Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Nubank agora oferecem múltiplos criptoativos, incluindo bitcoin, ether e stablecoins, em movimento acelerado desde 2025. Analistas alertam que criptomoedas exigem alta tolerância ao risco devido à volatilidade significativa, recomendando exposição limitada entre 1% e 3% da carteira total.
Bancos ampliam oferta de criptomoedas com avanço da regulação no Brasil
Oferecer é uma coisa; abraçar é outra
Por que os bancos decidiram agora oferecer criptomoedas? Isso não era arriscado demais?
A regulação foi a chave. Quando o Banco Central começou a regulamentar efetivamente em 2026, criou um marco de segurança que os bancos precisavam. Antes era um vazio legal.
Mas vale notar que os dados da Receita Federal mostram o volume total, não especificamente quanto disso é produto bancário para clientes. Sabemos que cresceu, mas não sabemos a proporção exata.
E quanto ao risco? Os bancos estão protegendo os clientes?
Eles oferecem o produto, mas deixam claro que é de alto risco. Recomendam que seja entre 1% e 3% da carteira. Itaú, Nubank, todos alertam sobre volatilidade.
O alerta está lá, mas a questão é se o cliente médio realmente compreende o que significa uma variação de preço muito maior do que em ações. O aviso existe, mas a compreensão é outra coisa.
Os bancos estão apostando seu próprio dinheiro nessas moedas?
Não. Nenhum banco reportou ter posições próprias em criptoativos em março de 2026. Eles são intermediários, não investidores.
Isso é importante. Eles estão oferecendo o produto porque os clientes pedem, mas não estão convencidos o suficiente para investir neles mesmos. É uma diferença significativa de confiança.
O Pulso
- Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Nubank ampliaram ofertas de criptoativos desde 2025
- Itaú disponibiliza 15 criptoativos; Nubank oferece 28 ativos
- Banco do Brasil movimentou mais de R$ 11 milhões em transações diretas de bitcoin e ether desde janeiro
- Volume total de criptoativos movimentado no Brasil cresceu 22% em 2025 (R$ 505,5 bilhões) e 433% desde 2020
- Nenhum banco reportou posições próprias em criptoativos em março de 2026
Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Nubank agora oferecem múltiplos criptoativos, incluindo bitcoin, ether e stablecoins, em movimento acelerado desde 2025. Analistas alertam que criptomoedas exigem alta tolerância ao risco devido à volatilidade significativa, recomendando exposição limitada entre 1% e 3% da carteira total.
Instituições financeiras brasileiras ampliaram significativamente a oferta de criptoativos aos clientes nos últimos anos, passando de apenas bitcoin para mais de uma dezena de ativos virtuais, impulsionadas pelo avanço da regulamentação do setor.
Os bancos brasileiros descobriram um novo corredor de negócios. Há alguns anos, quando um cliente perguntava sobre criptomoedas, a resposta era simples: bitcoin, ou nada. Hoje, as mesmas instituições que historicamente desconfiavam de ativos digitais colocam à disposição de seus clientes mais de uma dezena de criptoativos diferentes — bitcoin, ether, stablecoins atreladas ao dólar, e uma variedade crescente de outras moedas virtuais. Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Nubank ampliaram suas ofertas de forma acelerada desde 2025, acompanhando um movimento mais amplo de regulamentação do setor no país.
O que mudou não foi apenas a quantidade de produtos. O que mudou foi a segurança regulatória. Em 2022, o Brasil aprovou o Marco Legal dos Criptoativos, estabelecendo princípios gerais para o setor e atribuindo ao Banco Central a responsabilidade de regulamentar as prestadoras de serviços de ativos virtuais. A partir de 2026, o Banco Central começou efetivamente a regulamentar essas empresas, impondo exigências de capital mínimo, segregação patrimonial e supervisão contínua. As prestadoras que já operavam no mercado têm prazo até novembro para se adequar às novas regras. Para bancos tradicionalmente conservadores, essa moldura regulatória criou o espaço psicológico necessário para entrar no mercado com confiança.
O Itaú, por exemplo, disponibiliza atualmente 15 criptoativos aos seus clientes, incluindo bitcoin, ether e USDC, uma stablecoin atrelada ao dólar. O Banco do Brasil lançou em janeiro investimentos diretos em bitcoin e ether, e segundo a instituição, o serviço já movimentou mais de 11 milhões de reais em transações. O Banco Safra criou sua própria stablecoin, o Safra Dólar, lançado em 2025 e gerido pela instituição como uma alternativa para dolarização do patrimônio. O Nubank, que opera como fintech, divulgou em maio de 2026 a entrada de quatro novas criptomoedas em sua plataforma, elevando o portfólio para 28 ativos disponíveis. A plataforma do Nubank conta com mais de 7 milhões de clientes no Brasil.
Os números da Receita Federal revelam o tamanho do movimento. Pessoas jurídicas movimentaram cerca de 497 bilhões de reais com criptoativos no Brasil em 2025, representando 98,3% do total de 505,5 bilhões de reais informados por pessoas físicas e jurídicas. O volume total cresceu 22% em relação a 2024 e 433% desde 2020. Embora esses dados não permitam identificar precisamente quanto corresponde à oferta de produtos para clientes, eles sinalizam a crescente participação de empresas nas operações com criptoativos.
Mas os analistas insistem em um aviso que não pode ser ignorado. Cristiano Corrêa, professor de finanças do Ibmec, explica que a volatilidade dos criptoativos é radicalmente diferente da de outros investimentos. Uma ação pode cair 4% ou 5% em um dia ruim. Em criptomoedas, esses movimentos podem ser muito mais rápidos e maiores. Isso não significa que o investidor vai perder dinheiro, mas que está exposto a uma amplitude muito maior de variação. Por isso, o investimento é mais indicado para investidores com maior tolerância ao risco e às flutuações do mercado. Felipe Quiodine, planejador financeiro pela Planejar, recomenda uma abordagem conservadora: algo entre 1% e 3% da carteira total. Esse percentual cumpre dois objetivos — capturar valorização se houver, e limitar o impacto caso a posição sofra perdas severas.
Há, porém, uma assimetria notável nesse cenário de expansão. Enquanto os bancos ampliam a oferta de criptoativos aos clientes, sua própria exposição a esses ativos permanece praticamente nula. Em balancetes enviados ao Banco Central com data-base de março de 2026, não foram identificados saldos ou registros de ativos virtuais próprios de bancos. As instituições funcionam como intermediárias e custodiantes — mantêm os ativos em nome dos clientes e não assumem os riscos diretamente. Para Carlos Castilho, diretor executivo de serviços financeiros da EY, não há proibição geral à manutenção de posições próprias em criptoativos por instituições financeiras, mas a prática não ocorre. Isac Costa, professor do Insper, vê nessa dinâmica uma distinção clara: uma coisa é oferecer criptoativos a investidores que demandam essa categoria de ativo, outra é abraçar as teses de investimento e manter criptoativos em carteira própria. O mercado cripto deixou de ser considerado um mercado marginal, mas os bancos brasileiros ainda o tratam como um produto para clientes, não como um ativo para si mesmos.
Citações Notáveis
Uma ação pode cair 4% ou 5% em um dia ruim. Em cripto, esses movimentos podem ser muito mais rápidos e maiores.— Cristiano Corrêa, professor de finanças do Ibmec
Algo entre 1% e 3% da carteira total. Esse percentual cumpre dois objetivos: primeiro, a captura de valorização, se houver; em segundo lugar, limita o impacto caso a posição sofra perdas severas.— Felipe Quiodine, planejador financeiro pela Planejar