Biden propõe expansão de acesso a medicamentos para perda de peso antes de deixar governo

Milhões de americanos de baixa renda e idosos com obesidade enfrentam acesso limitado a tratamentos transformadores devido aos custos elevados dos medicamentos.
Medicamentos transformadores que poderiam resolver a epidemia, agora fora do alcance
A Casa Branca descreve o impacto potencial dos medicamentos para obesidade que Biden tentou tornar acessíveis.

A Casa Branca quer tornar medicamentos para obesidade amplamente disponíveis via Medicare e Medicaid, beneficiando 3,4 milhões de idosos e 4 milhões de pessoas de baixa renda. Robert F. Kennedy Jr., futuro secretário de saúde de Trump, já se opôs à medida, argumentando que investir em nutrição seria mais eficaz que medicamentos caros.

  • Proposta beneficiaria 3,4 milhões de beneficiários do Medicare e 4 milhões do Medicaid
  • 42% dos americanos vivem com obesidade
  • Robert F. Kennedy Jr. se opõe à expansão, preferindo investimentos em nutrição
  • Medicamentos como Ozempic e Wegovy atualmente disponíveis apenas para pacientes com sobrepeso, diabetes ou doenças cardíacas

Biden propõe expandir cobertura de medicamentos para obesidade como Ozempic e Wegovy para 7,5 milhões de americanos idosos e de baixa renda, mas a proposta enfrenta rejeição do futuro secretário de saúde de Trump.

Na terça-feira, a poucos dias de deixar a Casa Branca, Joe Biden apresentou uma proposta para expandir drasticamente o acesso a medicamentos para perda de peso entre americanos idosos e de baixa renda. A iniciativa buscaria cobrir quase 7,5 milhões de pessoas através dos dois maiores programas de seguro de saúde público dos Estados Unidos: o Medicare, que atende principalmente maiores de 65 anos, e o Medicaid, voltado para populações de baixa renda. Atualmente, medicamentos como Ozempic e Wegovy estão disponíveis nesses programas apenas para pacientes que já apresentam sobrepeso, diabetes ou doenças cardíacas. A Casa Branca queria mudar isso, tornando os fármacos acessíveis como tratamento para a obesidade em si.

O raciocínio por trás da medida era direto: para muitos americanos, esses medicamentos permanecem proibitivamente caros. Um porta-voz da Casa Branca observou que 42% dos americanos vivem com obesidade, enquanto o Departamento de Saúde e Serviços Humanos descreveu os medicamentos como "transformadores", capazes de melhorar significativamente a saúde e qualidade de vida de milhões de pessoas. A expansão beneficiaria especificamente 3,4 milhões de beneficiários do Medicare e aproximadamente 4 milhões de pessoas elegíveis para o Medicaid.

Mas a proposta chegava tarde demais. Robert F. Kennedy Jr., nomeado por Donald Trump para ser o próximo secretário de saúde, já havia deixado clara sua oposição. Em outubro, Kennedy se manifestou contra um projeto de lei no Congresso que expandiria o acesso a esses medicamentos, argumentando que o dinheiro seria melhor investido em nutrição. "Se gastássemos cerca de um quinto desse valor oferecendo três refeições diárias de boa qualidade para cada homem, mulher e criança no país, poderíamos resolver a epidemia de obesidade e diabetes da noite para o dia", disse ele à Fox News. Kennedy também criticou a fabricante dinamarquesa Novo Nordisk, acusando-a de "contar com a venda para americanos porque somos muito estúpidos e viciados em drogas".

A posição de Kennedy reflete uma filosofia mais ampla que Trump pretende implementar em sua administração. O presidente eleito nomeou o médico televisivo Mehmet Oz para chefiar o Medicare e o Medicaid, com instruções explícitas para "cortar o desperdício e a fraude" no que Trump chamou de "a agência governamental mais cara do país". Além disso, Trump designou Elon Musk e Vivek Ramaswamy para liderar uma comissão de "eficiência governamental" encarregada de reduzir custos em toda a administração federal. Qualquer expansão de gastos com seguros de saúde públicos entraria em conflito direto com essa agenda de cortes orçamentários.

O contraste com a abordagem de Biden é marcante. Durante seu mandato, o presidente democrata buscou expandir o acesso a tratamentos e coberturas de saúde. Sua proposta final sobre medicamentos para obesidade reflete essa filosofia, mas chegou em um momento em que o poder executivo está prestes a mudar de mãos. Kennedy, apesar da controvérsia que o cerca — incluindo seu ativismo antivacina e apoio a teorias da conspiração — conquistou algum apoio de ativistas de saúde e legisladores por suas propostas de melhorar a nutrição dos americanos. Ainda assim, sua rejeição aos medicamentos para perda de peso sugere que a iniciativa de Biden dificilmente sobreviverá aos primeiros dias da administração Trump.

Se gastássemos cerca de um quinto desse valor oferecendo três refeições diárias de boa qualidade para cada pessoa no país, poderíamos resolver a epidemia de obesidade e diabetes da noite para o dia
— Robert F. Kennedy Jr., futuro secretário de saúde de Trump
Para muitos americanos, esses tratamentos essenciais são muito caros e, portanto, fora de alcance
— Porta-voz da Casa Branca
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Inventor

Por que Biden escolheu este momento específico para fazer essa proposta, sabendo que Trump já nomeou seu secretário de saúde?

Model

É uma questão de princípio e legado. Biden tinha a autoridade para fazer isso antes de sair, e acreditava que era a coisa certa a fazer. Às vezes os presidentes agem sabendo que suas ações serão desfeitas.

Inventor

Kennedy realmente acredita que nutrição é a solução, ou isso é apenas uma forma de rejeitar a indústria farmacêutica?

Model

Provavelmente ambas as coisas. Ele tem uma crítica genuína ao modelo de medicamentos caros, mas sua retórica — chamar americanos de "estúpidos" — sugere algo mais ideológico do que pragmático.

Inventor

Qual é o custo real dessa diferença de abordagem para as pessoas?

Model

Milhões de idosos e pessoas pobres com obesidade continuarão sem acesso a esses medicamentos. Não é abstrato. É a diferença entre poder se tratar ou não.

Inventor

A Novo Nordisk deve estar preocupada com essa mudança de administração?

Model

Talvez não tanto. Kennedy criticou a empresa, mas Trump é pró-negócios. O que Kennedy quer cortar são os gastos públicos, não as vendas privadas. A empresa pode sobreviver bem sem o Medicare e Medicaid.

Inventor

Então essa proposta de Biden era principalmente simbólica?

Model

Não exatamente. Teria afetado milhões de pessoas se implementada. Mas sim, há algo de simbólico em um presidente saindo pela porta fazendo um gesto que sabe que será revertido.

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