Em um momento em que o governo federal decretou o fim das apostas esportivas no Brasil, o Flamengo se vê diante de uma ruptura financeira estimada em 400 milhões de reais anuais — uma cifra que coloca em xeque contratos de jogadores, contratações futuras e a própria previsibilidade do clube. O dirigente rubro-negro, ao questionar publicamente a Medida Provisória, toca em uma tensão mais ampla: até onde o Estado pode intervir na economia do esporte sem consultar aqueles que construíram seus planos sobre as regras vigentes? A pergunta que fica suspensa não é apenas financeira, mas sobre a legiti
Bap critica proibição de bets e questiona como pagará Paquetá
Como eu vou pagar o Paquetá em janeiro?
O dirigente está dizendo que o Flamengo perderá 400 milhões de reais por ano. Essa é uma estimativa do clube ou há alguma verificação independente?
É a estimativa do próprio Flamengo. O clube baseou seus contratos e planejamento orçamentário nessas receitas de apostas, então para eles o impacto é real e imediato.
Mas precisamos ser claros: é o que o Flamengo diz que perderá. Não sabemos se essa cifra inclui receitas diretas de patrocínio das bets ou se também inclui receitas indiretas. E não há confirmação de quanto outros clubes estimam perder.
Ele mencionou especificamente Lucas Paquetá. Qual é o contrato dele?
Paquetá é um jogador importante do Flamengo e o dirigente usou o pagamento dele em janeiro como exemplo concreto do que está em risco. É uma forma de tornar o problema tangível.
Certo, mas não sabemos o valor exato do contrato de Paquetá ou quando foi assinado. O dirigente está usando um nome conhecido para ilustrar um problema maior, o que é compreensível, mas não nos diz os detalhes específicos.
O governo anunciou um programa para ajudar pessoas endividadas por apostas. Isso não contradiz o que o dirigente está dizendo?
Exatamente. O dirigente apontou essa contradição. O governo reconhece que as apostas causam dano social e endividamento, mas a proibição afeta também os clubes que dependem dessa receita.
Sim, mas são duas coisas diferentes. O dano às famílias é real e documentado. O dano aos clubes é real também, mas é uma consequência colateral de uma decisão que visa proteger consumidores. Não é necessariamente contraditório.
Ele prevê que o futebol argentino se fortalecerá. Há evidência disso?
É uma previsão dele baseada na lógica de que clubes brasileiros com menos receita terão menos capacidade de contratar e reter jogadores. Jogadores podem migrar para ligas com mais recursos.
É uma extrapolação razoável, mas ainda é especulação. Não sabemos como os clubes argentinos serão afetados, se as bets também serão proibidas lá, ou como o mercado se reorganizará.
O Pulso
- O governo federal anunciou o banimento total das casas de apostas a partir de 6 de outubro, exigindo que as plataformas devolvam saldos em menos de uma semana — uma decisão que pegou clubes e patrocinadores de surpresa.
- O Flamengo projeta um rombo de R$ 400 milhões anuais, o que ameaça diretamente a folha de pagamento de jogadores, incluindo contratações de alto valor já planejadas para janeiro.
- O dirigente rubro-negro denunciou a contradição do governo: ao mesmo tempo que proíbe as bets, anuncia um programa de renegociação de dívidas para viciados em apostas, reconhecendo o dano social sem, segundo ele, resolvê-lo.
- A previsão do clube é sombria — menos contratações de jogadores e mais contratações de advogados, enquanto o futebol argentino poderia se beneficiar do enfraquecimento do brasileiro.
- O dirigente apela ao STF e ao Congresso Nacional para que revisem a Medida Provisória, argumentando que ambas as instituições têm instrumentos legais para barrar ou modificar a decisão.
Em um momento em que o governo federal decretou o fim das apostas esportivas no Brasil, o Flamengo se vê diante de uma ruptura financeira estimada em 400 milhões de reais anuais — uma cifra que coloca em xeque contratos de jogadores, contratações futuras e a própria previsibilidade do clube. O dirigente rubro-negro, ao questionar publicamente a Medida Provisória, toca em uma tensão mais ampla: até onde o Estado pode intervir na economia do esporte sem consultar aqueles que construíram seus planos sobre as regras vigentes? A pergunta que fica suspensa não é apenas financeira, mas sobre a legitimidade e a velocidade com que decisões de grande impacto são tomadas.
Na segunda-feira, o presidente do Flamengo foi a público para traduzir em números concretos o que a proibição das casas de apostas significa para o maior clube do Brasil: uma perda estimada de 400 milhões de reais por ano. Em entrevista à FlamengoTV, ele não apresentou soluções, mas lançou um alerta às instituições — STF e Congresso Nacional — pedindo que revisassem a Medida Provisória antes que os danos se tornassem irreversíveis.
O anúncio do governo havia sido feito na sexta-feira anterior. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, ao lado do presidente Lula, comunicou que as plataformas de bets teriam até as 23h59 do dia 5 de outubro para devolver os saldos dos apostadores. A partir do dia seguinte, sites e aplicativos sairiam do ar. Novos depósitos já estavam proibidos desde a publicação da medida.
Para o Flamengo, o impacto vai além dos números. O dirigente listou as consequências práticas: salários comprometidos, contratações canceladas, investimentos nos esportes olímpicos reduzidos e contratos legítimos firmados com base em receitas que simplesmente deixariam de existir. A frase que resumiu o cenário foi direta — o clube passaria a contratar advogados no lugar de jogadores.
O tom da crítica também apontou para uma contradição no próprio discurso governamental. Ao anunciar a proibição, o governo apresentou simultaneamente um programa de renegociação de dívidas para famílias endividadas pelo vício em apostas — reconhecendo, assim, o dano social das plataformas. Para o dirigente, porém, o banimento não resolveria o endividamento do brasileiro médio; apenas eliminaria uma fonte de receita legítima para o esporte.
A visão de longo prazo apresentada foi igualmente preocupante: um futebol brasileiro enfraquecido e um futebol argentino fortalecido como consequência direta da medida. O presidente Lula também assinou um Projeto de Lei a ser enviado ao Congresso para tipificar crimes relativos às apostas de cota fixa, mas, para o Flamengo, a questão central permanece sem resposta — como honrar compromissos legais quando as receitas que os sustentavam são eliminadas por decreto?
O presidente do Flamengo enfrentou na segunda-feira uma questão que o mantém acordado à noite: como pagar Lucas Paquetá em janeiro se as casas de apostas desaparecerem do Brasil em uma semana. A resposta que ele ofereceu, em entrevista à FlamengoTV, foi menos uma solução e mais um grito de alarme dirigido aos tribunais e ao Congresso Nacional.
O governo federal havia anunciado na sexta-feira anterior o fim das operações de apostas esportivas no país. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros ministros, comunicou que as plataformas de bets teriam até as 23h59 do dia 5 de outubro para devolver os saldos dos apostadores. A partir de 6 de outubro, os sites e aplicativos sairiam do ar e a atividade passaria a ser proibida. O governo já havia vedado novos depósitos desde a publicação da Medida Provisória na sexta anterior.
Para o Flamengo, a proibição representa um corte estimado de 400 milhões de reais anuais em receitas. O dirigente não hesitou em nomear o que isso significa na prática: menos dinheiro para pagar salários de jogadores, menos recursos para novas contratações, menos investimento nos esportes olímpicos do clube e menos renúncia fiscal. Ele havia assumido compromissos contratuais legítimos baseado em receitas que agora desapareceriam. A medida, em sua visão, comprometia a estabilidade dos contratos e a previsibilidade das receitas futuras.
O tom da crítica revelava frustração com o método e a velocidade da decisão. Segundo o dirigente, quando se trata de regulação, o processo deve ser exaustivo, permitindo ajustes conforme a tecnologia e as circunstâncias evoluem. Um banimento unilateral, da forma como foi executado e no momento em que ocorreu, era difícil de justificar. Ele apelou sinceramente para que o Supremo Tribunal Federal ou o Congresso Nacional revisitassem a Medida Provisória nas semanas seguintes, argumentando que ambas as instituições possuíam as ferramentas necessárias para rejeitá-la.
A consequência prática, conforme descreveu, seria brutal: o clube deixaria de contratar jogadores para contratar advogados. Sem condições de honrar os compromissos assumidos, buscaria alternativas e novos patrocinadores, mas os valores seriam significativamente inferiores aos atuais. Essa redução de receitas não afetaria apenas o Flamengo, mas reverberaria pelo futebol brasileiro como um todo.
O dirigente ofereceu uma previsão sombria: haveria um enfraquecimento ainda maior do futebol brasileiro enquanto o futebol argentino se fortaleceria. E questionou a lógica da medida sob outra perspectiva. O governo havia anunciado também um programa de renegociação de dívidas para famílias que se endividaram por vício em apostas online, reconhecendo assim o dano social causado pelas plataformas. Mas, argumentou o dirigente, essa proibição não reduziria o endividamento do brasileiro médio. A decisão, em sua avaliação, era contraditória em seus próprios objetivos.
O presidente Lula havia assinado um Projeto de Lei a ser enviado ao Congresso que definiria conceitos e tipificaria crimes relativos às apostas de cota fixa. O programa de renegociação de dívidas anunciado na mesma sexta-feira não seria restrito apenas aos viciados em apostas, mas abrangeria famílias endividadas de forma mais ampla. Ainda assim, para o dirigente do Flamengo, a questão permanecia: como honrar compromissos legais quando as receitas que os sustentavam eram eliminadas por decreto?
Citações Notáveis
Essa medida compromete as receitas no futuro. Afeta a folha do futebol, as contratações que nós fizemos.— Presidente do Flamengo
Nós vamos deixar de contratar jogadores e contratar advogados. Nós não temos condições, hoje, de honrar os compromissos que nós assumimos baseados em contratos legais.— Presidente do Flamengo