretizar. Gates descreveu os encontros como tentativas de mobilizar recursos para a saúde global, mas o que ficou registado foi também o desconforto crescente de Melinda Gates desde 2013 e a sombra de um homem condenado por crimes sexuais. A confissão chega num momento em que o legado de Epstein continua a reconfigurar as reputações de todos os que orbitaram à sua volta.

Dois dias depois de o seu divórcio ser legalmente concluído, Bill Gates sentou-se perante as câmaras da CNN e admitiu o que muitos esperavam ouvir: os anos passados na companhia de Jeffrey Epstein foram, nas suas próprias palavras, um 'enorme erro'. O cofundador da Microsoft explicou os encontros como uma aposta filantrópica — a esperança de que o magnata financeiro pudesse ajudar a canalizar biliões de dólares para projetos de saúde global através das suas conexões. Quando ficou claro que essa promessa nunca se tornaria real, disse Gates ao jornalista Anderson Cooper, o relacionamento terminou.

O que Gates descrevia como uma transação falhada havia, porém, deixado marcas mais profundas. Melinda Gates manifestara desconforto com estas ligações desde 2013, quando o casal se encontrou com Epstein para discutir filantropia. Em outubro de 2019, já consultava advogados. Os encontros, entretanto, haviam continuado — não apenas entre Gates e Epstein, mas também entre funcionários da sua fundação e o magnata — e tinham começado em 2011, anos após a primeira condenação de Epstein por abuso sexual de uma menor.

O contexto tornava a entrevista ainda mais carregada. Gates e Melinda haviam anunciado o divórcio em maio, após 27 anos de casamento, e Gates descreveu o fim da relação como um 'marco muito triste', elogiando a ex-mulher e manifestando esperança de continuarem a colaborar nas causas comuns. Epstein, que morreu enforcado numa cela em Nova Iorque em agosto de 2019 aos 66 anos, havia sido acusado de criar uma rede de abuso de menores entre 2002 e 2005. A sua morte foi confirmada como suicídio, embora as circunstâncias tenham gerado dúvidas.

Para Gates — que abandonou a liderança da Microsoft em 2000 para se dedicar à sua fundação — as perguntas sobre o julgamento demonstrado na escolha dos seus associados revelam uma tensão que a filantropia por si só não resolve: a de que os fins não purificam automaticamente os meios, nem as companhias que se escolhe para os alcançar.

Dois dias após a finalização do seu divórcio, Bill Gates sentou-se perante as câmaras da CNN e reconheceu o que havia estado a pesar sobre ele: os anos que passou na companhia de Jeffrey Epstein foram, nas suas palavras, um "enorme erro". O cofundador da Microsoft não tentou esconder a relação. Em vez disso, explicou-a como uma série de jantares motivados por um objetivo filantrópico claro — a esperança de que o magnata financeiro pudesse ajudar a angariar biliões de dólares para projectos de saúde global através das suas conexões.

Mas havia um problema que Gates reconheceu apenas quando era demasiado tarde: aquilo que Epstein havia prometido nunca se materializou. "Quando começou a parecer que não era uma coisa real, o relacionamento acabou", disse Gates ao jornalista Anderson Cooper. O que Gates descrevia como uma transação comercial falhada — encontros com um homem rico na esperança de mobilizar recursos para a sua fundação — era, na verdade, algo que havia gerado inquietação crescente dentro da sua própria família e da sua organização.

Melinda Gates havia manifestado desconforto com estas ligações desde 2013, quando o casal se encontrou com Epstein para discutir questões de filantropia. Essa preocupação não desapareceu. Em outubro de 2019, Melinda consultou advogados, incómoda com a continuação do relacionamento entre o seu marido e Epstein. Entretanto, os encontros prosseguiram — não apenas entre Bill Gates e Epstein, mas também entre outros funcionários da Fundação Bill e Melinda Gates e o magnata. Os registos mostram que Gates havia começado a relacionar-se com Epstein em 2011, anos após este ter sido condenado por crimes sexuais.

O contexto desta confissão era particularmente delicado. Gates e Melinda haviam anunciado o seu divórcio em 3 de maio, após 27 anos de casamento. A entrevista à CNN ocorreu apenas dois dias após a finalização legal dessa separação. Na mesma conversa, Gates descreveu o fim do casamento como um "marco muito triste", elogiando Melinda como "uma ótima pessoa" e afirmando que ambos esperavam continuar a trabalhar juntos nas suas causas filantrópicas, apesar da ruptura pessoal.

Epstein, que administrava um fundo de investimento, havia sido uma figura central em círculos de poder e riqueza durante décadas. A sua morte em agosto de 2019 — aos 66 anos, enforcado numa cela de prisão em Nova Iorque — encerrou um capítulo de escândalo que havia começado muito antes. Em 2008, Epstein havia sido acusado de abuso sexual de uma menor de 14 anos. Alcançou um acordo extrajudicial: 18 meses de prisão, dos quais cumpriu 13, pagou indemnização à vítima, e a investigação foi encerrada. Mas em julho de 2019, novas acusações surgiram — desta vez, alegações de que havia criado uma rede para abusar de menores nas suas mansões entre 2002 e 2005.

A morte de Epstein na prisão foi inicialmente descrita pelo procurador-geral William P. Barr como um "aparente suicídio". Surgiram questões sobre as circunstâncias — múltiplas lesões, ossos partidos no pescoço — mas a autópsia confirmou que havia de facto morrido por enforcamento. Epstein havia sido amigo de figuras públicas proeminentes, incluindo o ex-presidente Bill Clinton e o príncipe Andrew do Reino Unido.

Gates, que havia fundado a Microsoft em 1975 e renunciado ao cargo de presidente-executivo em 2000 para se concentrar na sua fundação, agora enfrentava perguntas sobre o julgamento que havia demonstrado ao escolher os seus associados. A Fundação Bill e Melinda Gates, criada duas décadas antes para combater a pobreza e as doenças em todo o mundo, havia sido construída sobre a reputação e a credibilidade do seu fundador. Os jantares com Epstein — e a explicação de Gates sobre o porquê de terem ocorrido — revelavam uma tensão entre a ambição filantrópica e a realidade de quem estava disposto a ajudar a realizá-la.

Foi um enorme erro passar tempo com ele, dar-lhe essa credibilidade de estar lá
— Bill Gates, em entrevista à CNN
Tive vários jantares com ele na esperança de que pudesse materializar o que disse sobre arrecadar biliões para a filantropia
— Bill Gates, explicando a razão dos encontros
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