BC abre consulta para permitir operações cambiais diretas em bancos sem corretora

O cliente fará tudo pelo aplicativo do seu banco
A simplificação que o Banco Central propõe para transferências internacionais, eliminando a necessidade de corretoras.

O Banco Central do Brasil deu um passo significativo rumo à modernização do mercado cambial, abrindo uma consulta pública que, se aprovada, permitirá que bancos e instituições de pagamento realizem transferências internacionais diretamente — sem a intermediação obrigatória de corretoras. A proposta, anunciada em novembro de 2020, reflete um movimento mais amplo de democratização dos serviços financeiros: reduzir barreiras, baixar custos e aproximar o cidadão comum de operações que antes exigiam múltiplos intermediários. Como tantas reformas estruturais, ela não elimina o que existia, mas abre espaço para que o mercado evolua por dentro.

  • Décadas de obrigatoriedade das corretoras de câmbio chegam ao fim: o BC propõe que bancos e fintechs façam transferências internacionais diretamente, pelo app ou site, sem intermediários.
  • O custo elevado e a burocracia das operações cambiais individuais pressionam consumidores e travam a competitividade — a proposta responde a essa fricção com um modelo de agregação de transações já testado no mercado de cartões.
  • Limites regulatórios definem o terreno: cada operação no modelo eFX fica restrita a US$ 10 mil, com emissão obrigatória de comprovantes e registros individualizados para fiscalização e combate à lavagem de dinheiro.
  • A consulta pública, aberta até 29 de janeiro, convida qualquer cidadão ou instituição a contribuir — e o BC promete incorporar as respostas antes de publicar a regulação final.
  • Se aprovada, a mudança entra em vigor em 2021, prometendo transformar transferências internacionais em algo tão simples quanto pagar uma conta pelo celular.

O Banco Central abriu, em 12 de novembro de 2020, uma consulta pública que pode redesenhar o mercado cambial brasileiro. A proposta central é direta: bancos e instituições de pagamento autorizadas poderão realizar transferências internacionais diretamente, sem que o cliente precise recorrer a uma corretora de câmbio. Tudo poderá ser feito pelo aplicativo ou site do próprio banco — com mais agilidade e, potencialmente, menor custo.

O mecanismo que viabiliza essa mudança é o mesmo já utilizado no mercado de cartões de crédito: em vez de processar cada transferência individualmente, as instituições agregam as operações de múltiplos clientes e realizam uma única transação cambial. Lúcio Hellery Holanda Oliveira, do Departamento de Regulação Prudencial e Cambial do BC, explicou que a maior concorrência tende a derrubar preços e ampliar o acesso. As corretoras não são extintas — seguem como alternativa no mercado.

A modalidade, chamada eFX, terá limite de US$ 10 mil por operação. As instituições deverão emitir comprovantes com a taxa de câmbio aplicada e eventuais tarifas, além de manter registros individualizados para fins de fiscalização e prevenção de crimes financeiros. Não há restrição de país de destino, desde que a instituição receptora esteja regularizada localmente.

A consulta pública vai além das transferências simples. O BC também propõe contas pré-pagas em reais para não residentes, com limite de US$ 10 mil — facilitando que brasileiros no exterior paguem contas no país. E abre espaço para que instituições de pagamento operem diretamente no mercado cambial, com limite de US$ 100 mil por operação, em formato exclusivamente digital.

O prazo para contribuições encerra em 29 de janeiro. Se a regulação for aprovada conforme planejado, 2021 marcará o início de uma nova era para as transferências internacionais no Brasil.

O Banco Central abriu as portas para uma transformação no mercado cambial brasileiro. Na quinta-feira, 12 de novembro, a autarquia lançou uma consulta pública que promete simplificar drasticamente a forma como brasileiros transferem dinheiro para o exterior — e como as instituições financeiras processam essas operações. A mudança entra em vigor no próximo ano, se aprovada, e muda um arranjo que vinha praticamente intocado há décadas.

Até agora, quem queria enviar recursos para fora do país tinha um caminho obrigatório: procurar uma corretora de câmbio. Essa intermediária fechava a operação individualmente, cliente por cliente, o que tornava o processo caro e burocrático. A proposta do BC abre uma alternativa. Bancos e instituições de pagamento autorizadas poderão realizar essas transferências diretamente, sem depender de corretoras. O cliente fará tudo pelo aplicativo ou site do seu banco — simples, rápido, acessível.

O mecanismo que torna isso possível é elegante: em vez de processar cada transferência isoladamente, os bancos agregam todas as operações dos seus clientes e fazem uma única transação cambial. É o mesmo modelo que já funciona há anos no mercado de cartões de crédito. Isso reduz custos significativamente. Lúcio Hellery Holanda Oliveira, chefe de divisão do Departamento de Regulação Prudencial e Cambial do BC, explicou a lógica: quando o cliente não precisa mais procurar uma corretora para fechar uma operação individual, a competição aumenta, os preços caem, e o serviço fica mais acessível. As corretoras não desaparecem — continuam operando como uma opção entre outras.

A regulação estabelece limites claros. Cada operação de câmbio nessa modalidade, chamada "eFX", fica limitada a dez mil dólares. Os bancos e instituições de pagamento precisarão emitir comprovantes detalhados aos clientes, mostrando a taxa de câmbio aplicada e qualquer tarifa cobrada. Além disso, devem manter registros individualizados de cada transferência — exigência essencial para que o BC possa fiscalizar e prevenir lavagem de dinheiro e financiamento ao terrorismo. Não há restrições quanto ao país de destino, mas a instituição que receber os recursos no exterior precisa estar regularizada pelas autoridades locais.

A consulta pública vai além das transferências simples. O BC também quer autorizar que instituições de pagamento abram contas pré-pagas em reais para pessoas que não residem no Brasil, com limite de dez mil dólares. O objetivo é prático: facilitar que brasileiros que vivem no exterior paguem suas contas no país sem complicações. Oliveira destacou que a autarquia espera atrair mais instituições para oferecer esse tipo de produto.

Há ainda uma terceira frente. Instituições de pagamento poderão ser autorizadas a operar diretamente no mercado cambial, com limite de cem mil dólares por operação. Essas instituições não trabalharão com dinheiro em espécie — tudo será digital. A intenção é clara: modernizar os serviços financeiros digitais, que crescem exponencialmente e precisam de regulação adequada.

Toda essa estrutura faz parte de um esforço maior de consolidação e modernização. O BC quer uniformizar o tratamento de diferentes tipos de transações internacionais: compras com cartão internacional, pagamentos processados por facilitadoras, aquisições de encomendas do exterior. Hoje, cada uma dessas operações segue regras ligeiramente diferentes. A proposta busca harmonizar tudo isso, criando um ambiente mais coerente e previsível.

A consulta pública encerra em 29 de janeiro. Até lá, qualquer pessoa ou instituição pode enviar comentários, sugestões e críticas. O BC promete analisar tudo antes de publicar a regulação final. Se tudo correr como planejado, a partir de 2021, transferir dinheiro para o exterior será tão simples quanto pagar uma conta pelo aplicativo do banco.

O cliente poderá fazer a transferência pelo site ou aplicativo do seu banco, em vez de procurar necessariamente uma corretora, e a instituição fará apenas uma operação agregada com todos os clientes
— Lúcio Hellery Holanda Oliveira, chefe de divisão do Departamento de Regulação Prudencial e Cambial do Banco Central
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que o Banco Central decidiu mexer em algo que estava funcionando há tanto tempo?

Model

Porque o sistema antigo criava uma barreira desnecessária. A corretora era o único caminho, o que mantinha custos altos e afastava pessoas que queriam fazer transferências pequenas. O BC viu que a tecnologia permite fazer isso de forma mais eficiente.

Inventor

Mas as corretoras vão desaparecer?

Model

Não. Elas continuam. O que muda é que agora há concorrência real. Alguns clientes vão preferir a corretora por algum motivo específico, outros vão usar o banco. É competição, não eliminação.

Inventor

E como o BC garante que isso não vira uma porta aberta para lavagem de dinheiro?

Model

Exigindo que os bancos mantenham registros detalhados de cada operação e que a instituição que recebe o dinheiro no exterior também seja fiscalizada. Não é um sistema sem controle — é um sistema com controle diferente, mais moderno.

Inventor

Dez mil dólares é muito pouco para quem precisa transferir valores maiores.

Model

É verdade. Por isso a regulação mantém as corretoras funcionando. Quem precisa transferir cem mil dólares ou mais ainda vai procurar uma corretora. O limite de dez mil é para operações rotineiras, do dia a dia.

Inventor

E as contas pré-pagas para não residentes? Para que servem?

Model

Para um brasileiro que mora fora e quer pagar contas aqui. Em vez de fazer uma transferência internacional cada vez que precisa pagar algo, ele mantém uma conta com saldo em reais e paga direto. É conveniência.

Inventor

Quando isso começa?

Model

Se a consulta pública não encontrar problemas graves, a partir de 2021. Mas ainda há dois meses para comentários e ajustes.

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